ESTUDOS DA ESCRITURA SAGRADA:

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

ISAÍAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

        

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Isaías.

         Propósito: incentivar os contemporâneos do profeta a serem leais ao ETERNO e exortar os futuros leitores exilados a se arrependerem de seus pecados e a confiarem que, após o exílio, o ETERNO abençoaria o remanescente fiel e as outras nações de maneira como nunca antes eles haviam sido abençoados.

         Data: c. 686-650 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu chamou Isaías para advertir o seu povo sobre a decisão divina de manda-los para o exílio e para garantir que, no futuro, após o exílio, o povo voltaria a receber bênçãos sem precedentes.

         A confiabilidade de Isaías foi demonstrada pelo cumprimento de muitas de suas primeiras profecias, feitas antes de o seu livro ser escrito.

         As maravilhosas predições de Isaías sobre o fim do exílio na Babilônia e a restauração certamente aconteceriam, mas somente os arrependidos em Israel e entre os gentios desfrutariam dessas bênçãos.

 

 

         Propósito e características

         Como profeta de Yaohu, Isaías tratou tanto das bênçãos quanto do julgamento das alianças de Yaohu com Israel (veja “Introdução aos livros proféticos”). Por outro lado, o ministério de Isaías consistiu em grande parte em fazer acusações, condenações e críticas à medida que ele pronunciava sobre Israel e Judá as maldições da aliança pela flagrante desobediência a obrigações inerentes a ela (1,2-31; 13,1 – 23,18; 56,9 – 57,13; 65,1-16). O profeta falou de muitas maldições diferentes que viriam, sendo as mais sérias a destruição e o exílio. De fato, tanto Israel quanto Judá ficaram tão aquém dos ideais da aliança que Yaohu ordenou a Isaías que profetizasse para que o coração do povo fosse endurecido e a sua decisão quanto ao exílio não fosse evitada (6,1-13).

 

 

 

         CRISTO EM ISAÍAS.

       As profecias de Isaías prenunciam Cristo em pelo menos três aspectos. Primeiramente, Isaías advertiu sobre os julgamentos que viriam contra o povo rebelde de Yaohu e sobre as nações que resistissem a ele (1,20; 3,13-15; 11,4; 34,2; 51,5). Por fim, as decisões divinas com as quais Isaías ameaçou foram cumpridas no ministério de Cristo (53,4-6.12; 2Co 1,15; Hb 9,26).

         Segundo, Isaías garantiu que o povo de Yaohu que se mantivesse fiel iria desfrutar de uma gloriosa restauração após o exílio – uma restauração que ele chamou de “Os novos céus e a nova terra” (66,22; veja também 65,17). O SALVADOR inaugurou essa nova criação por meio de um ministério terreno que separou novamente a luz das trevas (Jo 1,1-9). Ele dá prosseguimento a essa nova criação por toda a história da Igreja (2Co 4,6; 5,17; Gl 6,15; Tg 1,18) e a levou à sua plenitude quando voltar (Ap 21,1-3). “O Reino de Deus Mt 4”.

         Terceiro, o Novo Testamento refere-se mais a Isaías do que a qualquer outro livro do Antigo Testamento quando a questão é indicar de que maneira o SALVADOR cumpriu as expectativas do Antigo Testamento em relação ao Messias. O mais importante aspecto no qual o SALVADOR cumpriu as profecias de Isaías diz respeito ao tema dominante o do servo (Is 42,1). Isaías predisse que o “servo” traria justiça às nações (42,1-4), restabeleceria a aliança de Israel com o ETERNO (42,5-7), se tornaria luz para os gentios (49,1-7), tiraria os pecados dos eleitos e ressuscitaria dos mortos (52,13 – 53,12). O novo Testamento identifica esse SERVO-SALVADOR como o nosso SALVADOR – Yaohushua – Christós, o ETERNO encarnado: (Mt 8,17; 16,21; 27,26.29.31.38.57-60; Mc 14,49.61; 15,27.43-46; Lc 2,14; 18,31-33; 23,32; Jo 1,10-11.29; 3,17; 12,38; 19,1.7.18.38-41; At 2,23; 3,13; 7,32-33; 8,32-33; 10,43; Rm 4,25; 8,34; 10,15-16; 15,21; 1Co 15,3; Ef 3,4-5; Fp 2,9; Hb 5,8; 9,28; 1Pe 2,22-25; 1Jo 3,5; Ap 14,5).

 

 

 

Bem, como o Livro de Isaías é como se fosse um resumo da Bíblia dentro dela mesma, e, sendo o meu preferido, vamos estuda-lo de forma diferenciada como sendo um Livro – um documentário histórico:

 

 

ISAÍAS

 

INTRODUÇÃO

 

 

I. INTRODUÇÃO DO LIVRO

 

 

         Sob o nome de Isaías encontra-se reunido um conjunto de 66 capítulos que, segundo indícios evidentes, não datam todos da mesma época. O fato de um livro ter uma pluralidade de autores não tem em si nada de surpreendente: muitos outros livros do Antigo Testamento apresentam um caráter compósito: mas, enquanto estes últimos são em geral anônimos, o livro de Isaías se apresenta sob o nome de um personagem, Isaías, que viveu em uma época bem precisa da história de Israel (1,1). A tese de um único autor teve e continua tendo os seus adeptos. A opinião tradicional judaica e cristã foi expressa pelo Sirácida (século II a.C.) o qual, depois de ter falado da atividade do profeta sob o rei Ezequias, diz “que ele viu o fim dos tempos e consolou os aflitos de Sião... anunciou o futuro e as coisas escondidas antes de acontecer” (Sr 48,24-25 – Livro apócrifo). Todavia, a pluralidade de autores não impede que se fale da “unidade” do livro, mas tal unidade tem de ser procurada numa continuidade que se estende por vários séculos e na permanência de determinados temas.

         A prova mais manifesta da pluralidade de autores aparece no início do cap. 40, onde começa a assim chamada obra do Segundo ou Dêutero-Isaías: sem nenhuma transição visível, vemo-nos transportados do século VIII para pleno período do Exílio (século VI). Não se fala mais uma única vez de Isaías, e a Assíria é substituída pela Babilônia, cujo nome é mencionado com freqüência, assim como o do rei dos medos e dos persas, Ciro, conquistador da Babilônia e artífice do regresso dos judeus a terra deles (41,2; 44,28; 45,1). Com o cap. 40 começa um novo livro, ao qual serão dedicados parágrafos especiais da presente introdução.

         Por mais importantes que sejam, os caps. 40 – 66 não são a única parte do livro seguramente posterior à época de Isaías. Olhando de perto, constata-se que os caps. 36 – 39 constituem a repetição – com importantes variações, é verdade – de um texto histórico que se encontra também no livro dos Reis (2Rs 18,13 – 20,19). Os caps. 34 – 35 revelam uma característica exílica e apresentam parentesco com a obra do Segundo Isaías. Finalmente, o conjunto constituído pelos caps. 24 – 27, correntemente denominado “o apocalipse de Isaías”, está muito longe da mentalidade e das representações dos homens do século VIII. No interior dos conjuntos habitualmente referidos ao próprio profeta (1 – 12; 13 – 23; 28 – 33), há ainda certo número de fragmentos que os comentadores consideram de época posterior.

         Convém, portanto, constatar o caráter heterogêneo do livro e não procurar provar artificialmente a unidade do autor. Tentar apresentar a formação do livro de Isaías é, porém, uma tarefa em grande parte hipotética. O término definitivo do livro situa-se depois do Exílio, e mesmo depois do retorno pressuposto pelos caps. 56 – 66. Os redatores tinham à sua disposição não somente trechos esparsos, mas verdadeiras coletâneas. Pode-se admitir que o núcleo do livro de Isaías é constituído por elementos com dominante autobiográfica, notadamente o relato, pelo próprio profeta, da sua vocação ao ministério profético (cap. 6).

         Que o próprio profeta tenha praticado a escrita é atestado por textos como 8,1.16 e 30,8, mas é provável que a redação de bom número dos seus oráculos não tenha sido feita por ele, e sim, por seus discípulos, agindo sob a sua ordem, ou algum tempo mais tarde, quando era preciso mostrar a concordância entre os acontecimentos e as palavras pronunciadas. O círculo dos discípulos de Isaías parece ter sido constituído primeiro pela sua própria família: seus filhos, que ele associou ao seu ministério, dando-lhes nomes simbólicos, e sua mulher, que é denominada “a profetisa” em 8,3. Ampliado em seguida, este círculo de discípulos – alguns chegam a falar de uma verdadeira escola de Isaías – deve ter desenvolvido uma atividade literária a partir dos oráculos do mestre. Deve também ter constituído ou pelo menos prefigurado o resto fiel que, depois da catástrofe, seria o germe do povo de Yaohu.

         Sobre o número e a dimensão das coletâneas preexistentes que entraram na composição do livro de Isaías, só podemos, evidentemente, fazer conjeturas. O conjunto dos oráculos e histórias reunidas foi inserido num esquema convencional que reencontramos na maioria dos outros livros proféticos, em particular em Jr e Ez, e que comportava três partes:

         a) profecias de julgamento sobre Israel;

         b) profecias de desgraças sobre os povos estrangeiros;

         c) promessas de salvação, principalmente para Israel.

         Contudo, como as diversas coletâneas que entraram na composição do livro já constituídas, por vezes segundo o mesmo esquema, no momento da sua redação definitiva, elas resistiram em parte a este enquadramento geral. No interior dos caps. 1 – 39, podemos encontrar as seguintes subdivisões:

         1. Introdução ao conjunto do livro, constituída por uma seleção de oráculos de épocas diversas e destinada a fornecer um resumo da pregação do profeta.

         2 – 12. Profecias sobre Israel e Judá, que na sua maioria estão entre as mais antigas de Is.

         13 – 23. Oráculos sobre as nações estrangeiras.

         24 – 27. Conjunto com dominante apocalíptica.

         28 – 33. Oráculos diversos de promessas e de ameaças sobre Israel e sobre Judá (cf. 2 – 12).

         34 – 35. Outros fragmentos apocalípticos.

         36 – 39. Relatos sobre a atividade de Isaías no momento da campanha de Senaquerib contra Jerusalém.

 

 

 

II O PROFETA ISAÍAS

 

         A atividade do profeta. Livro aberto, incessantemente ampliado, o livro de Isaías poderia ser comparado a uma biblioteca, talvez a biblioteca profética por excelência. Mas este aspecto de antologia põe justamente em relevo o papel essencial desempenhado pelo profeta Isaías enquanto vivo e, depois da sua morte, na memória do povo. Este personagem extraordinário foi chamado a profetizar enquanto era ainda relativamente jovem, em 740, e sua atividade se estendeu por um período de, no mínimo, quarenta anos. Seu aparecimento no cenário da história coincide com o período de prosperidade conhecida por Judá sob o longo reinado de Ozias (ou Azarias, cf. 2Rs 15,1-7), mas que tinha como contrapartida o desenvolvimento de luxo, o advento de uma classe de proprietários que açambarcavam todas as terras, o esmagamento dos pobres. O profeta só pode estigmatizar o que considera como o contrário da justiça querida por Yaohu e anunciar a cólera dele. Alguns anos antes, Amós falara na mesma linguagem ao povo de Samaria.

         É no começo do reinado de Acaz (2Rs 16,1-20) que Isaías desponta no primeiro plano da atualidade política: enquanto Arâm, cuja capital é Damasco, e Israel, cuja capital é Samaria, tentam levantar-se contra o poder cada vez mais ameaçador da Assíria, o rei Acaz de Judá, ao contrário, estima que a melhor solução é submeter-se à proteção do rei da Assíria, o que lhe vale uma expedição punitiva da parte dos seus dois vizinhos, que querem forçá-lo a entrar na coalizão deles. Esta expedição fracassa, porém Acaz continua sua política assirófila. Após esses acontecimentos, que se situam em torno de 734, o profeta parece haver-se retirado, por sua vontade ou à força, da vida pública durante dez anos. Ele assiste impotente à ascensão progressiva da potência assíria, que se irá fazer sentir em várias províncias do reino de Israel, fazendo-o ruir em 722.

         Quando Ezequias sucede a Acaz, em 716 (2Rs 18 – 20). Isaías retorna ao primeiro plano do cenário político. Todavia, se o novo rei se demonstra um fiel do ETERNO, não se deixa aconselhar pelo profeta na condução dos negócios. Isaías sempre se opôs, por motivos religiosos, à aliança de Judá com o Egito e com outros povos vizinhos, mesmo para opor-se à Assíria, quaisquer que fossem as boas razões que pudessem recomendar tais alianças. Ao oportunismo, Isaías sempre opôs as exigências da fidelidade ao ETERNO, em virtude da qual cólera de Yaohu para a punição do povo rebelde, ora o inimigo-tipo, cuja arrogância não podia ficar impune.

         A retirada dos exércitos de Senaquerib de diante de Jerusalém, em 701, fora anunciada pelo profeta. Este evento deve ter favorecido o seu prestígio, a despeito das suas profundas divergências com os chefes políticos acerca das causas e das conseqüências do que acabava de suceder.

         Chegou-se a supor que Isaías era aparentado à família real, mas a sua autoridade lhe vem antes de tudo da sua missão profética. Embora procurado por causa de seus conselhos, Isaías era seguido apenas por uma minoria. Os representantes oficiais da religião, sacerdotes e profetas, não o ouviram e até o afligiram com os seus sarcasmos. A tradição que faz de Isaías um mártir é certamente apócrifa (pseudepígrafo intitulado Ascensão de Isaías e Hb 11,37): parece, de acordo com o sobrescrito do livro (1,1), que ele não estava mais vivo no tempo do rei perseguidor, Manassés, mas percebe-se nesta lenda o eco de uma opinião, muitas vezes confirmada pelos fatos, segundo a qual a existência profética é, humanamente falando, a experiência do fracasso.

         As qualidades essenciais de Isaías – autoridade, nobreza, fé em Yaohu e compaixão pelo seu povo – aparecem na sua linguagem, que se conforma a certas regras tradicionais do oráculo profético, que ele aplica com um domínio da língua até então desconhecido: são freqüentes os trocadilhos, muitas vezes cheios de humor, as aliterações, as assonâncias, as metáforas. Como para os sábios junto aos quais se formou, a realidade lhe parece carregada de sentido. Os elementos da natureza, o fogo, a terra, a água e o vento se lhe apresentam sob o seu duplo aspecto de poder de vida e de morte e exprimem o duplo aspecto de Yaohu, ao qual não se consegue escapar, assim como não se escapa também à realidade que nos cerca. Tudo isto é dito com notável concisão, sem nenhuma palavra supérflua, o que permite distinguir certas frases rasas e redundantes do livro, das palavras autênticas do profeta. Se a linguagem tem não somente poder de expressão, mas também força de criação é sem dúvida em Isaías que encontramos a melhor ilustração bíblica disto.

 

 

         A mensagem do profeta. A mensagem do profeta está intimamente ligada à sua pessoa e às circunstâncias em meio às quais foi levado a exercer a sua atividade: Isaías fala sempre em e para situações precisas, e a sua atitude depende daquilo que ele vive com o povo. É impossível reduzir esta mensagem a um conteúdo esquemático sem sacrificar-lhe a originalidade. Contudo, já que este profeta, sempre presente ao Yaohu eterno sentado em seu trono, está também presente ao mundo com sua história e suas dificuldades, podemos encontrar nas certas constantes mensagens de Isaías.

         Yaohu é para ele o Santo, o que pode ser traduzido pelo termo de transcendência; mas o Yaohu Santo é o Santo de Israel, isto é, ele tenciona ligar-se ao seu povo. A expressão Santo de Israel só aparece mui raramente fora do conjunto do nosso livro e pode ser considerado como característica da teologia da escola de Isaías. A santidade de Yaohu é ciumenta (colocando nos termos “humanos”), não tolera ser compartilhado com ídolos, nem no plano religioso nem no plano político. Ao ser humano – em Isaías a ligação como o povo nunca exclui a visão da humanidade inteira – importa tomar consciência desta verdade, cuja evidência só pode ser negada pelo insensato, e viver em coerência com ela. São, portanto, sempre condenados, quaisquer que sejam as circunstâncias, o orgulho, a idolatria sob todas as formas, a confiança que se deposita nas armas e nas manobras pelas quais as pessoas pensam subtrair-se ao olhar de Yaohu.

         Este Yaohu transcendente tem uma história, que não se desenrola independentemente da história do mundo, mas tampouco coincide sempre com ela: o plano ou o conselho (desígnio) de Yaohu, do qual Isaías gosta de falar, é o de um Yaohu escondido, muitas vezes desconcertante e incompreensível, mas sempre mais sábio que os conselheiros considerados hábeis. Inteiramente convicto da soberania do plano de Yaohu, nem por isso o profeta deixa de atribuir grande importância à atividade e até à iniciativa dos homens, que nunca são salvos ou condenados sem que eles mesmos o queiram. É tudo isso que está contido no termo , que designa uma atitude permanente para o qual Isaías sempre conclamou o povo. Trata-se de uma fé enérgica, a ponto de parecer absurda e contrária à opinião comum, como no momento da guerra siro-eframita: Sem firme confiança não vos firmareis, isto é, se não crerdes firmemente, não sereis consolidados (7,9). Mas esta fé vigorosa é também feita de calma e de humilde confiança (30,15).

         Esta firmeza exigida do homem deve apoiar-se nos sinais que Yaohu deu da sua santidade e da sua vontade de estabelecer a sua realeza de um modo perfeito (cf. tema da terra repleta do conhecimento de Yaohu, 11,9 – Por isso, nada é “Inventado”. E, sim: “Descoberto”): Anselmo Estevan. O trono celeste tem a sua réplica no trono de David estabelecido em Jerusalém. Isaías está fortemente ancorado na tradição davídica e, embora considere que a sucessão dinástica possa ser rompida, o rei ideal do futuro será sempre, para ele, um filho de David, seu messianismo é um messianismo régio. A dinastia de David está estabelecida em Jerusalém, que é não somente o centro de Judá, de Israel e do antigo império, mas também, segundo uma antiga tradição retomada e renovada por Isaías, o centro do mundo, para o qual convergirão todas as nações (2,1-6). David e Jerusalém, eis dois temas principais da sua mensagem, para os quais não cessou de chamar a atenção dos seus ouvintes, e que os discípulos dele retomaram amplamente, adaptando-os ás circunstâncias novas: tanto o messianismo como o papel central e universal de Jerusalém permanecerão no centro da segunda (4 – 55) e da terceira (56 – 66) parte do livro.

 

 

III. O SEGUNDO OU DÊUTERO-ISAÍAS

 

         Época e ministério do profeta. A mensagem dos capítulos 40 a 55 do livro de Isaías é dotada pelo fato de ela anunciar o triunfo dos persas, a derrota dos babilônios e a libertação bem próxima dos israelitas exilados na Mesopotâmia. Portanto, esta mensagem foi pronunciada entre 550 e 539, isto é, após as primeiras vitórias de Ciro II, o Grande (41,2-3), sobre Astíages (550) e sobre Creso (546), e antes da sua campanha contra a Babilônia (Is 45 – 48), na qual ele penetra, sem combate, em 539, saudado como libertador, uma vez que o último monarca babilônico, Nabônides, pelas suas inabilidades, levantou contra si a maioria dos seus súditos.

         Opositores notórios de Nabônides, os sacerdotes caldeus atribuem os sucessos do rei persa ao deus supremo deles. Marduk (Jr 50,2), e seus acólitos Bel e Nebô (Is 46,1). Até na colônia israelita, alguns estariam propensos a ver nos acontecimentos uma intervenção desses falsos deuses, mas o nosso profeta anônimo, o Segundo Isaias, permanece vigilante no meio dos seus irmãos exilados: lembra-lhes que o único soberano do mundo é o ETERNO. Seguro de estar falando em nome dele (Is 48,16), anuncia-lhes a salvação, isto é, a libertação do jugo babilônico, à volta a Terra Santa e a restauração de Jerusalém.

         A libertação vai pôr fim a um exílio de “sete semanas de anos” (587-538); operada de maneira desconcertante por um “messias” pagão, Ciro (Is 45,1), ela fará os israelitas passarem da humilhação para a exaltação. O retorno deles a Terra Santa aparecerá como um Êxodo novo e mais belo que o antigo: recordando a saída do Egito, ele enfatizará a fidelidade de Yaohu ao seu desígnio: eclipsando a saída do Egito, ele deixa entrever a realização definitiva deste mesmo desígnio, o Reino de Yaohu universal (Is 52,7-10). Como este Reino deve instaurar-se a partir de Jerusalém, a Cidade Santa conhecerá uma restauração deslumbrante: é graças a ela que a salvação operada por Yaohu se manifestará a todos os homens sem exceção.

         Se o segundo elemento desta salvação, o novo Êxodo, está presente ao longo de todo o livro (caps. 40 – 55), O primeiro (queda da Babilônia, libertação por Ciro) ocupa, sobretudo os caps. 40 – 48, e o terceiro (restauração de Sião, insistência no universalismo da salvação), sobretudo os caps. 49 – 55. Por conseguinte, existem provavelmente duas fases no ministério do Segundo Isaías.

 

         A) Primeira fase (caps. 40 – 48). O profeta, embora proclamando a salvação, retifica quatro desvios:

         - aos desanimados que acusam o ETERNO de abandona-los (40,27) lembra as duas razões para ter esperanças: por um lado, o ETERNO criou o mundo e o seu poder refulge no universo: por outro, escolheu Israel, e a sua fidelidade brilha na história;

         - aos desavergonhados que acusam o ETERNO de mostrar-se ingrato (43,22-24) o profeta retruca que ingratos são eles, pois acumularam crimes, causa de suas desgraças (43,24-28);

         - aos escandalizados que censuram o ETERNO pela escolha de um libertador pagão (45,11-13);

         - aos que se deixaram seduzir pelos deuses da Babilônia, dispensadores da prosperidade desta, o profeta demonstra a inconsistência desses fetiches, seja nos processos em que o verdadeiro Yaohu, comparado aos falsos, se mostra o único capaz de anunciar e de fazer o futuro, seja em sátiras contra essas pretensas divindades, tão ineficazes quanto os seus ídolos vacilantes (41,24; 42,17; 44,21; 46,8; 48,5.). “E, diga-se de passagem: cada ídolo – tem o seu nome. Por isso é importante conhecer o único e verdadeiro nome de Deus – seu Nome próprio”. Anselmo Estevan.

 

 

 

  §     BEM, VEJA O QUE DIZ A ENCICLOPÉDIA BÍBLICA – O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO VERSÍCULO POR VERSÍCULO (DICIONÁRIO). EDITORA AGNOS. AUTOR: R.N. CHAMPLIN, Ph.D. – SOBRE O ASSUNTO DO NOME “CRISTO”:

 

         “PÁGINA 4748” – O TERMO HEBRAICO MASHIAH, SIGNIFICA “UNGIDO” E VEM DE UMA RAIZ HEBRAICA QUE SIGNIFICA “UNTAR”. A SEPTUAGINTA TRADUZIU ESSA PALAVRA PELO VOCÁBULO GREGO CHRISTÓS, “UNGIDO”. ESSA PALAVRA GREGA FOI PARA O PORTUGUÊS, CRISTO, EM VEZ DE SER TRADUZIDA, PARA UNGIDO. ASSIM, O CRISTO, OU O UNGIDO, CUMPRE AS EXPECTAÇÕES E SIMBOLISMOS DO ATO DE UNGIR. ESSA PALAVRA, REFERINDO-SE AO ESPERADO MESSIAS, É UM PRODUTO DO JUDAÍSMO POSTERIOR, AINDA QUE DESDE TEMPOS BEM REMOTOS, ENTRE OS HEBREUS, ENCONTREMOS INDICAÇÕES SIMBÓLICAS. SOMENTE POR DUAS VEZES, EM TODO O ANTIGO TESTAMENTO, ESSA PALAVRA É USADA COMO UM TÍTULO OFICIAL, VER DANIEL 9,25.26. O CONCEITO MESSIÂNICO, POIS, EMBORA TIVESSE TIDO INÍCIO NO ANTIGO TESTAMENTO, (COMO NO LIVRO DE ISAÍAS, ONDE NÃO É USADA A PALAVRA HEBRAICA ESPECÍFICA), TEVE PROSSEGUIMENTO DURANTE O PERÍODO INTERTESTAMENTÁRIO, NOS LIVROS APÓCRIFOS E PSEUDEPÍGRAFOS. VER O ARTIGO SEPARADO CHAMADO UNÇÃO. ESSE ARTIGO INCLUI REFERÊNCIAS BÍBLICAS.

 

         Bem, sendo dessa forma, a partir de agora, quando surgir o nome Cristo – leia-se o Ungido. (YAOHUSHUA) Sem desmerecer os textos anteriores. Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio... Anselmo Estevan.

 

Dando continuidade ao texto de Isaias:

        

 

 

 

         Tal é o conteúdo desta primeira fase. Com o fim do capítulo 48, chegamos ao ponto-chave da obra e pressentimos uma virada na vida do profeta: abandonam-se temas, aparecem outros, e a partir daqui a sua pregação se dirige, ao que parece, sobretudo à elite de Israel (cf. 48,22 nota).

 

        

         B) Segunda fase (caps. 49- 55). A mensagem que o profeta destina aos mais fiéis comporta três aspectos marcantes:

         1. A situação deles vai conhecer uma reviravolta espetacular:

         - perseguidos (51,7-8), como o profeta (50,4-11), eles serão consolados (51,1-8);

         - oprimidos, ver-se-ão salvos.

         2. A restauração de Sião é celebrada, na esteira do profeta Oséias e dos seus imitadores, como a reconciliação conjugal entre Yaohu, o esposo, e a comunidade, sua esposa: viúva, Jerusalém reencontrará o seu marido; estéril, ela vai novamente dar à luz; infiel, ela vai ser reassumida pelo seu ETERNO, cuja aliança é indefectível (49,14-26; 51,9-52.12; 54).

         3. A conversão das nações ao verdadeiro Yaohu, ao Yaohu de todos, é cada vez mais ressaltada; essas nações aparecem, sucessivamente:

         - maravilhadas diante da salvação operada por Yaohu (49,7; 52,10; e já 40,5);

         - prosternadas diante de Yaohu e desejosas de conhece-lo (49,23; 55,5; e já 45,14 – 15,23-25);

         - iluminados e transformados pelo autêntico servo de Yaohu, testemunha da verdadeira fé diante do universo (49,2.6; 53,11).

 

 

         Os servos e o Servo de Yaohu. Ao longo da mensagem que acabamos de resumir, o Segundo Isaías empregou vinte e uma vezes a palavra “servo”, uma só vez no plural (54,17), uma vez no sentido pejorativo de escravo (49,7), e dezenove vezes no sentido positivo de servo de Yaohu. Em catorze casos, este servo recebe um nome próprio: É “Israel” ou “Jacó”, isto é, o povo de Israel no seu conjunto. Em cinco casos, o servo permanece anônimo, e é preciso perguntar-se, de acordo com o contexto, quem é designado por este título em 42,1; 44,26; 50,10; 52,13 e 53,11. Será ainda Israel? Será um grupo restrito personificado? Será um individuo? Além disso, as cinco passagens supracitadas visam a uma só e mesma personificação, ou a várias? Um só e mesmo personagem, ou vários? Todas estas hipóteses podem ser defendidas, e de fato o têm sido.

         Se, num primeiro tempo, nos ativermos ao sentido imediato dos textos no seu contexto, a palavra “servo” pode designar, conforme o caso: Israel no seu conjunto, Israel na sua elite, o próprio Segundo Isaías, e finalmente o rei persa Ciro.

         1. O servo Israel como o povo. Nos caps. 41 – 48, o povo de Israel é efetivamente qualificado como servo do (Senhor) – {termo que só pode ser qualificado como sendo servo = escravo; pois, de Yaohu todos, o seu povo, como nós os gentios; depois do sacrifício do “o Ungido” – nos tornamos “co-herdeiros” da sua Palavra e do sacrifício feito por todos em geral – a Sua morte e Ressurreição...!!}. Anselmo Estevan. Em relação ao resto do Antigo Testamento, isto representa uma novidade; só se encontram alguns outros textos, raros e tardios, em que semelhante denominação é aplicada a Israel (Jr 30,10; Sl 136,22). Ao conferir-lhe este título, o profeta sublinha que o povo eleito [o nome já diz: POVO ELEITO – COMO SE COMPARAR À “SERVO”? Anselmo Estevan.] entrou, desde a sua libertação da escravidão egípcia, no serviço divino, não somente na dependência do ETERNO, mas também em sua intimidade, a ponto de receber dele revelações sobre seu desígnio, bem como a força de colaborar na implantação deste. Em 41,8-16 e 44,1-5, vê-se com que afeição Yaohu se inclina sobre o seu “servo” Israel. [Aqui, O Ungido, na plenitude de seu tempo, iria libertar “Israel-povo” – de sua própria escravidão! Anselmo Estevan.].

         2. O servo Israel na sua elite. No interior do povo de Yaohu, opera-se uma seleção; a partir do cap. 49, o profeta, recusado por uma parte dos seus ouvintes (50,6-9.11), volta-se para o grupo dócil à palavra de Yaohu (50,10). Este grupo, que nunca mais será designado pelas palavras paralelas Israel-Jacó, continua sendo, porém, sempre Israel (49,3), mas um Israel reduzido a uma elite, um resto (46,3): se lhe aplicarmos 49,5-6, a primeira tarefa dele seria reerguer os sobreviventes de Israel tomados em seu conjunto, e sua tarefa maior seria levar a luz às nações. Para certos comentadores, o poema 52,13 – 53,12 também poderia ser aplicado à elite de Israel.

         3. O Segundo Isaías, servo ele mesmo. O nosso profeta em pessoa pertenceu a essa elite. Deportado e, além disso, perseguido, teve de primeiro buscar reconforto Junto a Yaohu, para poder reconfortar os seus compatriotas como discípulo atento; recolheu as palavras do seu ETERNO, depois as transmitiu. Ao fazer isto, deparou com ceticismo e hostilidade; todavia, mesmo sob os ultrajes, permaneceu firme, tendo a certeza de, na fidelidade de Yaohu, confundir os seus perseguidores e fortificar os que acreditaram nele (50,4-11).

         4. O servo Ciro. Os que acolhem a mensagem do profeta, com isto mesmo aceitam as suas declarações, chocantes para muitos, sobre a missão de Ciro. O rei persa é também ele, sem dúvida, um servo de Yaohu. O ETERNO é o soberano que faz triunfar o profeta de Ciro, ao dizer: Jerusalém seja habitada! E Ciro é o servo que faz triunfar o projeto do ETERNO dizendo: Jerusalém seja reconstruída! (44,26-28).

         E em contraste com as estátuas fúteis dedicadas aos falsos deuses (41,24.29), não seria Ciro o eleito de Yaohu, animado pelo sopro de Yaohu (42,1)? Com a maneira benevolente que a história lhe reconhece. Ciro seria então aquele que fará admitir por todas as nações o julgamento decretado pelo ETERNO; ao instaura-lo, ele não esmagará as vítimas da Babilônia, juncos dobrados sob a força do jugo, mechas apagadas pela detenção. Sem esmorecer, Ciro cumprirá até o fim a sua missão; servo do servo de Israel, favorecerá, ao restabelecer este último, o cumprimento do desígnio de Yaohu, que é iluminar os homens com a sua luz e uni-los na sua aliança (42,1-7).

         São estas algumas das interpretações que se podem propor; dão conta dos textos, com maior ou menor propriedade, mas não são as únicas possíveis.

         Por exemplo, os judeus helenizados que produziram a tradução grega (Septuaginta) não hesitaram em dar nome ao servo anônimo de 42,1, e escreveram: EIS AQUI O MEU SERVO JACÓ, QUE EU APÓIO, ISRAEL MEU ELEITO... Na lógica desta interpretação, é Israel que propõe às nações o direito exigido por Yaohu e “a Lei” que Yaohu lhe confiou, para que a transmita ao mundo.

         O Targum, comentário em aramaico, originado da explicação oral do texto hebraico, oferece exegeses diversas no que tange aos oráculos que falam de um “servo” de Yaohu. De data incerta e, para muitos dos seus capítulos, de redação tardia, posterior ao advento da era cristã, ele tenderia a ler nas páginas dolorosas as provações de Israel e, nas páginas gloriosas, os triunfos do Messias vindouro. Sem querer encontrar a qualquer custo nas interpretações do Targum o atestado de uma tradição judaica pré-cristã, reteremos simplesmente que a literatura targúmica reconhece em Is 50,10, nos traços do “servo”, o profeta que denominamos o Segundo Isaias; e que, em 52,13 como em 42,1 e 43,10, essa literatura não hesita em escrever: “Meu Servo: o Messias”.

         Os oráculos do Segundo Isaías são ricos de sentido e abertos para o futuro; as realizações efetuadas por este ou aquele indivíduo, este ou aquele grupo escondido sob o título anônimo de “servo”, permanece parciais e limitadas: nenhuma pode pretender, ao que parece, ter esgotado a missão em escala mundial anunciada pelo Segundo Isaías.

         Para o Novo Testamento, vários textos do Segundo Isaías concernem diretamente à pessoa e à obra de O UNGIDO, o servo perfeitamente justo (50,9; 53,9), cuja morte é aceita como sacrifício de expiação (53,10: afirmação bem nova e única no Antigo Testamento), e a quem foi prometida, para além da morte, uma vida intensa e fecunda (53,9-12).

 

 

         O rosto de Yaohu. O nosso profeta traça um esboço impressionante do rosto de Yaohu, cujos principais traços são os seguintes:

         Yaohu, repete ele, é único e absolutamente incomparável, nenhuma divindade existe ao lado dele. Nenhum ser pode existir antes ou depois dele, pois ele é eterno (43,10; 44,6). Anterior a tudo, ele está também na origem de tudo; sozinho, ele cria tudo (44,24). O verbo criar, reservado ao agir divino, conhece com o Segundo Isaías um aumento repentino do seu índice de freqüência: dezesseis empregos sobre quarenta e quatro (certos) no Antigo Testamento. Além disso, o profeta inova, quando qualifica de criação o surgimento do povo israelita (43,1.7.15), e ganha de Jr 31,22, quando fala de criação a propósito do novo Êxodo (41,20; 48,7). Yaohu, com efeito, põe o seu poder de criador a serviço do seu projeto de salvação: por ter tirado os elementos do caos primitivo e os seus filhos do degredo egípcio (51,9-10), ele poderá tirar os seus fiéis deportados do exílio babilônico, e o seu gesto salvador aparecerá como uma nova explosão de força criadora (41,17-20).

         Isto, tanto mais que a salvação não se destina exclusivamente ao povo de Israel, mas a todos os povos do mundo. Antes de criar Israel, Yaohu de todos, o Yaohu universal criou a humanidade (45,12); antes de fazer aliança com Abraão, fez aliança com Noé (54,9). Ele nunca esquece a totalidade dos homens, aqui designada por uma série de sinônimos: a humanidade ou os filhos de Adão, toda carne, a multidão, a que remonta à noite dos tempos (44,7); os povos; as nações; as cidades, os clãs; as ilhas longínquas; as extremidades ou os confins da terra. Todos esses povos, sem exceção, permanecem sob o império de Yaohu; eles estão na sua mão de Todo-poderoso, leves e frágeis a despeito da sua soberba (40,6-7.15-17; 51,6); estão diante do seu olhar de Juiz, que lhes lembra que o mal gera a infelicidade (47); são levados à escuta dos seus apelos de Salvador, que os convida todos à alegria da salvação (45,22-24; 55,3-5).

         Visões tão amplamente universais não anulam os privilégios de Israel: pelo contrário, os supõem. Aquele que é o absolutamente Santo (40,25) é também o Santo de Israel (mencionado doze vezes). Se, com efeito, o verdadeiro Yaohu é reconhecido por todos, é porque o é, de modo preeminente, em um povo-testemunha (43,10-12; 44,8), especialmente escolhido, chamado, enviado ao mundo. Esta comunidade crente invoca Abraão (41,8; 51,2), Jacó (43,27), Judá (48,1), David (55,3), e mesmo que não mencione Moisés nestes capítulos, recorda incessantemente a obra dele, o Êxodo, penhor da salvação vindoura e promessa para o povo – no presente, humilhado – de uma posteridade não apenas mantida, mas incessantemente ampliada. O ETERNO, com efeito, nunca cessou de ajudar os seus, de apoiá-los, de carrega-los, de suporta-los, de instruí-los, de guia-los, de associá-los ao plano de salvação que, contrariamente aos falsos deuses, só ele é capaz de anunciar e fazer triunfar.

         A constância que o ETERNO manifesta na realização do seu desígnio leva no Segundo Isaías um nome bem especial: sua justiça, vinte e oito vezes mencionada, quase sempre designando bem mais do que o aspecto favorável da justiça judicial ou do que a repartição eqüitativa garantida pela justiça distributiva: esta justiça aparece antes como a misericordiosa fidelidade segundo a qual Yaohu cumpre as suas promessas de salvação, tanto que justiça e salvação são praticamente identificadas (45,8.21; 46,13; 51,5.6.8).

         O fato de que Yaohu salva – repete-se isto vinte e duas vezes – dá testemunho do seu amor fiel e da sua solicitude constante, que é não somente a de um pastor ou de um rei (40,11; 41,21; 43,15; 44,6; 52,7), mas também e, sobretudo a de um pai pelos seus filhos (43,6; 45,10-11), de uma mãe pelos seus filhos (49,15-16), de um esposo pela sua esposa (54). Seu amor é tal, que ele suporta e supera o pecado humano, embora repetido e grave, e chega até a apagá-lo (43,25; 44,22) e perdoá-lo totalmente (55,7).

         A salvação outorgada por Yaohu apresenta dois aspectos: de um lado, Yaohu liberta, livra, alforria e, sobretudo resgata (cf. 41,14 e dezesseis outras passagens); por outro, Yaohu reagrupa e reconforta ou, se preferirmos, consola. É este verbo, primeira palavra da coletânea e nove vezes repetida, que deu tom à nossa obra, muitas vezes chamada de “Livro da consolação”. Tal reconforto traz mais do que a libertação da desgraça e do mal, mais do que o congraçamento de uma comunidade recobrando uma vida pacífica e boa; ele comporta, além disso, o reflexo, naqueles que dele se beneficiam, do próprio brilho de Yaohu. Este “brilho” divino é expresso pela palavra glória (sete vezes), que em hebraico significa primeiramente “peso”: o Deus que “pesa muito” dá a Israel o “ter muito peso”, graças a Yaohu, nos destinos do mundo (43,4), para finalmente manifestar a sua glória a toda carne (40,5). O mesmo brilho divino é também traduzido pela palavra esplendor, repetida cinco vezes, dizendo o profeta que Yaohu “ilustrou em Israel o seu esplendor” (44,23) e quer “através de Israel ilustrar o seu esplendor” (49,3). Ao longo do livro inteiro exprime-se o contraste entre o miserável trabalho dos artesãos que esculpem  laboriosamente ídolos, aos quais tentam em vão dar um “esplendor” humano (44,13) e, a obra deslumbrante do Criador, que vitoriosamente modela crentes aos quais comunica realmente o seu “esplendor divino”.

         Este é o rosto de Yaohu que o Segundo Isaías nos faz entrever. Diante desse Deus tão generoso para com os homens, estes últimos são convidados ao acolhimento e à ação de graças. Para suscitar o acolhimento, o profeta convida seus irmãos a voltar ao ETERNO (44,22; 55,7; etc.), a procura-lo (55,1), a freqüenta-lo (55,6), a ouvi-lo (cap. 48 etc.), a desfrutar sua revelação que alimenta mais do que o pão (55,2). Para estimular a ação de graças, o Segundo Isaías multiplica os invitatórios fervorosos, impelindo seus ouvintes a cantar a Yaohu (42,10), a louva-lo até a exaltação (41,16 e seis outras vezes), a aclama-lo (42,11 e onze outras vezes), a exultar (41,16; 49,13), a explodir de júbilo (54,1), a testemunhar júbilo e entusiasmo (51,3.11). Este concerto deve reunir não somente os exilados, mas todos os filhos de Israel, não somente os israelitas, mas todos os povos, não somente todos os povos da terra, mas a própria terra e todos os elementos do cosmo, o céu e os seus astros, o mar e as suas profundezas, para fazer ressoar o hino à alegria de um universo que celebre de maneira unânime o Yaohu que quer a coesão do mundo e a união da humanidade.

 

 

 

IV O TERCEIRO OU TRITO-ISAÍAS

 

A coletânea. Quando se passa de Is 40 – 55 a Is 56 – 66, descobrem-se semelhanças de pensamento e de vocabulário, mas também uma diferença de tom, expressões novas e diversidade maior entre as diferentes peças que compõem esses últimos capítulos. Eis por que os comentadores têm assumido em relação a eles três posições divergentes:

         - Alguns os consideram uma compilação, uma montagem artificial de trechos diversos quanto aos seus autores e às suas datas; esta explicação supõe que exista certa disparidade entre os poemas do nosso livrinho: com efeito, parece difícil atribuí-los todos a um mesmo autor; mas nem por isso se deve renunciar precipitadamente a descobrir relativa unidade entre os mesmos;

         - Outros pensam que os caps. 56 – 66 ainda provém do Segundo Isaías, retornado do exílio e enfrentando em Jerusalém os problemas da reinstalação na Terra Santa. Mas, por um lado, é pouco provável que o profeta se tenha plagiado a si mesmo, deformando os seus próprios achados (cf. 40,3 e 57,14; 52,12 e 58,8; 49,23 e 60,16; etc.), e por outro lado, as diferenças entre as duas coletâneas são ainda mais importantes que as semelhanças;

         - Outros biblistas, finalmente, acreditam que os onze últimos capítulos do livro de Isaías são em grande parte, senão na totalidade, a obra de um único e mesmo profeta, que se inspira no Segundo Isaías, e que exerce seu ministério em Jerusalém nos dois primeiros decênios subseqüentes ao fim do Exílio.

         A este Terceiro Isaías podem-se atribuir os capítulos 60 – 62, que apresentam grande coerência entre si; não há razão decisiva para recusar-lhe 56,9 – 57,21 nem 58, nem 59, nem 65, nem a maior parte de 66, ainda que estes dois últimos capítulos, intimamente aparentados, sejam por vezes considerados como um conjunto à parte. Os dois poemas que mais se sobressaem são 63,1-6 e 63,7 – 64,11; se talvez não provêm do nosso profeta, pelo menos foram cuidadosamente inseridos na sua obra, e o segundo corresponde bem às preocupações dele. Finalmente, é possível que 66,18-24 seja um apêndice devido a editores e que 56,1-8, quiçá pronunciado após a reconstrução do Templo (520-515), seja em trecho mais tardio que o resto, encaixado no início do livrete em razão dos seus contatos literários como o Segundo Isaias (56,5 lembra 55,13; 56,1 retoma 46,13 e 51,5.6.8).

 

 

         O profeta e o seu ministério. O profeta anônimo parece intervir entre os anos 537 e 520. Um primeiro grupo de exilados voltou, sob a direção do governador Sheshbasar, príncipe de Judá (Ed 1,8-11; 5,14; 1Cr 3,18 gr.). Lançaram-se as fundações do Templo (Ed 5,16), mas muito cedo, em razão das dificuldades internas e externas, interromperam-se os trabalhos; foi preciso contentar-se com restabelecer o altar, para nele recomeçar um culto sumário (Ed 3). Pouco a pouco voltam outras caravanas de exilados, uma delas com Josué, o sumo sacerdote, e Zorobabel, neto de Ioiakin, que sucede a Sheshbasar nas funções de alto comissário delegado pelo poder persa.

         Sob a autoridade desses homens, é uma comunidade heterogênea que, em Jerusalém e ao redor da cidade santa, tem de se reconstituir. Distinguem-se nela quatro elementos:

         1. Os judeus retornados do exílio (Ed 2; Ne 7); entre eles figuram muitos sacerdotes; pertencem na maioria às tribos de Judá, Simeão e Benjamin; devem enfrentar alguma dificuldade para reinstalar-se em territórios abandonados ou espoliados.

         2. Os judeus que haviam permanecido na terra: nas suas fileiras encontram-se seguramente fiéis, mas também idólatras que entendem muito mal o zelo (“ciúme”) religioso dos recém chegados; vários deles devem ter-se instalado em detrimento dos exilados e não estão dispostos a ceder os direitos de propriedade que estes últimos reivindicam. Esta dupla divisão (religiosa e social) aparece em numerosas passagens.

         3. Os estrangeiros: muitos haviam podido estabelecer-se na Judéia durante o Exílio; outros vêm trazer-lhes a sua mão-de-obra (60,10; 61,5); outros acompanham israelitas no momento da volta deles a Sião (cf. 60,9; 66,20). Em que medida esses estrangeiros, cada vez mais numerosos, poderão integrar-se ao povo de Yaohu?

         4. Os judeus que permaneceram na diáspora, os que estão longe (57,19), mas para os quais é preciso manter desimpedido o caminho da volta (57,14; 62,10), os que o ETERNO ainda quer congregar em torno dos privilégios que já reagrupou  (56,8).

         A partir desses diversos elementos, o profeta quer refazer um povo unido e santo. Mas choca-se com quatro dificuldades maiores:

         - uma crise da esperança do povo, provocada pelo retardamento da salvação;

         - uma depravação tenaz: o culto aos ídolos;

         - uma divisão do povo exacerbado pelas circunstâncias: o ódio entre irmãos;

         - um risco agravado pela conjuntura: o menosprezo aos estrangeiros.

         A crise da esperança provém da desilusão que se opera dos repatriados: os muros de Jerusalém continuam arrasados, esperando por... Neemias (445-433); o Templo não saiu do esboço e só será reconstruído – menos belo que antes – entre 520 e 515; as condições de vida são penosas, em razão dos entraves externos (da parte dos samaritanos) e internos (da parte dos que haviam ficado na terra). Tendendo ao desânimo, os fiéis, em meio a tantas provações, dirigem ao ETERNO uma série de recriminações indefinidamente repetidas no tocante ao adiamento da salvação e à aparente inércia do ETERNO. Para calar essas queixas, o Terceiro Isaías por uma parte denuncia o pecado, obstáculo à vinda da salvação, e por outra, reafirma a fidelidade de Yaohu, fonte infalível desta salvação.

         O profeta quer, além disso, converter os idólatras, que buscam apoio nos falsos deuses e se entregam a práticas depravadas, como: sacrificar humanos, prostituição sagrada, uso de animais impuros para o culto (65,4; 66,3.17), necromancia (65,4), veneração de Mélek/Moloc (57,9), ou de outras pretensas divindades como Gad e Meni (65,11). Para desvia-los das suas aberrações, o Terceiro Isaías brande duas ameaças: a impotência dos falsos deuses, incapazes de salvar, e o poder do verdadeiro DEUS –, [QUE, AGORA, CONHECEMOS O SEU NOME PRÓPRIO – YAOHU. “Não deixando nada a desejar as concupiscências da CARNE que pra ídolos mortos dão a todos, nomes próprios...! E, para um Deus único, Criador, Salvador, Eterno, Onipotente, Onisciente, Onipresente, só deram “TÍTULOS” – (Alguns – Nobres), outros, Falsos; Blasfemos; etc. Pára não falar um nome Santíssimo...”. E, como fica a oração que O UNGIDO NOS ENSINOU: Mateus 6,9: Portanto, vós orareis assim:

         Pai nosso, que estais nos céus,

         Santificado seja o “TEU NOME”; .....

         O nome de Deus – YAOHU – Tem que ser santificado e não escondido – usando em vez disso, trocadilhos blasfemos e etc. Se descordam da minha opinião; então por que cada ídolo morto feito pelas mãos de homens têm seu nome Próprio e é venerado como tal??? Yaohu é o NOME DO DEUS VIVO. ANSELMO ESTEVAN.], cujo julgamento é inevitável!

         Os que rompem a aliança com o seu Deus – Yaohu rompem-na automaticamente com os seus irmãos: com efeito, quantas divisões na população judaica! Observam-se ali governantes incapazes que praticam a extorsão (56,8 – 57,1); pessoas que exploram o seu próximo; brutalidades, recusas de ajuda mútua, violações da justiça, exclusões arbitrárias etc. Vigorosamente, o profeta denuncia esses delitos e mostra a incompatibilidade deles com um culto que se quer autêntico (cap. 58 etc.).

         Se com tanta freqüência assim se trata o irmão israelita, como será a conduta para com o hóspede estrangeiro? Em relação aos descendentes de nacionalidade estrangeira, os caps. 56 – 66 do livro de Isaías manifestam posturas diferentes:

         - algumas passagens pedem o aniquilamento das nações que se obstinassem no mal (cf. 63,3-6 e 66,15 – 16,24; mais 69,18c e 60,12, que provavelmente são glosas);

         - outras páginas mostram as nações a serviço de Jerusalém (60,3-11.13-17; 61,5-9; 62,2-8; 66,12);

         - contudo, os problemas mais candentes surgem a propósito da eventual admissão do estrangeiro no grêmio do povo de Yaohu; esses não-judeus temem ser discriminados (56,3), mas os oráculos de Is 56 – 66 lhes abrem belas perspectivas: os filhos de Israel devem não somente assistir a qualquer errante em dificuldade (58,7), mas, além disso, admitir no seu Templo os estrangeiros convertidos (56,3-7) e até talvez considerar a possibilidade de vê-los ascender ao sacerdócio (66,21).

 

 

         O rosto de Yaohu. Ao ouvir formular todas essas exigências divinas, já adivinhamos os traços do rosto de Yaohu esboçado pelo Terceiro Isaías.

         Ele nos lembra de passagem (enquanto o Segundo Isaías sublinhava isto longamente) que o ETERNO é o incomparável (64,3) e o eterno (57,15). Que ele é o criador, o nosso profeta também no-lo repete, porém mais raramente que o seu predecessor: sabe-se que Yaohu fez todos os seres (66,2), acrescenta, sobretudo – e isto é importante – que o ETERNO vai criar céus novos e uma terra nova (66,17; cf. 66,22 – Maranata, é isso que espero meu Yaohu – Anselmo Estevan, 2.010); alhures especifica que Yaohu cria o louvor dos corações convertidos (57,19) e uma nova Jerusalém (65,18).

         Criador de tudo, o ETERNO é o Yaohu de todos. Vimos acima à atitude de acolhimento universal que Yaohu prescreve aos seus em favor dos estrangeiros. Ele inspira ao seu profeta que favoreça o universalismo enfatizando a responsabilidade pessoal: não são todos os filhos de Israel indistintamente que, pelo simples fato de pertencer ao povo escolhido, serão seguramente salvos; entre eles figuram fiéis, mas também ímpios. Se o fato de ser israelita não é garantia de salvação, o fato de ser não-israelita também não barra acesso a ela. Pelo contrário, o ETERNO chama a si todos os povos (56,7; 66,18).

         O congraçamento das nações deve-se fazer graças a Israel, cujos privilégios são mantidos. Aquele que é absolutamente o Santo (57,15) permanece o Santo de Israel (mencionado duas vezes, em 60,9.14). Sem dúvida, Israel-Jacó, enquanto povo, não é mais interpelado nos caps. 56 – 66, ao passo que o fora dezessete vezes no Segundo Isaías; sem dúvida, o termo eleitos figura sempre no plural, para designar os crentes em oposição aos apóstatas, enquanto no singular ele designava o povo eleito, no Segundo Isaías; mas outras expressões lembram as predileções divinas pela posteridade de Jacó e de Judá (65,9), pela nação dirigida por Moisés (63,11 – 12) e que permanece para sempre o povo de Yaohu, sua parte escolhida, seu herdeiro, tendo por capital Jerusalém destinada a tornar-se a metrópole religiosa do mundo.

         Equipando o seu povo para uma missão universal, Yaohu testemunha assim um amor absolutamente fiel (65,16), o do único Pai verdadeiro (63,8.16; 64,17), dotado de atenções profundamente maternais (66,13). Cheio de compaixão (63,9). Chega a perdoar, esquecendo e curando o mal cometido (57,16-18; 64,8). Para salvar, ele resgata, reconforta ou consola e reagrupa, dando a seus amigos a sua glória e o seu esplendor. Fazendo isto, manifesta a sua justiça, isto é, a sua fidelidade absoluta às suas promessas, inquebrantavelmente mantidas a despeito do pecado dos homens. A esses temas já encontrados no Segundo Isaías, o Terceiro acrescenta com insistência o do julgamento de Yaohu, que se exerce fatalmente, em detrimento dos maus (estrangeiros ou mesmo israelitas) e em vantagem dos bons (israelitas ou mesmo estrangeiros). Com efeito, o ETERNO entra em julgamento não somente em favor de Israel, mas com Israel; não somente com Israel, mas com todas a nações do mundo, e a sua sentença universal será decisiva e definitiva (66,16.24).

         Diante desse Deus – Yaohu fiel para amar, poderoso para salvar, infalível para julgar, os homens têm de tomar posiçãopara sua infelicidade se o recusam, para a sua alegria se o acolhem. Seu acolhimento supõe conversão, louvor jubiloso, mas também obediência pressurosa: enquanto o Segundo Isaías só falava uma vez do Temor do ETERNO, o Terceiro Isaías o menciona quatro vezes; outro traço original, que só tem paralelo no livro de Esdras: o profeta convida seus ouvintes a tremer (de zelo) à palavra de Yaohu (66,2-5). Este serviço do ETERNO traz consigo uma boa conduta moral e requer também uma grande fidelidade cultual: no Terceiro Isaías, o Templo é mencionado doze vezes, a montanha santa cinco vezes, e os termos que indicam atos de culto são muito numerosos (o sábado, três vezes; o sacerdócio, o altar, os sacrifícios, os jejuns). É que, segundo o nosso profeta, moral e religião são inseparáveis: seria tão vão pretender amar o próximo sem amor a Yaohu, quanto pretender amar a Yaohu sem amar o próximo.

 

V. O LIVRO DE ISAÍAS NA TRADIÇÃO BÍBLICA

 

Finalmente, o livro de Isaías, com todas as partes que o compõem, entrou no cânon dos livros proféticos como uma única obra. A partir daí, ele inicia uma nova história. Da descoberta, em Qumran, de vários fragmentos e de um rolo inteiro do livro de Isaías (que denominaremos o principal ms. de Qumran), podemos concluir que para os membros da comunidade essênia, que se consideravam o verdadeiro Israel, o resto fiel, Isaías representava todo um programa. Com o texto do principal manuscrito de Qumran, é nos restituído o mais antigo manuscrito bíblico, mais de mil anos anterior ao texto masorético: ele apresenta, em relação a este último, variantes bastante numerosas. O interesse suscitado pelo livro de Isaías nos meios judaicos aparece também na tradução grega chamada a Septuaginta: esta por vezes apresenta um texto tão diferente do texto hebraico que se deve ver nela, mais do que uma tradução, uma adaptação. É, todavia útil à medida que da acesso ao texto hebraico do qual ela surgiu, e tem também o seu interesse como testemunha de uma releitura de Isaías pela comunidade judaica Alexandrina.

         Juntamente com os Salmos, o livro de Isaías é aquele do qual o NT tirou mais citações, sendo algumas delas explícitas, ao passo que outras são reminiscências bem perceptíveis. É sabido que o anúncio do nascimento do Emanuel em 7,14 é retomado em Mt 1,22-23. Segundo os evangelistas, o ensinamento das parábolas tem por efeito endurecer os ouvintes (Mt 13,14; Mc 4,12; cf. Is 6,10). Imagens importantes como as da vinha ou da pedra angular são freqüentes no NT. O culto dos lábios oposto à obediência do coração (Mt 15,8 e Is 29,13), o escurecimento dos astros nos quadros que descrevem os últimos tempos (Mt 24,29 e Is 13,10), os temas do ramo, da cepa e, sobretudo do servo, têm ajudado os leitores cristãos a compreender (Christós): “O UNGIDO”, a partir do livro de Isaías e a se compreender a si mesmo como o POVO DE YAOHU, sempre confrontado com as promessas de renovação e a iminência do juízo. Poder-se-ia também falar do lugar de Isaías na iconografia e na hinologia: os portais das catedrais, as iluminaras dos livros de piedade, o hinário cristão reeditam todos, à sua maneira, o livro de Isaías, tanto é verdade que no decurso da história raramente a revelação foi mais bem expressa e a fé, mais interpelada do que por esta extraordinária testemunha de Yaohu!

 

 

 

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE ISAÍAS:

 

 

         ISAÍAS.

Pontos fortes e êxitos:

         É considerado o maior profeta do Antigo Testamento.

         É mencionado no mínimo cinqüenta vezes no Novo Testamento.

         Transmitiu mensagens poderosas de juízo e também de esperança.

         Desempenhou um ministério consistente, embora quase não recebesse resposta positiva por parte de seus ouvintes.

         Seu ministério estendeu-se durante o reinado de cinco reis de Judá.

 

 

         Lições de vida:

         A ajuda de Yaohu é necessária para confortar as pessoas que estão efetivamente lutando contra o pecado.

         Um dos resultados de experimentar o perdão é o desejo de compartilhar esse perdão com os semelhantes.

         Yaohu é pura e perfeitamente santo, justo e amoroso.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Jerusalém.

         Ocupações: Escriba e profeta.

         Familiares: Pai – Amós; filhos – Sear-jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

         Contemporâneos: Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, Manassés e Miquéias.

 

 

 

         Versículo-chave: “Depois disso, ouvi a voz de Yaohu, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então, disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6,8).

 

 

 

         A história de Isaías é contada em 2 Reis 19,2 – 20,19. Ele também é mencionado em 2 Crônicas 26,22; 32,20.32; Mateus 3,3; 8,17; 12,17-21; João 12,38-41; Romanos 10,16.20.21.

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

JEREMIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autores: Jeremias e Baruque, seu aluno e/ou escriba.

         Propósito: Lembrar aos exilados os motivos de suas provações e garantir-lhes que, ao se arrepender, o povo de Yaohu voltaria para a Terra Prometida com grandes bênçãos.

         Data: 580-539 a.C.

         Verdades fundamentais:

         O exílio na Babilônia foi merecido, pois o povo de Judá e Jerusalém persistia no pecado.

         O templo em Jerusalém não protegeria os habitantes de Judá do julgamento de Yaohu contra eles por sua hipocrisia.

         O povo devia recusar os falsos profetas que proclamavam paz e segurança e aceitar a mensagem dos verdadeiros profetas.

         A decisão divina de mandar o seu povo para o exílio seria seguida de restauração maravilhosa sob uma nova aliança.

 

 

 

         Propósito e características

         As fases da mensagem de Jeremias não correspondem exatamente à estrutura do livro.

         (1) Ele chamou Judá a se arrepender a fim de evitar o julgamento que, de outro modo, certamente lhe sobreviria (p. ex., 7,1-15).

         (2) Anunciou que o tempo de arrependimento havia passado e que a decisão divina contra o povo já havia sido tomada (19,10-11). O julgamento é o tema dominante do livro, sendo entendido como invocação da maldição mais grave da aliança, ou seja, a perda da Terra Prometida (Lv 26,31-33; Dt 28,49-68).

         (3) O ETERNO salvaria o seu povo, ou um remanescente do mesmo, por meio do exílio (24,4-7). Os babilônios prevaleceriam sobre Judá segundo a ordem do ETERNO, mas só por algum tempo. A Babilônia também cairia (25,9.11-12), o que isto de fato ocorreu em 539 a.C., quando os babilônios foram derrotados por uma coalizão de persas e medos sob o comando de Ciro, preparando o caminho para a volta dos exilados (50,3; 51,1.27-28; 2Cr 36,20-23). Essa foi a resposta de Jeremias aos falsos profetas que contestavam a sua mensagem de julgamento (28,2-4).

         Jeremias também anunciou uma mensagem de salvação, dirigida apenas àqueles que sobreviveriam ao julgamento (29,11-14). Essa mensagem se consolidou na profecia da nova aliança (31,31-34). Que é estruturada em torno dos elementos principais da aliança mosaica no Sinai.

 

 

 

CHRISTÓS – “O UNGIDO” –, EM JEREMIAS.

(Yaohushua):

 

         A mensagem de Jeremias antevê O UNGIDO principalmente na certeza de restauração do exílio expressada pelo profeta. Ao mesmo tempo em que deixa clara a iminência do exílio, Jeremias também mostra que depois do mesmo o povo de Yaohu entrará num novo período da aliança repleto de bênção de Yaohu. O SALVADOR é o ETERNOYAOHUYAOHUSHUA da nova aliança (Lc 22,20; Hb 8,8; 9,5; 12,24), o filho de Davi e o Sacerdote que deu início às maravilhas dos últimos dias com o seu ministério aqui na terra. Nos dias de hoje, ele continua realizando esta obra de restauração que será completada quando ele voltar em glória Mt 4.

 

 

 

         JEREMIAS.

         1. A solidão do homem da Palavra. Ao leitor do livro que traz o seu nome, Jeremias se apresenta como um grande solitário. “Eu fico à margem”: são estes os termos que ele usa para caracterizar seu relacionamento com a sociedade (15,17). Incompreendido e perseguido, desamado por aqueles que mais deveriam apoiá-lo e encorajá-lo, os membros de sua família (12,6; 20,10), ele não está com eles quando celebram um casamento, nem quando choram um morto (16,5-9). Nunca chegará a conhecer o reconforto e a responsabilidade da vida conjugal e nunca chegará a ser pai (16,1-4). Preso, brutalizado, arrastado contra a vontade para o Egito, acabará seus dias numa terra longínqua e nenhum vestígio restará de sua tumba.

         Entretanto, estamos muito bem informados sobre sua vida interior. Sabemos que essa solidão de modo algum, correspondia a uma disposição natural de sua parte. Foi-lhe imposta por uma força externa que o violentava, agredia, invadia, prendia, exigindo uma adesão total à sua vontade e que tinha necessidade de sua solidão como de um meio para agir no seio do povo de Judá. Essa força implacável era a Palavra de Yaohu. Nenhum profeta evoca a Palavra de Yaohu e sua maneira de agir com tamanha e dolorosa exatidão quanto Jeremias. “A Palavra do ETERNO veio a mim” – é uma fórmula freqüente em Jr, que introduz e qualifica seu discurso (cf. 1,2). “Ao encontrar tuas palavras, eu as devorava” (15,16); {faço de Jeremias, minhas palavras: ACHADAS AS TUAS PALAVRAS, LOGO AS COMI; AS TUAS PALAVRAS ME FORAM GOZO E ALEGRIA PARA O CORAÇÃO, POIS PELO TEU NOME SOU CHAMADO, Ó “YAOHU”, DEUS DOS EXÉRCITOS”.}; embora elas o alegrem (15,16), seu feito é freqüentemente devastador: “Todos os meus membros estremecem, torno-me como um bêbado, um homem tomado pelo vinho, por causa de tuas palavras” (23,9). Esta palavra de provação, “parecida com o fogo, com uma marreta que pulveriza a pedra” (23,29; cf. 5,1 e nota) onde, na qualidade de profeta, tem o direito de entrar. Além do mais, o ETERNO a põe em seus lábios (1,9), velando sobre ela (1,12), para fazer dela um fogo que devore o povo recalcitrante (5,14). Às vezes, a Palavra parece abandona-lo, torna-se rara e lhe impõe longos dias de espera antes de voltar a comunicar-se (42,7). Na vida desse homem a Palavra tornou-se o fator-chave, o centro incômodo, desmancha-prazeres e ao mesmo tempo razão de ser, uma espécie de déspota imprevisível que, aparentemente, o aliena de si mesmo e de seus semelhantes para, de fato, mergulha-lo no centro mesmo da realidade.

         É compreensível, então, que Jeremias tenha tido de fazer um esforço constante para assumir essa Palavra e para se assumir diante dela. Encontramos indícios disso nos numerosos diálogos que balizam o livro e nos quais o profeta discute asperamente com Yaohu sobre o sentido de sua existência de profeta. Os mais célebres são, sem dúvida, aqueles que os exegetas modernos denominam as “confissões de Jeremias” (11,18-23; 12,1-6; 15,10.15-20; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-13.14-18). Nelas o profeta se queixa amargamente de seu isolamento, de sua “alienação”, da insignificância de sua condição, mas a resposta é que essa condição é inelutável e faz parte de sua missão profética. As “confissões” não são, contudo, os únicos diálogos entre Jeremias e seu Deus – Yaohu. Outros podem ser encontrados no começo do livro: a cena de sua vocação, quando o jovem Jeremias tenta em vão esquivar-se ao domínio da Palavra (1,4-10), e as visões iniciais, constitutivas de seu ministério (1,11-14), bem como a passagem em que o profeta é levado a reconhecer o bem-fundado do veredicto divino relativo à situação da sociedade de Judá (5,1-6), e aquela em que ele tenta em vão fazer cessar uma seca que devasta a terra (14,1 – 15,9). Nestes diálogos, a palavra do homem confronta-se com a Palavra de Yaohu, e é sempre esta que triunfa. Sejam quais forem as circunstâncias históricas de seu desenvolvimento – não é fácil penetrar a psicologia da experiência profética –, esses diálogos testemunham que a Palavra de Yaohu era uma preocupação constante de Jeremias.

 

         2. A autenticidade da vocação profética. De todos os problemas que afetavam tal existência, o pluralismo das convicções proféticas era um dos mais dolorosos. Jeremias não era, de fato, o único que falava em nome do ETERNO. O próprio livro de Jeremias nos informa sobre a atividade de homens que, ao mesmo título de Jeremias e ao lado dele, reivindicavam o estatuto e os privilégios próprios de um profeta: Uriáhu ben Shemaiáhu (26,20-24), Hananiá ben Azur (cap. 28), Ahab ben Qolaiá e Sidqiá ben Maaseiá (29,21), e outros, profetas anônimos, mencionados em inúmeras passagens (2,8.26.30; 4,9; 5,13.31; 6,13-14; 26,7-16; 27,16-18), interpelados (23,9-40) ou citados por Jeremias (14,13), talvez até com aprovação (cf. 4,10 nota); alguns inclusive encontravam-se entre os deportados para Babilônia (29,1).

         Os textos nos indicam em particular que, de início, Jeremias não pretendia absolutamente destacar-se de seus colegas profetas (cf. 14,13-16; 28,6-9; também 29,1), nem via motivos para qualifica-los de “falsos profetas”. Encontramo-nos aqui em presença de um aspecto particularmente delicado da solidão de Jeremias. Exceto uns critérios morais de aplicação delicada (23,14.17.22; 29,23), ele praticamente não dispunha de critérios objetivos que lhe permitissem distinguir o verdadeiro do falso, privilegiar sua mensagem em relação à mensagem de muitos outros, que defendiam a sua com tanta convicção quanto ele,  a dele (cf. porém 28,8). Afinal, ele próprio podia errar, como o podia Hananiá, seu concorrente (28,6-9), ainda mais porque a opinião deste coincidia com a da grande maioria dos chefes políticos e militares (cf. a seguir, § 4b).

         A questão da autenticidade e do sentido de sua vocação singular põe-se assim no centro de seus colóquios com Yaohu. Se Yaohu é inspirador das mensagens, por que elas não são unânimes? Se Yaohu enviou Jeremias, por que Jeremias é o único a proclamar uma verdade que só ele aceita como tal (o destino de um homem como Uriáhu, cf. 26,20-24, profeta assassinado por Joaquim, não era capaz de reconfortar Jeremias)? Se Yaohu credenciou seu profeta, por que ele sofre sevícias por parte daqueles que deveriam alegrar-se ao saudar nele um confrade ou o representante qualificado daquele que veneravam como Mestre? Está em jogo a identidade, a pertinência da revelação.

         Jeremias não esconde sua confusão. No que diz respeito ao seu ministério, ele não é consciente de ter cometido erros. Por acaso não assimilou fielmente a Palavra, não a “comeu” (cf. 15,16)? Não foi sempre absolutamente sincero (17,16b)? Não intercedeu por seus semelhantes, até mesmo por seus adversários, como o faz todo verdadeiro profeta (18,20; cf. 14,13; 17,16)? Por que, então, conhece a triste sorte de um solitário, de um inadaptado, um eterno revoltado?

         A resposta de Yaohu, peremptória, não oferece nenhuma justificação. Todas as suas desgraças são previstas por Yaohu e irão mesmo se agravar (12,5); o mensageiro contestado nada pode, a não ser refazer-se e seguir caminho (15,19-21), empenhando a própria pessoa em tornar seu discurso ainda mais incisivo (15,19). No que diz respeito aos outros profetas, o ETERNO, que não os credenciou (14,14-16), denuncia-lhes a impostura (23,16). Para dissipar as dúvidas que assolam a alma do profeta, resta somente a absurda certeza de que é realmente o Yaohu vivo que lhe fala.

         Jeremias não viverá o bastante para saber que, uma vez acontecida a catástrofe que ele anunciara, os judeus iriam refletir sobre seu destino: alguns teólogos precavidos iriam colecionar não somente os oráculos dele, mas também as tradições relativas a seu ministério; ele terminará por ser considerado um profeta autêntico do ETERNO (cf. infra § 5).

 

         3. Dados biográficos. Comparadas com esse conflito fundamental, as circunstâncias externas da vida do profeta apresentam um interesse apenas secundário. Aliás, elas são pouco conhecidas, e as conclusões que podemos tirar de alguns dados são, na maioria dos casos, conjeturais.

         De acordo com 1,1, o profeta era originário de Anatot, pequena aldeia nos arredores de Jerusalém, onde sua família possuía algumas propriedades (cap. 32; cf. 37,12), e era membro de uma família sacerdotal. Chegou-se a deduzir que Jeremias fosse parente longínquo do sacerdote Ebiatar de Shilô, exilado em Anatot por Salomão (1Rs 2,26-27), e que a formação religiosa recebida na família paterna, as lembranças ancestrais e a proximidade das fronteiras do extinto reino do Norte teriam moldado o estilo e o conteúdo de sua mensagem. Mas nada é mais incerto.

         De acordo com 1,2, Jeremias foi chamado a ser profeta em 626, quando era “ainda jovem” (1,6). Estas duas indicações biográficas sugerem que ele teria nascido por volta de 650-645. Contudo, não se exclui que o número mencionado em 1,2 (e repetido em 25,3) baseie-se numa tradição tardia a respeito da data da vocação de Jeremias e que esta se situe com maior probabilidade por volta de 609-608. Isto significa que várias hipóteses relativas aos primeiros anos de seu ministério profético repousem sobre fundamentos um tanto frágeis: Jeremias teria saudado com alegria a reforma de Josias em 622; ele teria chegado a colaborar ativamente nesse empreendimento, através da pregação (cf. 11,1-14); por comportar a supressão de todos os santuários, exceto o de Jerusalém, esta reforma arriscava prejudicar os interesses vitais dos sacerdotes que neles serviam, o que explicaria a hostilidade da família do profeta (11,18-22), mais tarde, constatando os escassos resultados da reforma de Josias, que ficou sem perspectivas para o futuro, o profeta teria fustigado, com ardor redobrado, a infidelidade dos judaítas. Todas essas hipóteses são pouco convincentes, não só porque a base cronológica é fraca (isto é, a vocação de Jeremias em 626), mas também porque o livro não menciona de forma alguma essa famosa reforma de Josias (que é elogiado por outras virtudes, cf. 22,15-16) e porque os resíduos do vocabulário e do pensamento deuteronomista, que se percebem em 11,1-14 e que caracterizam o conjunto do livro, admitem uma interpretação diversa (cf. a seguir § 5); e, sobretudo, porque a oposição à mensagem de Jeremias é motivada, de acordo com o próprio testemunho dele, não por eventuais conseqüências materiais da reforma de Josias por ele divulgada, mas pela irrupção desconcertante e até revoltante da palavra de Yaohu por meio de Jeremias (cf. 11,21 e as outras “confissões”).

         É mister reconhecer que dispomos de menos informações sobre o início do ministério de Jeremias do que desejaríamos. Em compensação, alguns incidentes posteriores nos são relatados com muitos detalhes, na segunda parte do livro. Em 608, vemo-lo pronunciar um discurso, junto à entrada do templo, que o coloca numa situação muito difícil (cap. 26; cf. 7,1 – 8,3). Em 605-604, ele elabora uma primeira edição de seus oráculos, conservados até então unicamente em sua memória – e, talvez, na memória de alguns de seus ouvintes [cap. 36]. Em 594, Jeremias discute com outros profetas {caps. 27 – 28} e, pouco tempo depois, envia aos exilados em Babilônia uma carta decisiva para a evolução espiritual da diáspora judaica (cap. 29). Finalmente, as disputas com o rei Sedecias e seus funcionários durante o sítio de Jerusalém em 588-587 e sua atividade junto aos sobreviventes depois da queda da cidade são objeto dos caps. 32 – 35 e 37 – 44. Vale a pena frisar que essas informações, embora detalhadas, não constituem uma verdadeira biografia do profeta – a própria posição no texto desafia a exatidão cronológica –; elas representam apenas uma série de exemplos que ilustram a ação da Palavra na existência profética no meio de um povo que atravessa o período mais difícil de sua história.

 

         4. O ministério da Palavra no decorrer dos anos.

         A solidão que caracteriza o ministério de Jeremias desde o começo não é apenas o produto de uma experiência religiosa que o singulariza; ela é fruto do conteúdo da mensagem a ele confiada. Essa mensagem defronta constantemente os judeus com o nada, com o abismo do não-ser da comunidade e da criação (cf. 4,23-26). A solidão de Jeremias possui uma dimensão política, pois o ser ou o não-ser de todos depende da aceitação ou da rejeição de sua mensagem. Se sua solidão se prolongar e os judeus se obstinarem recusando escuta-lo, o profeta será efetivamente o único a sobreviver ao desastre universal. Ao contrário, se encontrar audiência, o desastre será evitado, ou, ao menos, atenuado, abrindo-se uma nova perspectiva de bem-estar. A mensagem contestatária de Jeremias exige imperativamente escolhas radicais. Pare ele, como para a maioria dos profetas, a Palavra é necessariamente palavra total, envolvendo todos os aspectos, pessoais e comunitários, da vida humana.

         Podemos identificar três períodos no ministério de Jeremias.

         a) O primeiro vai desde a vocação (data incerta) até aproximadamente 605, ano da batalha decisiva de Karkemish. Sob o reinado de Josias, morto em 609, Judá vive, primeiro, um período de calma, caracterizado por certa prosperidade. A Assíria deixou de dominar o mundo, e Judá goza de uma ampla liberdade, da qual Josias tira proveito para ampliar o território e promover todo tipo de reforma. Depois de sua morte, a região gravita, durante alguns anos, na órbita dos egípcios, sem, porém sentir tal jugo como particularmente duro. Trata-se, para Judá, de anos relativamente pacíficos, excetuando a escaramuça – se realmente houve uma! – de Meguido, fatal apenas para Josias (cf. 2Rs 23,29). É justamente durante esses anos que Jeremias é obrigado a anunciar uma mensagem completamente estranha: através de poemas dotados de extraordinário poder evocador, ele descreve a chegada de um exército invencível que, vindo do norte, vai se abater sobre Jerusalém e Judá (cf. especialmente caps. 4 – 6), exército implacável, que não deixaria nenhuma esperança aos vencidos – a menos que estes se convertessem a Yaohu antes que fosse tarde. Jeremias sabe que a inverossímil advertência que ele é encarregado de dar aos seus conterrâneos não tem chance de encontrar reação favorável. O povo e seus dirigentes estão demasiadamente seguros de si, convictos de que suas instituições são inabaláveis, destinadas a durar para sempre (cf. 18,18; 8,8). Em caso de necessidade, eles terão sempre como último refúgio o templo e sua secular inviolabilidade (cf. 7,4.10). Além disso, depois de uma sondagem cuidadosa junto às diversas classes da população, Jeremias deve render-se à evidência: o povo todo, dirigentes e súditos, exploradores e explorados, está corrompido (cf. 5,1-6), irremediavelmente perdido – um negro pode por acaso mudar de pele? Uma pantera, de pêlo? E os judaítas, acostumados a praticar o mal, poderiam praticar o bem (13,23)? – Essa mensagem, contudo, sem nuanças (é tudo ou nada), não será levada a sério. A reflexão do profeta é abstrata demais, ela não casa com a realidade, que nunca é totalmente preta ou totalmente branca, e sim, sempre um pouco preta e um pouco branca. O que ele fala paira nas esferas nebulosas de um conhecimento de Yaohu em flagrante contradição com aquilo que a tradição ensina – pois Yaohu é um Deus próximo, familiar (cf. 23,23), que não abandona os seus. O gesto eloqüente do rei Joaquim que, imperturbável, destrói, pedaço por pedaço, o rolo que contém esses textos inacreditáveis, expressa bem o fracasso da pregação de Jeremias durante todo esse primeiro período de seu ministério (cap. 36).

         b) O segundo período, que vai de 605 a 587, desde a ascensão de Nabucodonosor ao trono à destruição de Jerusalém, é, sob muitos aspectos, o mais significativo no ministério de Jeremias. Suas profecias relativas a uma invasão militar, de repente, se realizam. Repetidamente, o rei dos babilônios invade com seus exércitos vitoriosos a Síria e a Palestina, decidida a impor sua vontade a todos os pequenos estados que encontra no caminho. A independência de Judá acabou. Mesmo assim, os responsáveis pela sua política não chegam a um entendimento sobre as medidas a tomar.

         A maioria opta decididamente por uma política voltada a reconquistar a independência; pensa-se numa aliança com o Egito, sempre disposto a manter os babilônios a boa distância, e com os vizinhos pequenos, igualmente ameaçados pelo avanço dos babilônios. Esta dura política goza do manifesto apoio do chefe de estado, o rei davídico.

         Uma minoria, contudo, está disposta a se acomodar à tutela babilônica, na esperança de conservar certa autonomia no âmbito do império de Nabucodonosor. Os nomes de vários membros eminentes do partido favorável aos babilônios foram conservados graças ao livro de Jeremias: Ahiqâm, poderoso protetor de Jeremias (26,24), seu filho Godolias, que será nomeado governador da província, após a queda de Jerusalém, e Baruk ben Neriá, a pessoa que ajudou Jeremias a editar seus oráculos. Seria errado considerar Baruc como um simples “escriba”, um personagem de segunda monta a serviço de Jeremias, uma espécie de estenógrafo que teria estado à disposição do profeta para facilitar sua tarefa. Baruc era, ao contrário, um sofer, isto é um secretário de estado, um alto funcionário então, quase um chanceler, portanto uma personalidade de destaque, assim como o seu irmão Seraiá, que se tornará chefe de distrito na administração babilônica (cf. 51,59). Aliás, o prestígio de Baruc era tal que era considerado como uma das lideranças do partido pró-babilônio e como o verdadeiro instigador dos oráculos de Jeremias (43,3).

         A alternativa política se apresenta em termos extremamente claros: ou se aposta na liberdade – ou algo parecido, já que o Egito estará pouco disposto a se retirar depois de ter auxiliado Judá –, sob o risco de perder tudo em caso de derrota; ou se aceita a integração no sistema político dos babilônios.

         Sem querer, Jeremias se vê envolvido nessas discussões. A sua posição é clara: é necessário aceitar a supremacia de Babilônia. Não por oportunismo (Jeremias não é um político), mas porque essa é à vontade de Yaohu. Aquilo que Yaohu deseja não é um estado judaíta independente e forte, com o poder firmemente assentado nas mãos de uma dupla hierarquia, civil e religiosa, e sim, um povo que lhe seja fiel, que responda ao seu apelo paterno (cf. já 3,22 – 4,4), preocupado em defender o direito e em viver na harmonia (cf. 22,13; 23,5-6 e já 5,1-3). Na opinião dele, o partido favorável à independência caracteriza-se pelo desprezo de todos os valores que agradam ao ETERNO, sendo o rei o principal responsável (22,13-17). É por causa disso que Yaohu decretou o fim do Estado. Ele pensa num projeto completamente novo: no seio do império babilônico, Yaohu se propõe criar, com aqueles que se submetem a seu julgamento, uma comunidade renovada, que não procure mais a própria glória, mas desejosa de atender ao bem estar de todos, já que a prosperidade dos outros é a condição da sua (29,5-7). Esta comunidade conhecerá finalmente, após a volta feliz à terra dos ancestrais, uma maravilhosa interiorização dos compromissos outrora assumidos com o ETERNO, a tal ponto que não será mais necessária nenhuma hierarquia mediadora entre Yaohu e os homens (31,31-34). Esta mensagem supera a visão de 3,15 e 23,6, conforme a qual o ETERNO dirigiria o seu povo com a ajuda de pessoas totalmente consagradas a ele; ela divisa a total realização da Aliança da Jerusalém celeste.

         c) O terceiro período do ministério de Jeremias começa depois de 587, isto é, depois da catástrofe de Jerusalém. Período cuja importância é freqüentemente subestimada, porque se esquece que, apesar das deportações efetuadas pelos babilônios (envolvendo apenas algumas camadas da população) a maioria dos habitantes ficou em Judá. No meio dessas massas sem rumo, iam aparecendo três tendências. Uma delas, sustentada pelas lideranças do antigo partido pró-babilônico, em particular por Godolias, visava reconstruir o país sob a égide babilônica. Jeremias pertencia a esse grupo. Outro grupo, dirigido por Iishmael, homem sem escrúpulo e que contava com o apoio do rei amonita, pretendia continuar a luta, praticando atos de terrorismo (cf 41,10). Finalmente, um terceiro grupo, animado por um certo Iohanan ben Qarêah, preferia expatriar-se para o Egito. Contrariando um oráculo de Jeremias que desaconselhava essa conduta, este grupo realizou os seus projetos, levando consigo o profeta, cujo rastro se perde no longínquo Egito.

 

         5. A formação do livro. As grandes articulações do livro de Jeremias são bastante simples:

         1,1 – 25,14: Oráculos e ações simbólicas de Jeremias dirigidas contra Judá;

         26,1 – 45,5: Oráculos de salvação para Israel-Judá e relatos acerca do ministério de Jeremias;

         46,1 – 51,64 (com uma introdução em 25,15-38): Oráculos contra as nações estrangeiras;

         52,1-34: Anexo histórico baseado em 2Rs 24,18 – 25,30 (com a inclusão de algumas novas informações): A queda de Jerusalém.

         Na versão grega, os oráculos contra as nações estrangeiras estão inseridos imediatamente depois de 25,13. Esta disposição representa provavelmente um estágio mais antigo do rolo, pois constata-se que vários outros livros proféticos (Is 1 – 39; Ez; Hc; Sf) foram compostos de acordo com o esquema tripartido que situa os oráculos contra as nações entre os oráculos de desgraça contra Israel e os oráculos de salvação para Israel.

         No interior de cada uma das grandes partes do livro, percebem-se seções menores, composições coerentes, blocos de oráculos que parecem ter existido sob forma de folhetos ou de livros independentes, antes de serem inseridos na grande coleção de textos. Notamos, por exemplo, coleções como 22,11 – 23,8, reunindo oráculos sobre “a casa de David”; 23,9-40: “Sobre os profetas”; 30,1-31.40: o “livro” (30,2) que anuncia a restauração do novo Israel. Ainda, composições como o capítulo 2; os caps. 4 – 6; 14,1 – 15,4. Etc. poderiam ser contados entre as coletâneas jeremianas que precederam a formação da coleção definitiva.

         No que diz respeito à composição da primeira parte do livro (caps. 1 – 25), o episódio do rolo escrito por Baruc, destruído por Joaquim e recomposto numa edição ampliada (“e ainda foram acrescentadas outras palavras semelhantes”, 36,32), desempenha um papel importante nas considerações dos exegetas. Este rolo continha os oráculos ameaçadores pronunciados antes de 605, e é bem provável que seu conteúdo tenha entrado no material atualmente reunido em Jr 1 – 25. A sagacidade dos exegetas se tem esforçado bastante para identificar esses textos, mas as pesquisas conduziram a resultados contraditórios e não se chegou até agora a um consenso. Por enquanto é melhor renunciar à reconstrução desse “rolo primitivo”.

         O problema se complica pelo fato de os caps. 1 – 25 conterem, ao lado dos oráculos poéticos, de autenticidade indubitável, um grande número de passagens, mais ou menos longas – às vezes capítulos inteiros –, redigidos numa prosa, que pelo vocabulário e pensamento teológico, lembram o trabalho dos editores deuteronomistas, que durante o exílio redigiram o grande afresco histórico atualmente encontrado nos livros denominados “profetas anteriores” (cf. Introdução aos Livros Proféticos). Assim como estão, essas passagens não devem ser consideradas como obra pessoal de Jeremias, sendo necessário admitir, ao menos, que elas representam oráculos de Jeremias reelaborados por editores posteriores.

         Na segunda parte do livro, os relatos sobre o ministério de Jeremias são comumente atribuídos a Baruc. Pensa-se nele como autor, por causa das informações precisas que os relatos contém, representando, sem dúvida, as observações de uma testemunha ocular dos acontecimentos, e também porque terminam com um oráculo pessoal dirigido a Baruc. Essa atribuição, embora possível, não é nada segura. O autor acompanhou provavelmente Jeremias no Egito (cf. os caps. 43 – 44), e o versículo 43,6 nos informa que Baruc, antigo líder do partido pró-babilônico, foi levado à força para o Egito, junto com Jeremias.

         No início do tempo do Exílio existiam portanto numerosos livrinhos, folhetos e coletâneas dispersas e ainda, provavelmente, algumas tradições orais relativas a Jeremias. Um redator anônimo reunirá todo esse material num único volume. Ignoramos a identidade desse redator; contudo, ele se entrega nos inúmeros acréscimos, composições coerentes (discursos, um ou dois relatos) e comentários de estilo deuteronomistas que acima mencionamos e que balizam quase todos os capítulos do livro. O redator final do livro de Jeremias pode ser tranqüilamente associado à escola “deuteronomista”. Devemos admitir que a Palestina manifesta, por volta da segunda metade do séc. VI, uma intensa atividade literária e teológica; um trabalho de reflexão, de pesquisa e de edição, que consistia em colecionar e interpretar documentos, reuni-los em volumes compactos e deles tirar as conclusões que se impunham em vista de uma melhor compreensão do destino de Israel.

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE JEREMIAS:

 

         JEREMIAS.

         Pontos fortes e êxitos:

         Escreveu dois livros do Antigo Testamento: Jeremias e Lamentações.

         Ministrou durante o reinado dos últimos cinco reis de Judá.

         Foi um incentivador da grande reforma espiritual que ocorreu no reinado de Josias.

         Agiu como um fiel mensageiro de Yaohu, apesar de ter sofrido muitos atentados contra a sua vida.

         Ficou tão profundamente entristecido com a condição decaída de Judá, que ganhou o título de “profeta chorão”. (O que discordo plenamente... Pois quando sofremos pelos outros em nome de Yaohu – somos rotulados como o foi Jeremias. Um absurdo. Anselmo Estevan.).

 

 

         Lições de vida:

         A opinião da maioria não é necessariamente a expressão da vontade de Yaohu.

         Embora o castigo pelo pecado seja severo, há esperança na misericórdia de Yaohu.

         Yaohu não aceitará uma adoração vazia ou que não seja sincera.

         Servir a Yaohu não garante segurança terrena.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Anatote.

         Ocupação: Profeta.

         Familiares: Pai – Hilquias.

         Contemporâneos: Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim, Zedequias e Baruque.

 

 

Versículos-chave: “Então disse eu: Ah! ETERNO YAOHU! Eis que não sei falar; porque sou uma criança. Mas o ETERNO me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás. Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o ETERNO” (Jr 1,6-8).

         A história de Jeremias é contada no livro que tem o seu nome. O profeta também é mencionado em Esdras 1,1; Daniel 9,2; Mateus 2,17; 16,14; 27,9.

         (Veja em 2 Crônicas 34 e 35 a história do avivamento espiritual durante o reinado de Josias.).

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

LAMENTAÇÕES de JEREMIAS:

 

 

 

         INTRODUÇÃO

        

 

 

         Visão geral

         Autor: Desconhecido.

         Propósito: Expressar e orientar outros em suas expressões de lamento sobre as terríveis condições impostas sobre Jerusalém e sobre o povo de Yaohu pelos babilônios.

         Data: c. 586-516 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Judá e Jerusalém mereceram a decisão que resultou do julgamento divino a que foram submetidas.

         Não fosse o alívio proporcionado pelo lamento, a dor da destruição e do exílio seria maior do que as pessoas poderiam suportar.

         A única esperança de libertação do sofrimento causado pelo exílio era apelar a Yaohu para que fosse misericordioso.

 

 

 

         Propósito e características

         O propósito de Lamentações foi cumprido na própria execução do livro e, depois, na sua aceitação por outros como um meio de conformar-se com a destruição de Sião. O livro apresenta três perspectivas harmoniosas sobre a ira de Yaohu vertida em grande quantidade contra Judá por meio dos babilônios.

         Primeiro, o livro afirma que a destruição e o exílio foram conseqüências justas do pecado. Os profetas haviam repetidamente advertido Judá de que, se o povo continuasse a violar a aliança que Yaohu havia feito com eles, o julgamento aconteceria. Muito antes de Jeremias, Amós falou sobre um dia do ETERNO contra o seu povo (Am 5,18), e esse dia havia chegado (Lm 1,12). Os profetas haviam recorrido aos princípios da aliança, expressos mais enfaticamente em Deuteronômio, os quais estabelecem uma forte ligação entre a fidelidade do povo ao ETERNO e a sua permanência na Terra Prometida. Em parte, o propósito do livro era justificar a punição de Yaohu imposta a Judá e defender os profetas que haviam anunciado o julgamento com antecedência.

         Segundo, expressar a forte resistência emocional ao julgamento de Judá. Teria sido excessivo o julgamento de Yaohu sobre o seu povo (2,20-22)? Seria certo ele se comportar como um inimigo do seu próprio povo (2,4ss.)? Essas expressões honestas tornaram o livro poderoso na sua época e o fazem poderoso ainda hoje, quando os sentimentos de angústia e abandono novamente permeiam a alma.

         Terceiro, o livro afirma que o ETERNO ainda é um Deus de misericórdia e fidelidade (veja 3,22-36). Lamentações expressa uma fé sincera de que o exílio terá um fim. Também expressa a esperança de que haverá reparação para a culpa de Judá e que os seus inimigos serão julgados pelos crimes que cometeram contra o povo. Essa esperança reflete uma compreensão da soberania de Yaohu sobre todas as nações, uma soberania que assegurou o cumprimento de todas as suas promessas pactuais (veja 3,37-39).

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM LAMENTAÇÕES

(Yaohushua):

 

         Lamentações aponta, de diversas maneiras importantes, para além da situação do exílio, para Yaohushua. Em sua humilhação, O UNGIDO sofreu um tipo de exílio em razão de sua expiação substitutiva pelo povo de Yaohu. Nos dias anteriores ao seu próprio grito de abandono como parte do seu sofrimento redentor (Mt 27,46), O UNGIDO pronunciou o seu lamento pessoal sobre Jerusalém (Mt 23,37; Lc 13,34-45). A exaltação de Yaohushua deu início ao fim do sofrimento do povo de Yaohu. Ele assumiu o seu trono e continuará a reinar, subjugando, finalmente, todos os seus inimigos. Lamentações também proporciona aos seguidores de Yaohushua um meio de expressar os seus próprios lamentos sobre as condições de vida do povo de Yaohu no presente. Embora Yaohushua tenha inaugurado o reino de Yaohu e a exaltação do povo de Yaohu, a Igreja continua a sofrer privação e exílio (1Pe 1,2). Lamentações afirma que, num mundo de dor e injustiça, Yaohu ainda é bom e que um dia ele trará toda a bondade “para os que esperam por ele” (3,25).

        

 

         LAMENTAÇÕES: 1. Na Bíblia hebraica, o nome deste livro é tomado da primeira palavra dos dois primeiros e do quarto poema: Eiká (lit. “Como!” também traduzido por “Oh!”). Cf. Is 1,21; Jr 48,17. Mas o título grego, que se tornou tradicional – inclusive no Talmud –, corresponde bem ao gênero hebraico do “lamento”, ao lado do canto fúnebre (cf. 2Sm 1,17ss.), pode aplicar-se também a uma catástrofe nacional. A catástrofe aqui em foco é a tomada de Jerusalém e a destruição do Templo em 587 por Nabucodonosor, que deportou para Babilônia parte da população. Por isso, os judeus lêem esse livro no dia nove de ab (o quinto mês, iniciando-se o ano com a Páscoa),  que coincidência curiosa – marca não somente esse aniversário, mais também a queda do Segundo Templo sob os golpes dos romanos. Cf. Já Jr 41,5.2.

         2. A Septuaginta atribui esta livro a Jeremias, talvez com base em 2Cr 35,25, onde, de fato, se fala de um canto fúnebre sobre Josias. Na realidade, Lm 4,20 não se coaduna absolutamente com aquilo que Jeremias pensava a respeito de Sedecias (Jr 24,8; cf. 23,6). Por outro lado, a doutrina sobre a retribuição expressa em 5,7 é combatida por Jr 31,29-30, da mesma forma que a Aliança com o Egito em 4,17 é impugnada por Jr 37,5-7 (comparem-se Jr 2,18 e Lm 5,6); e seria contraditório que Jeremias tenha podido pronunciar Lm 2,9. Diga-se que esse último texto é um indício de que estes cantos foram escritos na Palestina – de onde Jeremias esteve ausente depois da forçada fuga para o Egito (Jr 43,6) – e não na Babilônia, onde Ezequiel tinha certa audiência (cf. Ez 8,1) e não poderia ter sido assim ignorado. Mais: as diferenças de forma e de fundo demonstram que talvez se trate de cinco poemas de origem diversa. Por isso, as Lamentações não são de autoria de Jeremias; segundo alguns, elas teriam mesmo sido escritas “contra” Jeremias e o partido pró-babilônico, que podia ser visto como o inimigo interno enquanto se aproximava o invasor.

         3. Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, sendo que o começo dos vinte e dois versos alista em ordem as vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Mas há uma leve diferença na ordem do alfabeto entre o primeiro poema e os três seguintes; e no terceiro, o alfabetismo é tríplice, incidindo no começo de cada um dos três membros de cada verso. Essa técnica podia auxiliar a memorização e, além disso, indicar que o assunto estava completamente tratado, como costumamos dizer, “de A a Z”.

         No que tange ao assunto, as duas primeiras e as duas últimas são lamentações de cunho político; aí Sião representada sob os traços de uma mulher (ressalvando a quinta, que é uma queixa coletiva); mas a terceira parece ser vazada em prisma individual e destaca um homem, cujos aspectos em sua maioria fazem pensar em Jeremias Sofredor; é verdade que se poderia ver nesse homem uma representação do Povo inteiro, sob os traços do profeta encarnado os sofrimentos de sua nação. Seria este, de certo modo, o mais antigo comentário sobre os outros poemas, agora situado, em vista dessa finalidade, no centro das lamentações nacionais.

4. O anonimato e a diversidade levantam a questão da data. É difícil categoricamente uma determinada ordem de composição, mas está claro, em todo caso, que todos os poemas datam de antes do fim do Exílio em 538 e, mesmo, que muitos detalhes (notadamente no segundo e no quarto poema) revelam proximidade com os acontecimentos de 587. Pode ser até que o primeiro poema remonte à época da primeira deportação, em 598.

         A tristeza na miséria física e moral da catástrofe política e religiosa, o arrependimento em relação à conduta pecaminosa, que forçou Yaohu a aniquilar o seu povo, e a esperança da fé no ETERNO, mestre da história, infundem nesse livro uma beleza trágica e expressam uma mensagem, que, embora ligada a estas circunstâncias particulares, permanece atual através dos tempos.

         5. As Lamentações deploram o luto de Jerusalém (1,1.4; 2,8; 5,15): ela está prostrada em lágrimas (1,2.16; 2,11.18; 3,48s.), em gemidos (1,4.8.11.21.22), em aflição (1,4.5.8.12; 3,32s.), em estado solitário (1,4.13.16; 3,11; 4,5; 5,18), em desnudamento (1,8) e fome (1,11.19; 2,12.19; 4,4.5.8-9; 5,6.10).

         Está ferida nos seus seres mais queridos: as crianças (1,5.20; 2,4.11.19.20.22; 4,4.10; 5,13), as jovens: (1,4.18; 2,4.10.21; 5,11), os jovens (1,15.18; 2,21; 4,7; 5,12.14), os anciãos (1,19; 2,10.21; 4,16; 5,12.14), os sacerdotes (1,4.19; 2,6.20; 4,16), os profetas (2,9.20) e os reis (1,6; 2,2.6.9; 4,20; 5,12). Está profanada em suas realidades mais santas: o Templo (1,4.10; 2,1.4.6.7.20) e a assembléia fiel ao Encontro divino (1,4.10; 2,6.7.22).

         Em sua aflição e graças a ela, a Cidade Santa toma consciência de seu pecado, que é revolta (1,5.14.22; 3,42), desobediência (1,18.20; 3,42), falta (1,8; 3,39; 4,6.13.22; 5,7.16) e perversidade (2,14; 4,6.13.22; 5,7). Esse pecado, ela o confessa (3,42; 5,7.16), pecado que faz pesar sobre ela a sua mão, que não é senão a mão dos inimigos (mais de vinte vezes nomeados) e, no fundo, a mão do próprio Yaohu (1,14).

         Com efeito, é Yaohu que faz descobrir aos seus filhos a rejeição absoluta de todo mal, rejeição que provoca a sua ira (1,12; 2,1.3.6.21.22; 3,43.66; 4,11), o seu furor (2,4; 4,11), a sua fúria (2,2; 3,1), sua chama aterradora (1,13; 2,3-4; 4,11). É ele, a quem os pecadores encaram como um inimigo (2,4-5; 3,1-18.43-45): ele aflige (1,5.12), entristece (2,1) e traga (2,1-8). Ele parece, então, longínquo (1,16), e, todavia está sempre perto (3,57), ouve (3,56.61), vê (1,9.11.20; 2,20; 3,50.59-60.63; 5,1), se lembra (3,19; 5,1.20).

         Pode-se confiar nele, pois é justo (1,18; 3,34-36), todo-poderoso (3,37-38; 5,19), fiel (3,32), Salvador (3,26), redentor (3,58), capaz de consolar (1,16) e tão bom (3,25) que manifesta entranhas, que dizer, ternuras materiais, renovadas todas as manhãs (3,22-23). A desgraça, fruto do pecado, é de sua parte a graça suprema: ela conduz à humildade confissão e finalmente à conversão, não propriamente à conversão que o homem pretenderia realizar por si mesmo (3,40), mas à conversão que somente Yaohu pode operar no homem: Faze-nos voltar a Ti, ETERNO, e voltaremos (5,21).

        

 

 

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

        

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

        

        

 

        

 

        

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

EZEQUIEL

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Ezequiel.

         Propósito: Incentivar os exilados a permanecerem fiéis ao ETERNO, para que ele cumprisse a sua promessa de reconduzi-los à Terra Prometida e de conduzir o templo e Jerusalém a novas alturas de glória.

         Data: c. 593-570 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Judá e Jerusalém merecerem a sentença dada por Yaohu de destruição total e exílio.

         O julgamento vem sobre aqueles que violam flagrantemente a lei de Yaohu.

         Yaohu julgará as nações que se voltaram contra o seu povo.

         Depois do exílio, Yaohu mandaria grandes bênçãos ao seu povo.

         Jerusalém e o seu templo seriam o centro do povo restaurado de Yaohu.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Ezequiel é inigualável no sentido de que, com algumas exceções ocasionais, ele é inteiramente autobiográfico, isto é, escrito na primeira pessoa do singular, do ponto de vista do próprio Ezequiel. O livro se divide em três partes. Nas duas primeiras, Ezequiel anunciou o julgamento sobre Jerusalém (caps. 1 – 24) e sobre outras nações estrangeiras (caps. 25 – 32). A partir do momento em que um mensageiro chegou relatando a destruição de Jerusalém (33,21 – 22), a pregação do profeta passa a ser dominada pelas promessas de restauração e misericórdia para o futuro (caps. 33 – 48). Tanto à parte que anuncia julgamento sobre Jerusalém como a parte que profetiza restauração, iniciam com oráculos a respeito do papel de Ezequiel como atalaia (3,16-21; 33,1-20).

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM EZEQUIEL. (Yaohushua):

 

         O ministério profético de Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel anunciou que Yaohu destruiria Jerusalém e enviaria a sua população para o exílio em razão de sua continuada descrença. O julgamento contra os apóstatas dentre o povo da aliança estendeu-se também ao ministério do UNGIDO, “O SALVADOR”, – Yaohushua. Yaohushua apelou para o arrependimento entre os judeus e um REMANESCENTE respondeu em fé. Entretanto, como Ezequiel, Yaohushua – O UNGIDO anunciou que a destruição do templo e de Jerusalém ocorreriam novamente após a sua partida (Mt 24; Jo 2,19). Ezequiel também anunciou julgamento contra as nações que atormentavam o povo de Yaohu (29,19; 30,25; 38,21-23). Num certo grau, esses julgamentos ocorreram na inauguração do reino de Yaohushua (Mt 24,34; Lc 11,32.51), mas serão plenamente realizados no julgamento que acontecerá  quando Yaohushua retornar (Ap 11,18; 14,7; 15,1).

         A obra de Yaohushua foi antecipada quando Ezequiel anunciou que Yaohu um dia poria um fim ao exílio (caps. 33 – 48), estabeleceria uma aliança de paz (34,5; 37,6) e restauraria Jerusalém a uma glória maior do que nunca antes (cap. 48). De acordo com essas esperanças, a morte, a ressurreição e a ascensão de Yaohushua ocorreram perto da cidade (Mt 16,20). A descida do Rúkha hol – Rodshua (Espírito Santo) ocorreu ali, no dia de Pentecostes, quando milhares de exilados creram no Yaohushua (At 2). Além disso, entre a sua primeira e a sua segunda vinda, a Jerusalém celestial, onde Yaohushua está, tornou-se um aspecto importante da fé dos remanescentes (Jo 3,31; Cl 1,5). O Novo Testamento também fez de Jerusalém a peça central dos novos céus e nova terra a serem estabelecidos quando Yaohushua retornar (Ap 21,2).

         O próprio Yaohushua foi antecipado quando Ezequiel mencionou “o príncipe” em 34,24; 37,25; 44,3; 45,7.16-17.22; 46,2.4.8.10.12.16-18. Esse príncipe seria o filho de Davi que reinaria sobre o povo de Yaohu após o exílio. Da época do exílio até Yaohushua, nenhuma figura real da casa de Davi reinou sobre Israel (Lc 1,32-33). Assim, Yaohushua cumpre as esperanças que Ezequiel tinha para a restauração da casa de Davi após o exílio. Veja a nota sobre 37,24.

         Ezequiel depositava muitas de suas esperanças para o futuro de Israel na restauração do templo e do seu sacerdócio (caps. 40 – 48). Como filho encarnado de Yaohu, Yaohushua é o cumprimento final tanto do templo de Yaohu (Jo 2,19-22; Ap 21,22) como do sacerdócio (Hb 7,1 – 8,6). Sua morte foi um sacrifício expiatório (Rm 3,25; Hb 2,17). Ele agora ministra diante do trono de Yaohu no céu, intercedendo pelos santos (veja Hb 8). Quando retornar em glória, Yaohushua santificará os novos céus e a nova terra para ser uma morada santa para Yaohu (Ap 21,22-23), substituindo o templo como lugar de sua presença especial – 1Rs 8.

 

         Como a palavra “Christós” – O UNGIDO – foi transliterada erroneamente para o português – “CRISTO”. E, dessa palavra, se derivou a palavra: CRISTÃO – (At 11,26; 26,28; 1Pe 4,16). Entendendo que esse termo é: SEGUIDOR DE CRISTO – DE SUAS OBRAS...! Mas o correto é: REMANESCENTE – OU SEJA: “O QUE RESTA DE ALGUMA COISA, O QUE SOBROU, O SEGUIMENTO MAIS PURO O DNA, ETC”. Sendo desta forma quando houver a palavra: cristão, leia-se REMANESCENTE – OS VERDADEIROS SEGUIDORES DE YAOHUSHUA – SUA SEMENTE – O QUE BUSCA A VERDADE PURA DOS CÉUS SOMENTE...!!! (Is 49,6; Jr 50,20; Rm 9,27; Rm 11,5). Por isso que é fundamental conhecer o seu verdadeiro Nome Pessoal único e intransferível: “Yaohu”, “Yaohushua”, “Rúkha hol – Rodshua” – O ÚNICO NOME QUE “SALVA”! Anselmo Estevan.

 

         Vamos ver o que diz a Enciclopédia Bíblica, O ANTIGO TESTAMENTO INTERPRETADO versículo por versículo; da editora HAGNOS. R.N. Champlin. Dicionário – pág. 5154:

 

         REMANESCENTE:

         No hebraico temos três palavras diversas, com o sentido de “aquilo que resta”, “escape” e “remanescente”. No N.T. também temos três palavras gregas, Katáleimma, leîmma e loipós, todas com o sentido de “remanescente”.

         O conceito de remanescente encontra-se ao longo da Bíblia, com vários aspectos e significações. Aquelas palavras originais algumas vezes eram usadas em combinações que lhes emprestavam um efeito intensificador ou especial. Podiam indicar objetos ou pessoas que sobraram, após o uso ou alguma mortandade ou destruição. Os profetas se utilizaram especialmente de expressões como “restantes de Sião” (Is 4,3; Jr 6,9, “resíduos de Israel”; Mq 2,12, “restante de Israel”; Mq 5,6ss, “restante de Jacó”) e expressões similares. Essas expressões têm um sentido teológico e escatológico, um resumo das esperanças dos crentes israelitas. O povo ao qual seria dada a salvação final consiste na comunidade daqueles que, pelo desígnio gracioso de Yaohu, vierem a escapar do juízo condenatório, por haverem sido escolhidos pelo ETERNO. Todavia, como muitos outros conceitos teológicos, o conceito de “remanescentetambém sofreu uma evolução ao longo da revelação bíblica:

         1. Uso profano ou natural. A idéia de algo que sobrou é comum no uso secular. A Bíblia alude ao resto das ofertas de manjares ou de cereais (Lv 2,3), ao resto do azeite (Lv 14,18), os restantes dos prostitutos cultuais (1Rs 22,46), etc. A palavra “restante” é usada, especialmente, para indicar minorias políticas de vários tipos (ver Js 23,12; Dt 3,11; 2Sm 21,12; Is 14,22.30; 16,14; 1Rs 14,10; 2Rs 25,11; Ez 14,22; etc.). Os grupos de exilados que retornaram da Babilônia em companhia de Zorobabel e Esdras também eram chamados remanescente”.

         2. Uso teológico. É nesse campo que a palavra se reveste de grande importância. O destino político de Israel é uma questão escatológica, profetizada. Um exemplo pertinente disso é Mq 5,3: “Portanto os entregará até ao tempo em que a que está em dores de parto tiver dado à luz; então o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel”. Estão em foco os eleitos de Yaohu dentre todas as nações, que serão unidas aos israelitas salvos no fim de nossa dispensação, completando a Igreja. Os profetas do A.T. apenas vislumbravam o que o N.T. descreve com maior clareza.

         Aquele que faz a vontade de Yaohu é irmão, irmã ou mãe de Yaohushua (Mt 12,50); Yaohushua não se envergonha de chamá-los irmãos (Hb 2,11). A promessa se estende a todos quantos são chamados por Yaohu (At 2,39).

         Que a Bíblia ensina um retorno literal dos judeus à Palestina que pode ser identificado ou não ao contemporâneo movimento sionista, parece claro, através de trechos como Jr 31,7-9 e Mq 5,7.8. Mas, quando chegamos ao N.T., a palavra “remanescenteé usada especialmente em relação aos judeus que, em cada geração, se vão convertendo a Yaohushua, até à grande colheita final de Israelitas, nos dias da grande tribulação. Romanos 9,27-29 é passagem crucial dentro da teologia de remanescente. Só o remanescente de Israel será salvo. Esses são a semente espiritual de Abraão, em contraposição à sua descendência natural – aqueles que são tão numerosos como as estrelas, em contraste com aqueles que são tão numerosos como a areia dos mares. Portanto, é um erro equiparar a moderna nação de Israel com o remanescente profetizado. Contudo, apesar de esse remanescente visar especialmente aos judeus eleitos por Yaohu, também estão em pauta os gentios eleitos (ver Rm 9,24.25: “... a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios...”). Isso esclarece que a Igreja de Yaohushua, em seu estágio final, consistirá de judeus e gentios eleitos, tal como se deu no começo do cristianismo, fortalecendo a posição pós-tribulacional, que não concebe a Igreja gentílica arrebatada antes da tribulação, somente após o que os judeus se voltariam para Yaohushua. As promessas bíblicas, acerca do povo de Yaohu do fim, visam igualmente a judeus e gentios, pois, em Yaohushua são eliminadas todas as distinções que os separavam, formando-se um único corpo místico de Yaohushua. (Ver João 17,22.23).

         Romanos 11,4.5 é trecho que fala de um remanescente escolhido de acordo com os propósitos da graça divina. A base histórica disso é a experiência do profeta Elias, que foi relembrado, em um período de grande apostasia em Israel, que havia ali muitos que não tinham dobrado os joelhos diante de Baal. O ponto frisado pelo apóstolo foi que esses fiéis do passado são paralelos ao remanescente da graça na dispensação atual. A soberana eleição de Yaohu está em foco. Apesar de a maioria da nação de Israel ter caído em apostasia, o remanescente permaneceu fiel ao ETERNO. O mesmo sucederá no período escatológico do fim. Outro pensamento que se salienta é que Yaohu jamais rejeita os seus escolhidos, pois a eleição para a salvação não depende das realizações morais dos escolhidos, mas do beneplácito de Yaohu. A ênfase recai sempre sobre a profundíssima misericórdia do ETERNO, em todas as discussões sobe o remanescente!

        

 

 

 

         EZEQUIEL: “Ezequiel: um homem, sem dúvida, desconcertante, de gênio tão variado, tão rico, tão complexo, que seu livro se nos apresenta denso e difícil de percorrer. Todavia este livro dá testemunho de um homem que viveu um dos momentos mais dramáticos da história de Israel e cuja experiência espiritual é uma das mais aptas a esclarecer o destino do povo de Yaohu. Não será, então, de particular atualidade?

 

 

O LIVRO DE EZEQUIEL

 

         Sua estrutura se apresenta simples e lógica. Depois do relato da vocação do profeta (1,1 – 3,21), vêm os oráculos que anunciam o julgamento de Jerusalém (3,22 – 24,27), o castigo das nações (25 – 32) e a restauração do povo aniquilado (33 – 37). O livro se completa nas vastas perspectivas de um horizonte distante: aos olhos do leitor, desenrola-se inicialmente a decisiva batalha do povo de Yaohu diante de terríveis inimigos (38 – 39); depois se desenha a alta silhueta da montanha sobre a qual Ezequiel vislumbra a capital futurista do povo de Yaohu renovado (40 – 48).

         Mas, depois de ultrapassado esse esquema bastante lógico, o livro espanta por certa liberdade que aparenta desordem. Assim, no interior do cap. 34, em temas do pastor e do rebanho se desenvolvem em sentidos diversos (inspirados, é verdade, em Jr 23,1-6), e o cap. 1 contém um acúmulo de detalhes estranhos, aparentemente supérfluos – as rodas, por exemplo – ou então acrescentados em detrimento da coerência gramatical.

         Os discípulos de Ezequiel têm grande responsabilidade nessa desordem. Aparentemente indiferentes a toda lógica, fragmentaram seus oráculos: 3,22-27; 4,4-8; 24,15-27 e 33,21.22 poderiam ser os membros dissociados de um relato contínuo; ou então aproximaram indevidamente oráculos independentes, unindo-os por um vínculo fictício: assim é que o termo de encadeamento “espada” (cap. 21) serve de elo entre parágrafos alheios uns aos outros: a espada do ETERNO (vv. 6-12), espada bem afiada (vv. 13-22), do rei da Babilônia (vv. 23-32), erguida contra os amonitas (vv. 33-37); esses discípulos chegaram a repetir várias vezes os mesmos oráculos: as considerações sobre “os justos caminhos do ETERNO” encontram-se – idênticos, ou quase – em 18,1-32 e 33,10-20.

         O próprio Ezequiel não é totalmente estranho à atual fisionomia de seu livro; foi ele o primeiro a sobrecarregar as frases com detalhes, os capítulos com parágrafos, todos portadores de uma doutrina capital, mas sem compromisso com a harmonia primitiva: assim aconteceu-lhe completar os relatos das visões (1 – 3; 8 – 11) ou de certo gesto profético (4,4-17) etc. Aliás, era o que desejava o seu gênio variado, instável, quase doentio, por assim dizer. Não o vemos prostrado (3,15), mudo (3,26), talvez paralisado (4,4-8)? Esse gênio não consegue defender-se da atração dos extremos: é fulgurante e meticuloso, pronto para o sublime e para o vulgar; deixa-se seduzir pelo peso do barroco, deixa-se levar pela embriaguez do surrealismo (ver os poemas da águia: 17,1-10; do dragão: 32,1-8), e em seguida encerra sua imaginação impetuosa e sua frase redundante nas frias distinções de um casuísta (caps. 18 e 33), na monótona descrição de uma geografia de computador (cap. 47 e 48), na seca enumeração de dados arquitetônicos (cap. 40 e 42) ou nos parágrafos cansativos de rubricas minuciosas (cap. 44; 46). É ainda ele que se deixar guiar pelos marcos precisos da história – as alusões históricas são numerosas no pano de fundo dos cap. 16 e 19, ou nos diversos oráculos contra as nações – e que mostra familiaridade com riquezas inesgotáveis, perspectivas fugidias e indefinidas da evocação mítica: o homem primordial e o jardim do Éden (cap. 28), a árvore cósmica (cap. 31), as regiões infernais (cap. 32).

 

 

O PROFETA EZEQUIEL

 

Ao longo deste livro, cuja estrutura e estilo já esboçam a silhueta de alguém, finalmente aparece um personagem, Ezequiel, o profeta.

         Contemporâneo da queda de Jerusalém (587), às vezes dá a impressão de ter começado sua pregação na capital palestina, antes de continuá-la e de leva-la a termo entre os deportados, às margens do rio Kebar. Assim se explicaria melhor, entre outras coisas, a minuciosa descrição de todos os gestos idolátricos realizados no Templo (cap. 8). Mas o argumento parece pouco convincente, e a maioria dos comentadores julga que toda a atividade profética de Ezequiel se desenrola em terra babilônica, junto a uma cidade: Tel-Abib; o profeta fora levado para lá antes da destruição de Jerusalém, por ocasião das primeiras razzias palestinas de Nabucodonosor (598). São registradas as datas de certos oráculos. A da visão inicial não é confiável (1,1-2; cf. v. 1 nota), mas as outras são dignas de atenção. A visão dos pecados de Jerusalém (8,1) é situada no sexto ano (do exílio do rei Ioiakin, que é também o de Ezequiel), ou seja, em 592; oráculo da panela (24,1) é datado do nono ano, ou seja, em 589, no mesmo dezembro em que se inicia o cerco a Jerusalém; outros são situados no décimo ano, em 588, no tempo em que o faraó do Egito se encontra em má situação (29,1); no décimo primeiro, em 587 (26,1), no décimo segundo, ou seja, no início de 585 (33,21), no vigésimo quinto, em 573 (40,1), e por fim no vigésimo sétimo, em 571 (29,17).

 

 

A MENSAGEM DE EZEQUIEL

 

         É, pois, na Babilônia que se desenvolveu a atividade daquele que era até então um sacerdote e que conservou, até o fim da vida, sua mentalidade de sacerdote perito em culto, liturgia, rubricas e sacristias (caps. 40 – 48); é lá ainda que, de repente, tudo nele se transtorna. Produzem-se dois acontecimentos: a irrupção da glória de Yaohu fez desse sacerdote um profeta, e a queda de Jerusalém transforma o pregador de condenação em pregador de salvação.

 

 

         A irrupção da Glória. Eis, pois, que a partir de certo dia, a vida de Ezequiel é como que invadida pela Glória do ETERNO. Ela se mostra em várias ocasiões (1,28; 3,23; 8,4; 10,1; 43,2), deixando-o todas as vezes atônico, extasiado (3,15).

         Que vê ele? No meio de uma grande nuvem, precedido pelo sopro da tempestade, um fogo em forma de redemoinho; e depois, seres vivos. São quatro: eles voam, sustentam um firmamento sobre o qual aparece um trono. Acima, há como que o aspecto de um homem, com uma claridade ao redor dele... É o aspecto da Glória do ETERNO (1,4-28).

         No fundo, o profeta está em vias de reviver, mas com gênio diferente e noutro contexto, a visão de seu grande predecessor, Isaías. Ele acaba de receber a revelação esmagadora da transcendência do ETERNO, da Glória daquele que é o rei de toda a terra (Is 6,3). Este último ponto está ausente da descrição inicial de Ezequiel, mas o profeta sugere sua verdade acrescentando traços secundários, com o risco de obscurecer sua intuição primordial. Assim se explica a longa descrição desses animais fantásticos, tomados do bestiário mítico dos babilônios, que o profeta se compraz em ver a serviço do ETERNO; ou ainda a presença, totalmente supérflua, de rodas alucinantes que mostram a seu modo que a Glória é onipotente em todos os lugares.

         Esmagado por essa revelação, Ezequiel percebe violentamente sua pequenez; em face da Glória, ele não passa de um ínfimo e derrisório filho de homem, hesitante, atônito (1,28; 2,2; 3,14-17.22-24); sobre ele, a mão do ETERNO (1,3; 3,22; 33,22; 37,1; 40,1) caiu (8,1) pesadamente (3,14); sobre ele também, o Espírito do ETERNORúkha – Yaohu – vem (2,2; 3,24), cai (11,5), para arrebata-lo (3,12.14; 8,3; 11,1.24; 43,5).

         Mas o profeta percebe a Glória que sai do Templo e se afasta de Jerusalém (11,22.23). O ETERNO deixa Sião! Por quê? Como?

         Ezequiel descobre no pecado de Israel o motivo de tão dramática separação; o pecado de Israel é o mal endêmico do qual ele procura entrever a gravidade, a extensão, a profundidade. O pecado é o ato de violência, o crime em que o sangue é derramado (7,23; 9,9; 16,36; 18,10 etc.), que, pelo menos uma vez, o profeta põe em pé de igualdade com a idolatria (36,18). Pois o pecado capital é, para ele, a idolatria (14,1-8), que ele vê praticada sobre toda colina, sob as árvores (6,3.6.13; 16,16; 20,28.29) e até no Templo de Jerusalém (cap. 8). Encontra seus sinais na entrada do pórtico interior (vv. 3-6), no adro (vv. 7-13), no santuário do ETERNO (vv. 14.15), entre o vestíbulo e o altar (v. 16). O pecado de Israel é também a imoralidade cotidiana; Ezequiel a descreve inspirando-se nos formulários de confissão dos pecados, em uso nos santuários (18,5-9; 22,3-12.23-30).

         Ezequiel diz e repete que esse pecado é um horror, uma abominação (5,9-11; 6,9; 16,22-52); é um gesto de infidelidade, um adultério, um ato de prostituição. O profeta desenvolve este tema na alegria da menina encontrada, adotada e depois desposada, que finalmente se transforma em “prostituta despótica” (16,30); ele retoma depois na história das duas irmãs, Oholá  (Samaria) e Oholibá (Jerusalém), esposas infiéis que se entregaram a uma insolente prostituição (cap. 23).

         O profeta finalmente chega a descobrir a raiz da impudica infidelidade à qual Jerusalém se abandona no orgulho. O pecado dos pagãos de Sodoma (16,49-50), do rei de Tiro (28,2.5.17), do Egito (30,6.18) e seus faraós (32,12; 35,13), é também o pecado de Israel (7,20.24; 33,28), esposa envaidecida com sua beleza (16,15.56); é também o pecado do príncipe (21,30-31).

         Porventura, Jerusalém não tem um origem pagã, ela que descende de pai emorita e de mãe hitita (16,3.45)? Sua corrupção, que se manifesta ao longo de toda a sua história (cap. 20), é congênita (cap. 16), e a permanência prolongada de Jacó-Israel no Egito – onde Yaohu com a mão erguida, jurou, e disse: Eu sou YAOHU vosso Deus (20,5) – deveria ter as mais funestas conseqüências: ela daria a Israel essa paixão pelos ídolos à qual depois ninguém saberia renunciar (cap. 20).

         É em meio a esse povo que Ezequiel é estabelecido profeta, com a missão de proclamar a palavra de Yaohu. Ainda que esta palavra penetre nele como um alimento e o encha de doçura (3,2.3), o filho de Buzi deve esperar encontrar em seu caminho sofrimentos e espinhos toda vez que ele clamar: Assim fala o ETERNO – Yaohu – Deus (3,11); mas não deve desistir, pois o essencial é, no fim das contas, que os deportados, por mais rebeldes que sejam, saibam que há um profeta no meio deles (2,5).

         Ezequiel será uma “sentinela a serviço de Israel”. Deverá dizer ao perverso: “Vais morrer”, a fim de que o mau abandone a sua má conduta e viva; deverá admoestar o justo para que não peque, a fim de permanecer em vida (3,16-21); pois, ao contrário do adágio que se costuma repetir em Israel, ele afirma: Quem pecar, esse morrerá, o filho não arcará com a iniqüidade do pai, nem o pai com a iniqüidade do filho (18,4-20).

         Todavia, se Ezequiel deixar de admoestar o malvado, terá de prestar contas do sangue do mau que houver perecido por falta de admoestação oportuna (3,18). Esta hipótese não é gratuita; nessa época, não faltavam pretensos profetas, que seguiam sua própria inspiração sem jamais ter tido visão. São semelhantes a pedreiros que se contentam com rebocar um muro rachado, com o risco de deixar ruir todo o conjunto. Tais são os profetas que publicam uma mensagem de paz sem se preocupar em curar o pecado (cap. 13). [está acontecendo hoje nos cultos...!]. A.

 

 

         A queda de Jerusalém. O pecado não pode deixar de conduzir o povo a um julgamento inelutável e terrível; o profeta vê sua realização bem próxima e se obstina a anuncia-lo incansavelmente, por palavras (caps. 7; 9 – 11) e atos (caps. 4 – 5). Até aquela triste manhã, em que alguém se apresenta para lhe declarar a desgraça que aconteceu: Jerusalém foi tomada, destruída, incendiada; os sobreviventes partem para o exílio.

         Foi este o segundo acontecimento capital na vida de Ezequiel. Instigado a não deixar transparecer seu pesar (24,15-27), deve ter sentido uma dor pelo menos igual à de seus companheiros de deportação. Com efeito, o sofrimento e o desespero deles foram tais que chegaram a dizer: Estão sobre nós as nossas revoltas e os nossos pecados, e apodrecemos por causa deles! Como poderemos viver? (33,10). Ou ainda: Os nossos ossos estão ressequidos, pereceu a nossa esperança, estamos esfacelados (37,11).

         Então Ezequiel reagiu; pôs-se a anunciar o castigo para as nações cujos sarcasmos intensificavam a dor dos vencidos. Israel não será o único a sofrer o julgamento. Sem dúvida, o profeta outrora entrevia que povos de fala impenetrável e de língua enrolada (3,6) o teriam escutado melhor do que a casa de Israel; contudo, esses povos agora são convocados ao tribunal de Yaohu (25 – 32). O Egito é o principal acusado (cap. 29 – 32), ele que provocou a traição de Sedecias (17,15), infiel às suas alianças (17,19). Tiro deve compadecer por ter tido intenções injuriosas contra Jerusalém. Oprimida pelos exércitos inimigos (26,2), e depois também os países vizinhos da Palestina: Amon, Moab, Edom e os filisteus, todos culpáveis de comportamento odioso com relação ao povo aniquilado (cap. 25).

         Mas eis que o profeta, arauto trágico, reduzido até aqui ao anúncio de uma desgraça inelutável, transforma-se em pregador de salvação. Já os seus oráculos anteriores não haviam excluído todo motivo de conforto. O tema do “Resto” aparece em algumas passagens; sua evocação é rápida, tão rápida, aliás, que se pode ver aí o resultado de algum acréscimo secundário; assim os vv. 5,1.2 são explicados aos vv. 12 e 13, ao passo que os vv. 5,3.4, que, ademais, comprometem a lógica do cálculo profético, não recebem nenhum comentário. Contudo, o tema é claramente atestado no cap. 9; aí vem à tona a execução dos habitantes de Jerusalém, precedida por um gesto de seleção que põe à parte os homens que gemem e se lamentam por causa de todas as abominações que se cometem no meio de Jerusalém (9,4).

         Haverá, portanto, um “Resto” (ver 6,8-10; 9,4-8; 11,13; 12,16; 14,22.23), mais irrisório, tão frágil (11,13), reduzido talvez aos cadáveres amontoados em Jerusalém (11,7), que sua evocação não pode impedir os exilados de perder sua débil esperança. Então o profeta, sentinela atenta, se posta na brecha. Os mortos viverão, proclama ele; e aí temos o maravilhoso afresco dos ossos ressequidos e revigorados (37,1-14); por mais diminuído e aniquilado que esteja Israel, ainda que fosse semelhante a um ossário abandonado pela vida, o ETERNO saberá faze-lo reviver ao sopro impetuoso de seu Rúkha – Espírito.

         Um povo que voltou à vida, mas a uma vida totalmente diferente da anterior, tal será o Israel resgatado do exílio. Porque, diz o ETERNO: eu vos tomarei de entre as nações, vos reunirei de todas as terras e vos levarei ao vosso solo. Farei sobre vós uma aspersão de água pura e ficareis puros: eu vos purificarei de todas as vossas impurezas e de todos os vossos ídolos. Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo; tirarei de vosso corpo o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Infundirei em vós o meu Rúkha e vos farei caminhar segundo as minhas leis, guardar e praticar os meus costumes. Habitareis a terra que dei a vossos pais; sereis para mim um povo, e eu serei para vós Deus – Yaohu (36,24-28).

         Essa vida ideal se realizará num reino reunificado (37,15-28), onde o povo não será mais entregue às prevaricações dos chefes indignos (34,1-10); ele será guiado pelo cajado do ETERNO, tornando-se ele mesmo o pastor de seu povo (34,11-16); quanto ao descendente de David, ele será simplesmente um príncipe no meio deles (34,24).

 

 

         Perspectivas finais. No fim de sua carreira profética, Ezequiel se aplica a mostrar o caminho do Israel renovado. Inicialmente ele vê o povo conseguir, no fim dos anos (38,8), a vitória que o livra de todos os seus inimigos. O povo os enfrentou num combate colossal, reencontrando todos os seus adversários de todos os tempos, por trás da face belicosa de seu campeão, Gog, da terra de Magog, grande príncipe de Méshek e de Tubal. Ele os enfrenta e a todos destrói; com seus armamentos terrificantes ele faz um fogo de alegria; abandona inúmeros mortos deles à rapacidade dos abutres e ao cuidado dos coveiros, por sete meses interminavelmente ocupados em enterrar os corpos dos vencidos (cap. 38 e 39).

         Por fim, Ezequiel imagina Israel vitoriosa já instalado numa Palestina também renovada. Vê a terra matematicamente partilhada em zonas que limitam as fronteiras com absoluto rigor (cap.47; 48); ele a vê banhada com a água maravilhosa, que jorra do Templo (cap. 47). Será o lugar privilegiado onde, conforme todas as suas regras (caps. 40; 46), desenrolar-se-á o culto que celebra a Glória do ETERNO que voltou ao santuário (43,1-12). Pois, de agora em diante, o Templo será o centro da vida do povo, o coração de um mistério que o profeta faz entrever em uma só expressão: O ETERNO está aí (48,35).

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE EZEQUIEL:

 

 

         EZEQUIEL

         Pontos fortes e êxitos:

         Foi treinado para ser um sacerdote, e chamado por Yaohu para ser um profeta.

         Recebeu visões vividas e transmitiu mensagens poderosas.

         Serviu como mensageiro de Yaohu durante o exílio de Israel na Babilônia.

         Tornou-se um homem firme e corajoso, atingindo, com sua mensagem, as pessoas mais rebeldes (Ez 3,8).

 

 

         Lições de vida:

         Mesmo os repetidos fracassos de seu povo não impedirão que o plano de Yaohu para o mundo se cumpra.

         A resposta de cada pessoa a Yaohu determinará o seu destino eterno.

         Yaohu escolhe pessoas através das quais pode trabalhar mesmo em situações aparentemente desesperadoras.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Profeta para os exilados na Babilônia.

         Familiares: Pai – Buzi; esposa – seu nome não é citado.

         Contemporâneos: Joaquim, Jeremias, Jeoaquim e Nabucodonosor.

 

 

 

         Versículos-chave: “Disse-me mais: Filho do homem, coloca no coração todas as minhas palavras que te hei de dizer e ouve-as com os teus ouvidos. Eia, pois, vai aos filhos do teu povo, e lhes falarás, e lhes dirás: Assim diz o ETERNO YAOHU, quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 3,10.11).

 

 

 

         A história de Ezequiel é encontrada no livro que tem seu nome e em 2 Reis 24,10-17.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

DANIEL

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: Daniel.

         Propósito: Dar aos exilados e aos primeiros dentre eles que voltaram para a Terra Prometida a certeza de que Yaohu estava no controle da História e que o seu profeta, Daniel, havia falado a verdade a respeito dos prolongados sofrimentos antes do estágio final do reino de Yaohu.

         Data: Imediatamente após 539 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Daniel e seus amigos foram fiéis a Yaohu durante o tempo que passaram no exílio.

         Podia-se confiar no fato de que Daniel era verdadeiro em suas palavras porque ele nunca fez concessões aos seus captores.

         Yaohu tem o controle absoluto de toda a História.

         O exílio prolongou-se por todo o período em que quatro reinos governaram o povo de Yaohu por causa de seu contínuo pecado.

         No futuro, sofrimentos continuariam a sobrevir a Israel, mas O Ungido Yaohushua viria e traria salvação.

 

 

         Propósito e características

         Daniel contém dois tipos diferentes de material. Seis narrativas históricas aparecem nos caps. 1 – 6 e quatro visões nos caps. 7 – 12. As visões são quase exclusivamente proféticas. Entre as seis narrativas, o cap. 2 é diferenciado porque contém também material profético.

         Uma reflexão sobre o conteúdo das narrativas históricas revela que elas são unidades narrativas independentes que foram reunidas em razão de um propósito específico. As narrativas não fornecem uma história de Israel sob o governo babilônio ou persa, nem apresentam uma crônica biográfica de Daniel ou seus amigos. De um lado, as histórias enfatizam o modo como a absoluta soberania de Yaohu opera nos acontecimentos de todas as nações (2,47; 3,17-18; 4,28-37; 5,18-31; 6,25-28). Jerusalém estava destruída, o templo em ruínas, o povo estava no exílio, governantes iníquos pareciam ser triunfantes, mas Yaohu permanecia supremo. De acordo com a sua vontade soberana, ele interviria entre os reinos deste mundo para estabelecer o reino universal que duraria para sempre.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM DANIEL.

(Yaohushua):

 

         A profunda atenção dada por Daniel à restauração de Israel após o exílio chama a atenção diretamente para Yaohushua. Como outros profetas do Antigo Testamento, Daniel predisse um futuro glorioso para o povo de Yaohu que o Novo Testamento apresenta como cumprido na primeira e na segunda vindas de Yaohushua assim como na totalidade da história da Igreja.

         Muita controvérsia cerca um grande número de detalhes sobre o cumprimento dessas predições de Daniel, mas a estrutura básica da visão de Daniel sobre o futuro não deixa dúvidas de que Yaohushua cumpre as esperanças do profeta. Essa percepção é mais clara no modo como O UNGIDO se identifica como o “Filho do Homem” (p. ex., Mt 9,6; 10,23; 12,8). No uso feito por Daniel desse termo, o “Filho do Homem” era o grande rei davídico exaltado por Yaohu que representava Yaohu na terra. O UNGIDO, sendo CHRISTÓS – O YAOHUSHUA, era o rei davídico definitivo; apenas ele cumpre as predições feitas em relação ao filho do homem nas visões de Daniel (veja notas sobre 7,13-14; - “O reino de Yaohu”, em Mt 4).

         Além do mais, no cap. 9, Daniel compreendeu que a previsão de Jeremias sobre os setenta anos de exílio do povo de Israel na Babilônia, seria estendida até “setenta semanas” de anos (9,24), ou cerca de quatrocentos e noventa anos. Em termos gerais, essa predição atinge um cumprimento inicial com a primeira vinda de Yaohushua. O prolongamento do exílio corresponde à série de quatro impérios estrangeiros que oprimiram o povo de Yaohu (2,1-49) e ao aparecimento da “pedra que... se tornou em grande montanha, que encheu toda a terra” (2,35), a qual Daniel mais tarde chamou de “um reino que não será jamais destruído” (2,44). Esse grande reino não é outro senão o reino de CHRISTÓS – O UNGIDO – YAOHUSHUA que teve início na sua primeira vinda, continua hoje e alcançará a consumação na gloriosa volta de Yaohushua – Mt 4; Hb 7.

         Outros acontecimentos mais específicos preditos por Daniel também aparecem em primeiro plano no Novo Testamento. Por exemplo, o próprio Yaohushua se refere à predição de Daniel sobre a “o abominável da desolação” (9,27; 11,31; 12,11), que originalmente se referia à profanação do templo pelo grego Antíoco IV Epífanes, como precursor da profanação causada pelo general romano Tito em 70 d.C. (Mt 24,15; Mc 13,14). De um modo ou de outro, a maioria dos intérpretes “cristãos” – seguidores do UngidoRemanescentes – associa intimamente essa tipologia com o anticristo, cujo espírito já está trabalhando no mundo (1Jo 2,18) e atingirá seu total desenvolvimento, talvez como uma pessoa real, perto do retorno do Ungido – Yaohushua (2Ts 2,3).

 

 

 

         DANIEL: O livro de Daniel é único em seu gênero no Antigo Testamento. A Bíblia hebraica incluiu-o no grupo dos “Escritos”, após os cinco “rolos” (encerrados por Ester) e antes de Esdras. Só este fato já bastaria para assinalar seu caráter tardio. Os manuscritos da Septuaginta, ao contrário, situam-no após Ezequiel, no grupo dos profetas.

 

 

         Estrutura do livro de Daniel. 1. Daniel na Bíblia hebraica. Na Bíblia hebraica, cujo texto consonântico fixou-se no final do séc. I de nossa era pelos doutores judeus de Iabnê (Jâmnia) e vocalizada a seguir, o livro continha doze capítulos escritos em duas línguas diferentes: de 1,1 a 2,4a, em hebraico; a seguir, de 2,4b a 7,28 em aramaico; finalmente, de 8,1 a 12,13, em hebraico. A explicação mais simples é que uma coletânea aramaica (caps. 2 – 7) foi completada por capítulos finais e uma introdução em hebraico. O editor final reagrupou os materiais em duas seções distintas: 1) relatos (caps. 1 – 6) que têm como herói Daniel (caps. 2,4 e 6), seus três companheiros (cap. 3) ou as quatro personagens juntas (cap. 1); 2) visões concedidas somente a Daniel (caps.7 – 12). Em cada uma das duas seções, os trechos seguem uma ordem cronológica. Mas este é um artifício literário, que nada indica de sua data de composição. O autor não conhece com precisão a história do Oriente Antigo entre o reinado de Nabucodonosor e o de Ciro; ele faz de Belshasar (o Baltasar de muitas de nossas Bíblias) o filho de Nabucodonosor; põe entre ele e Ciro, o Persa, certo Dario, o Medo, que a documentação antiga ignora. Este fato convida a não ler o livro como uma coletânea histórica, mas procurar seu valor em outros planos.

 

 

         2. Daniel na Bíblia grega. O judaísmo de língua grega legou à Igreja antiga duas versões diferentes de Daniel, a da Septuaginta e a de Teodocião. Ambas acrescentam ao texto trechos substancialmente idênticos: elas inserem no cap. 3 dois textos litúrgicos adaptados a este quadro narrativo (a oração de Azarias e o cântico dos três jovens); acrescentam, antes ou após o livro, a história de Susana e, no final, os episódios de Bel e do Dragão. (todos livros apócrifos, que a bíblia católica aceitou colocar nos livros inspirados por Yaohu... Anselmo Estevan.). Todavia, as duas versões estão em situações diferentes em relação ao texto da Bíblia hebraica. A Septuaginta difere consideravelmente da Bíblia hebraica, sobretudo nos caps. 4 – 6. Pode-se perguntar se o texto traduzido não seria em original semítico diferente do texto atual. Teodocião, ao contrário, mantém-se muito próximo deste, do qual ele constitui uma testemunha lateral bastante antiga. No Novo Testamento, as citações de Daniel seguem ora a Septuaginta, ora (na maioria das vezes) Teodocião. Os trechos litúrgicos acrescentados ao texto primitivo no cap. 3 baseiam-se provavelmente num original hebraico. Isto é igualmente verossímil para a história de Susana e os episódios de Bel e do Dragão, onde esse original pode ter comportado duas recensões (ou formas textuais) diferentes.

         O texto da Bíblia hebraica, fixado por volta de 90 de nossa era, não manteve essas adições. Isto teve repercussões sobre uso do livro na Igreja. Não somente a antiga versão grega foi logo a seguir suplantada pela de Teodocião, como o mostra o primeiro comentador do livro, Hipólito de Roma; mas a autoridade das passagens gregas ausentes da Bíblia hebraica via-se contestada, notadamente por São Jerônimo. Este jogou em apêndice a história de Susana (cap. 13) e os episódios de Bel e do Dragão (cap. 14), ao passo que deixava no mesmo lugar os trechos litúrgicos do cap. 3. A canonicidade destas passagens é mantida pela Igreja católica, mas não pelas Igrejas oriundas da Reforma. Em razão desta discussão, elas figuram aqui em itálico, no lugar onde as coloca a Vulgata latina de São Jerônimo.

 

 

         Data do livro e origem do seu material. 1. A redação e as edições sucessivas. O livro se apresenta ao leitor como obra de um profeta contemporâneo do cativeiro da Babilônia. Nesta perspectiva ele era lido pelos doutores judeus e na tradição “cristã” antiga. Todavia, desde o séc. III, a crítica pagã (Porfírio) via nele um livro escrito no tempo de Antíoco Epífanes (175-164). Com efeito, é preciso constatar que a grande visão dos capítulos 10 – 11 demarca passo a passo a história do Oriente Próximo e do judaísmo até 164. Em seguida (11,40s.), passa-se a uma mensagem de esperança, escrita em estilo convencional, que desemboca no juízo final e na ressurreição dos mortos (12,1-4). Esta mensagem corresponde muito bem aos problemas espirituais com os quais o judaísmo então se defrontava. Isso explica por que Daniel não é mencionado pela Sirácida (por volta de 190-180), entre os profetas de Israel (Sr 48,22; 49,7-8.10). [Livro apócrifo. Anselmo Estevan.]. Em contrapartida, o livro é conhecido pelo autor do primeiro livro dos Macabeus, entre 134-104 (1Mc 1,54 = Dn 9,27 e 11,37), e sua primeira versão grega é até mesmo utilizado pelo livro III dos Oráculos Sibilinos (por volta de 145-140). O autor conhece a profanação do Templo, em 7 de Dezembro de 167 (cf. 11,31), a condenação à morte dos judeus fiéis (11,33), a revolta dos Macabeus e os primeiros êxitos de Judas (alusão de 11,34), em 166. Se ele não dá nenhuma indicação precisa sobre a morte do rei perseguidor (acontecida no outono de 164), ele faz alusão à purificação do Templo (14 de Dezembro de 164). Pode-se, pois situar a composição do conjunto em 164. Um versículo enigmático do final (12,12, cf. 12,9) deixa talvez entender que sua edição se deu pouco depois do restabelecimento do culto no Templo purificado. Seria então o início de 163. Um remanejamento literário – talvez efetuado em hebraico para os capítulos 2 – 7, mas atualmente perdido –, deve ter acontecido antes que fosse feita a antiga versão grega (por volta de 145).

         Muitos detalhes do livro aludem aos eventos contemporâneos: pressão das autoridades pagãs para forçar os judeus a romper as interdições alimentares da Lei (1,5-8); obrigação de praticar a idolatria (3,1-12) e do culto prestado ao soberano divinizado (6,6-10), acarretando para os judeus o risco do martírio (3,19-21 e 6,17-18). Anuncio profético da morte do perseguidor (5,22-30; 7,11.24-26; 8,25; 9,26-27; 11,45). Se o autor não dispensa mais que restrita atenção à revolta militar dos Macabeus (11,34), é porque conta com uma intervenção direta de Yaohu para inverter a situação, estabelecer seu reino e salvar seu povo. Essa atitude corresponde à dos assideus (hasidim), que se retiraram para o deserto. Antes de se aliar a Judas Macabeu. O autor provavelmente pertence a esse meio.

 

 

         2. A origem das tradições recolhidas. O livro que assim se constituiu recolheu também materiais preexistentes, alguns dos quais talvez já em forma escrita. O cap. 2 parece aludir à política dos casamentos praticada seja por Antíoco II (por volta de 252), seja por Antíoco III (após 194) (cf. Dn 2,43); o modo como ele apresenta a sucessão dos impérios parece ignorar a crise de 168-166. No cap. 7, o quarto Animal, que representa o império grego, possui dez chifres (= dez reis). A menção a um décimo primeiro chifre é provavelmente uma adição, que aplica ao rei perseguidor um oráculo mais antigo (7,24b-25). A loucura e a conversão de Nabucodonosor (cap. 4), diretamente ligadas ao capítulo 2 (4,4-6, cf. 2,48), constituem da mesma maneira um relato independente que parece anterior a 168. O autor o tomou, pois, de um repertório de relatos tradicionais, dos quais alguns já tinham recebido uma forma literária determinada, enquanto outros ainda dependiam da tradição oral.

         Tudo indica que se deve procurar a origem dessa tradição nas comunidades judaicas de Babilônia, onde as antigas práticas cultuais da Caldéia, que entraram sucessivamente em contato com as civilizações persa e grega, eram muito mais conhecidas do que na Judéia. Acrescentemos que palavras persas e até mesmo gregas são encontradas no vocabulário hebraico e aramaico do livro. Explica-se muito bem que, nesse quadro, a lembrança de Nabucodonosor tenha permanecido mais viva que alhures (cf. caps. 2 – 4), absorvendo de passagem algumas reminiscências da personagem de Nabônides (cf. as notas ao cap. 4). Um texto aramaico de Qumran conserva um relato paralelo a este episódio, cujo herói é o rei Nabunai. Ademais, o episódio de Daniel na cova dos leões é retomado sob duas formas: em aramaico, no tempo de Dario (cap. 6), em grego, no tempo de um rei não-nomeado (Septuaginta), ou no tempo de Ciro (Teodocião) (cap. 14,1-30). {Colocação do apócrifo}.Constata-se assim que a tradição oral conhecia variantes, sem que, por isso, os compiladores se sentissem tolhidos. Por outro lado, a tradição do festim de Belshasar (cap. 5) é um tema que Heródoto não ignorava (Investigação, 1,191), atribuindo-o todavia ao rei Labynetos (= Nabonides). Todos esses elementos nos remetem a uma pré-história do livro, que infelizmente não se pode rastrear a risca até a época persa e ainda menos até o tempo do Exílio. Daniel e os seus três companheiros, provavelmente aproximados no livro por iniciativa de seu autor, pertencem à tradição oral do judaísmo oriental, sem que se possa saber muito mais sobre a origem histórica dessa mesma tradição.

         Então, não seria apropriado traçar, com base no livro tal qual se apresenta, uma “biografia” do “profeta Daniel”. Os diversos relatos que o trazem à cena eram originariamente independentes uns dos outros. Situando-os de modo convencional sob o rei Nabucodonosor (caps. 1 – 4) e Belshasar seu filho (caps. 5 e 7 – 8), e depois sob Dario, o Medo (caps. 6 e 9), e Ciro, o Persa (caps. 10 – 12), o autor final esboçou a carreira de um jovem judeu que, deportado em 606, teria sido escolhido para se tornar pajem real com seus três companheiros (cap. 1). Sua habilidade para a interpretação de sonhos o teria feito entrar na administração (cap. 2), onde os quatro jovens teriam seguido uma carreira brilhante até o início do império persa, a despeito das crises passageiras nos quais suas vidas teriam sido postas em perigo (cf. 3,6). Uma carreira administrativa nada tinha de impossível para judeus deportados. Mas fazendo Daniel aceder à condição de primeiro ministro (cap. 6) ou mesmo governador de província e chefe dos “sábios” (cap. 2,48-49; 3,12; 4,6; 5,11), o narrador ultrapassou largamente as margens da verossimilhança. Na verdade seu objetivo era de outra ordem que o da narração histórica.

 

 

         Os gêneros literários no livro de Daniel. A forma literária de um texto é sempre determinada por dois elementos: a função que ele desempenha na comunidade para a qual é escrito, e as convenções em uso no meio cultural que a cerca. Devolvido ao contexto de seu tempo, o livro de Daniel apresenta uma combinação original de dois gêneros que a literatura judaica empregou com predileção nessa época: a narrativa (a haggadá) e o apocalipse.

 

         1. As narrativas didáticas. A narrativa didática constitui um processo pedagógico a serviço de uma lição teológica, moral sapiencial etc. Para compreender o alcance do texto, é necessário detectar a sua “ponta”, um pouco como na interpretação de uma parábola. O herói da narrativa, suas provações, seus comportamentos etc. são apresentados de tal maneira que o leitor tira daí uma mensagem edificante, reconfortante, de fé, em relação como as necessidades espirituais de sua época. O enfrentamento do judaísmo e das civilizações pagãs que o cercam pôs aos crentes, durante a época helenística, toda sorte de problemas. Estes se tornaram agudos na Judéia, quando o império greco-sírio quis impor à força uma helenização para qual alguns membros da aristocracia local já estavam conquistados. É nessa perspectiva que é necessário situar-se para ler Dn 1; 3 – 6; 13. Ora a conduta de Daniel e de seus companheiros é exaltada como um exemplo a seguir (caps. 1; 3; 6). Ora a loucura e o orgulho humano ou do paganismo sacrílego são denunciados com vigor (cap. 4 e 5). Mesmo se a narração encontra seu ponto de partida em alguma reminiscência histórica, ela não é propriamente histórica.

 

 

         2. Os textos apocalípticos. A partir do Exílio, a literatura profética foi cada vez mais marcada pela dupla preocupação com o julgamento de Yaohu e com a Salvação que o seguirá. Essa preocupação “escatológica” foi acompanhada por uma transformação progressiva das formas literárias empregadas para responder a ela. Em um contexto cultural em que a adivinhação e a revelação das coisas ocultas ocupavam um lugar importante, a escatologia assim tomou lugar numa literatura de “revelação” (é o sentido do vocábulo grego apokalypsis). Pode-se seguir a trajetória dessa evolução. Ezequiel e Zacarias já tinham recorrido à modalidade de expressão em que a visão e sua explicação por um anjo-intérprete se tornam uma convenção literária habitual. Após o Exílio, Zc 13 – 14 e Is 24 – 27 – composições devidas a autores anônimos – punham em cena a crise final da história. No término desse processo, a literatura apocalíptica retoma os mesmos procedimentos, servindo-se freqüentemente de um estilo de reminiscências bíblicas, para apresentar uma mensagem adaptada às necessidades dos tempos novos. Como a mensagem mui freqüentemente tinha por objeto a interpretação teológica da história, coroada no seu término por um anúncio do Fim, os autores a punham na boca de um homem do passado, a fim de tomar distância com relação há seu tempo: quem lhe empresta o nome é Daniel, ou Henoc; mais tarde será Moisés, Esdras, os patriarcas, Baruc, Adão... A pseudonímia torna-se uma lei essencial do gênero. Por esse meio, os autores podem unir em uma única composição a decifração teológica de um passado que culmina no momento em que eles escrevem, e o anúncio do termo para o qual caminha o desígnio de Yaohu. Todavia, se o gênero apocalíptico se liga, de algum modo, aos profetas mais antigos, ele se distingue deles nitidamente em pontos essenciais. A mensagem de reconforto e o anúncio do Julgamento divino não são mais acompanhadas, como outrora, de apelos prementes à conversão. A revelação oferecida aos crentes se apresenta antes como uma sabedoria vinda do alto. Enquanto as narrativas didáticas terminam em conselhos para a vida prática, esta sabedoria revelada faz conhecer os desígnios secretos de Yaohu, nos quais a vida prática deve se inserir.

         No livro de Daniel, toda a segunda parte (cap. 7 a 12) deriva integralmente do gênero apocalíptico, com variantes na expressão. Mas seus temas essenciais são apontados desde a primeira parte, seja no sonho de Nabucodonosor, que Daniel interpreta (cap. 2), seja no sonho da grande árvore que figura o julgamento do rei (cap. 4), seja na decifração da inscrição que Belshasar vê ser traçada na parede de seu palácio (cap. 5). Esse recurso constante às visões e aos sonhos apresenta um paralelismo inegável com a literatura de adivinhação da qual o paganismo daquele tempo era grande apreciador; mas esse parentesco das formas tem como finalidade opor a impotência da adivinhação pagã à autenticidade da profecia, cuja fonte é a Sabedoria e o Rúkha – Yaohu (Espírito de Yaohu) [cap. 2; 4; 5]. Quando Daniel se torna beneficiário das visões simbólicas, um anjo intervém para lhe desvendar o sentido daquilo que ele viu: os quatro animais e o Filho do homem (cap. 7), o Carneiro e o Bode (cap. 8), e finalmente o grande afresco que delineia a história desde a época persa até 164 (cap. 10 – 12). Até mesmo uma vez, é um texto da Escritura que é tratado como revelação críptica do futuro: a interpretação dos setenta anos de Jr 25,11-12 e 29,10 é proposta com auxílio de uma técnica particular que apresenta afinidades com a interpretação das visões e dos sonhos. Esse modo de expressão literária é particularmente difícil e complexo, exigindo explicações pormenorizadas.

 

 

         Os grandes temas doutrinais do livro.

 

 

         1. Elementos fundamentais da fé e da vida religiosa. O livro de Daniel é profundamente tradicional, mas encara com lucidez os problemas postos por seu tempo. Em face das civilizações pagãs, onde pululam os deuses (5,4), onde se presta culto à suas estátuas (2,3), onde finalmente o próprio rei exige honras divinas (6,8), o monoteísmo de Israel afirma-se com vigor. Não somente ele elabora uma apologética, aliás, pouco profunda, para combater o paganismo, mas, sobretudo exalta a grandeza de uma fé pela qual se deve aceitar o risco de morrer (cap. 3; 5). Em um universo desmitizado, onde todas as criaturas cantam a glória do Yaohu único (3,52-90 grega), as próprias potências políticas devem reconhecer o domínio soberano de Yaohu (4,31-32; 5,22-23), porque é dele que elas recebem seu poder (4,22b.29b; 5,18-19). Ele é o único ETERNO do tempo e da história, o único revelador dos segredos que apenas ele detém (2,20-23). Pare evocar sua presença, a linguagem da fé recorre a representações simbólicas em que subsistem os vestígios de antigas mitologias despojadas de seu veneno: Yaohu é um Ancião sem idade, cercado por uma corte de servos (7,9-10). Neste ponto, a representação do mundo angélico tende mesmo a se complicar, ao tomar de empréstimo traços novos à simbologia iraniana. Não somente o Anjo do ETERNO intervém para salvar os três jovens na fornalha (3,49,92 grega) e Daniel na cova dos leões (5,23); não somente a chave das visões e dos sonhos pelos quais Daniel é favorecido lhe é fornecida por um anjo-intérprete, como em Ezequiel e Zacarias (7,16ss.; 9,16ss.; 9,21; 10,9 – 11,2; 12,6ss.); mas é por intermédio desses seres sobrenaturais que Yaohu governa o mundo e assegura o cumprimento de seus planos (4,14; 10,13.20s.; 12,1). Assim Yaohu se esconde, mas sua presença é reconhecida, como também sua ação nos acontecimentos maravilhosos que se dão sem a intervenção da mão humana (2,34.45; 3,11-13.20-22; 5,5; 8,25b).

         Fundado na revelação que recebeu de Yaohu, o judaísmo organiza sua vida prática em função da Lei. Esta é a razão pela qual ele insiste tanto nas prescrições legais, lá onde os pagãos não compreendem o sentido (p. ex., em matéria de proibição alimentares: 1,8). A Lei não regula apenas a organização do direito (13,62), mas dá um sentido a todas as obrigações morais e cultuais (3,18.41; 13,23). Ela determina calendário das festas, que nenhum poder humano tem o direito de mudar (7,25b). Ela fornece um quadro para a oração que, mesmo em terras de exílio, se dobra aos ritmos e às posturas fixadas pelo costume (6,11). Formulários de orações já existem em grande número: as passagens líricas do livro imitam sua fraseologia (2,20; 3,33; 4,34b; 6,27s.; 7,27b); o texto hebraico e as adições gregas conservam até mesmo duas orações penitenciais (3,25-45 gr.; 9,4-19) e um cântico (3,52-90 gr.), que são modelos do gênero; sem contar as orações privadas, mais diretamente ligadas às diversas circunstâncias da vida (13,42s.). A oração cristã não terá nenhuma dificuldade em retomar esses formulários adaptando-se às novas perspectivas abertas pelo Evangelho. (Tudo bem, mas, aqui são vontades humanas de “acréscimos” aos livros que, “NÃO FORAM INSPIRAÇÕES DIVINAS POR YAOHU! E, SIM, VONTADES HUMANAS, DE COISAS NÃO INSPIRADAS DIVINAMENTE E TAMBÉM, POR NÃO ENTENDER O TEXTO E MUDANÇAS DA GRAFIA DE DIVERSAS LÍNGUAS...” ANSELMO ESTEVAN). Em uma civilização sincretista onde o helenismo absorve as culturas e as religiões orientais, o judaísmo consegue assim salvaguardar sua originalidade. Não somente o livro de Daniel toma consciência disso, mas ele exalta a seu modo essa situação, única em seu gênero: ele insiste no sucesso excepcional dos judeus fiéis (cap. 1; 2,48; 3,30; 5,29), mostra neles os salvadores das sociedades nas quais estão integrados, e não hesita nem mesmo em considerar a conversão dos reis pagãos, que então proclamam a grandeza do verdadeiro Deus – Yaohu (2,46-47; 3,31-33; 4,34; 6,27-28). {Quero pedir desculpas, se alguns versículos tiverem acréscimos ou não constarem em suas Bíblias. É, que como estes textos, seguem a ordem das Bíblias de texto grego... Podendo ocorrer esses acréscimos... Somente para continuar seguindo a minha linha de raciocínio, continuarei dessa forma para exemplificar os “erros” cometidos nas várias traduções de diversas línguas até o português a nossa língua original e etc.}. Anselmo Estevan. Essa perspectiva é a do proselitismo, que, na mesma época, se esforça por atrair os pagãos para Yaohu de Israel, a ponto de às vezes, integrá-los no povo da aliança levando-as a observar sua lei.

 

 

         2. Teologia da história. Yaohu realiza seu plano misterioso através da história. O universalismo de Jeremias (Jr 25) e da mensagem de reconforto (Is 41,25-29; 45,1-6) atinge agora toda a sua amplidão. Para o apresentar de modo concreto, o autor mostra na história do Oriente Próximo uma sucessão de impérios cujo enfrentamento parece esmagar o povo de Yaohu. No sonho da estátua (cap. 2) como na visão dos quatro Animais e do Filho do Homem (cap. 7). O advento sucessivo do império babilônio, medo, persa e grego é evocado com o auxílio de uma representação convencional, que não constitui o essencial da mensagem. Certo pessimismo domina esta visão das coisas, porque, de crise em crise, essa história manifesta uma degradação progressiva, um crescimento do Mal na humanidade cortada de Yaohu: a estátua com a cabeça de ouro é um colosso com pés de argila (cap. 2) e o quarto Animal sobrepuja por seus malefícios aqueles que o precederam (cap. 7). A história humana é um mistério de pecado, que caminha para seu ponto culminante. Ela é também o lugar onde se afrontam as Potências benéficas (Yaohu e seus anjos, cuja sustentação não poderia faltar ao “povo dos Santos do Altíssimo”) e das Potências adversas que se encarnam de algum modo nos impérios pagãos (cf. 10,13; 10,20 – 11,1). É por essa razão que ela está em marcha para um julgamento final do qual aparecem várias representações simbólicas: queda da estátua (2,44s.), morte de Belshasar (5,24-30), morte do Animal (7,11.24-26), destruição do Bode (8,23-25), fim do Desolador (9,27) que é também o rei perseguidor (11,40-45). Esse anúncio do julgamento está diretamente ligado às circunstâncias trágicas do reino de Antíoco Epífanes. Mas por traz deste perfilam-se já todas as provas futuras do povo de Yaohu, tanto que a profecia conservará uma atualidade permanente nos tempos de crise: o Apocalipse de João tomará dela traços para aplica-los ao império romano perseguidor da Igreja, enquanto o judaísmo subjugado por Roma tirará daí uma mensagem de esperança, sobretudo após a ruína de Jerusalém no ano 70 d.C. [Me desculpem, mas: “Romanos; Gregos – foram contra o povo judeu e etc. Mas é desses povos que: herdamos traduções dos originais perdidos, acréscimos, etc. Nas nossas Bíblias que temos hoje em dia – com Nomes e erros acrescidos desses povos... Estranho isso...”]. Anselmo Estevan. Aqui, tem tudo a ver à Estátua de “Daniel”!

 

 

         3. A mensagem de esperança. O julgamento de Yaohu, que atinge tanto os judeus infiéis como as orgulhosas potências pagãs, constitui apenas um momento crítico no desdobramento e no desvendamento do plano de Yaohu. Para além dele, as perspectivas de esperança abertas pelas promessas dos profetas permanecem mais que nunca atuais. A referência do autor a essas promessas está explicitamente patente no cap. 9, que atualiza um texto de Jeremias em função das circunstancias presentes. Todos os textos sagrados que tinham valor de promessas eram sem dúvida relidos pelo autor em uma perspectiva semelhante. Mas, conduzindo até as suas últimas conseqüências um processo já desencadeado nas profecias pós-exílicas, ele transpõe as antigas promessas para um plano que ultrapassa os limites da história terrestre e do sucesso temporal. Israel é antes de tudo o depositário e o beneficiário do Reino de Yaohu, cuja vinda constitui o termo real da história humana. É nesse Reino sobre-humano e trans-histórico que desemboca a sucessão dos impérios (2,44). Sua representação sob os traços do Filho do Homem, entronizado diante de Yaohu (7,13-14), sublinha sua transcendência; mas o povo dos Santos do Altíssimo (Israel) será o seu suporte terrestre. Para estar à altura de tal vocação, este deve, no entanto sofrer uma provação que o purificará (11,35; 12,10): tal é o sentido da perseguição com a qual o judaísmo palestino está se havendo. Esta desemboca na vinda daquilo que os rabinos chamarão o mundo vindouro; tanto na visão alegórica do cap. 7 como no oráculo de 12,1-4, esse “mundo vindouro” reveste os traços de um universo transfigurado. Certos textos da escatologia pós-exílica preludiavam essa idéia (cf. Is 25,7-8; 30,26; 65,17-25; Zc 14,6). Seus dados se organizam agora em uma representação de conjunto que deixa muito para trás de si a promessa deuteronômica de uma vida pacífica na terra santa. O que se espera é a irrupção das realidades celestes já aqui.

         Para atingir esse termo, Israel mesmo será submetido ao Julgamento divino: Somente o RESTO – REMANESCENTE – daqueles que “estiverem inscritos no Livro” (12,1) participará da felicidade do “mundo futuro”. Mas o princípio assim estabelecido não pode deixar de se aplicar também aos judeus que, no passado próximo, deram sua vida pela sua fé. Aqui o autor responde à questão suscitada pela experiência do martírio. Ele não se contenta em exortar seus contemporâneos a afrontar, se necessário, a morte, afirmando que Yaohu pode preserva-los dessa fornalha (3,38) e dessa cova de leões (6,22). Ele estabelece como princípio que sua potência triunfará do poder da própria Morte, naqueles que por ela foram vitimados. Sua participação imerecida na sorte comum dos homens lhes vale um lugar no mundo vindouro. Assim se afirma com nitidez, pela primeira vez no Antigo Testamento, a promessa da ressurreição individual (12,2-3). Do mesmo modo, para retomar uma representação clássica freqüentemente utilizada nos profetas e nos salmos, os Infernos (Sheol), domínio da Morte, tornam-se o Inferno, lugar da ausência de Yaohu e exclusão do mundo vindouro. O segundo livro dos Macabeus atesta que essa mensagem de esperança desempenhou um papel capital na sustentação da fé dos mártires (2Mc 7,9.11.14.23.29) – Livro apócrifo. O desenvolvimento ulterior da revelação não se contentará com ratificar essa doutrina. Ele encontrará aí um quadro bem preparado para que se tornem inteligíveis a morte e a ressurreição de Yaohushua. Daniel serve assim de um traço-de-união entre a teologia dos profetas e a mensagem do Novo Testamento.

 

 

 

VAMOS AS PRINCIPAIS PERSONAGENS DE DANIEL:

 

 

         DANIEL

         Pontos fortes e êxitos:

         Apesar de jovem quando deportado, permaneceu leal à sua fé.

         Serviu como conselheiro a dois reis babilônicos e dois reis medo-persas.

         Era um homem de oração e um estadista com o dom da profecia.

         Sobreviveu à cova dos leões.

 

 

         Lições de vida:

         As convicções silenciosas freqüentemente ganham respeito em longo prazo.

         Não espere chegar a uma situação difícil para aprender sobre oração.

         Yaohu pode usar as pessoas onde quer que estejam.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Judá e as cortes da Babilônia e da Pérsia.

         Ocupação: Um cativo de Israel que se tornou conselheiro de reis.

         Contemporâneos: Hananias. Misael, Azarias, Nabucodonosor, Belsazar, Dario e Ciro.

 

 

 

         Versículo-chave: “Porquanto se acho neste Daniel um espírito excelente, e ciência, entendimento, interpretando sonhos, e explicando enigmas, e solvendo dúvidas, ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar; chama-se, por agora Daniel, e ele dará interpretação” (Dn 5,12).

 

 

         A história de Daniel é narrada no livro de Daniel. Ele é também mencionado em Mateus 24,15.

 

 

 

         SADRAQUE/MESAQUE/ABEDE-NEGO

         Pontos fortes e êxitos:

         Posicionaram-se a favor de Daniel, não comendo o alimento da mesa do rei.

         Compartilharam uma amizade que resistiu aos testes da dificuldade do sucesso, da riqueza e da ameaça de morte.

         Recusaram-se a comprometer suas convicções próprias, mesmo em face da morte.

         Sobreviveram à fornalha ardente.

 

 

         Lições de vida:

         Existe uma grande força na amizade verdadeira.

         É importante estar com aqueles que possuem convicções iguais às nossas.

         Podemos confiar em Yaohu mesmo quando não é possível predizer os resultados.

 

 

         Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Servos e conselheiros do rei.

         Contemporâneos: Daniel e Nabucodonosor.

 

 

 

         Versículos-chave: “Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio. Eis que o nosso Deus – Yaohu, a quem servimos, é que nos pode livrar, ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste” (Dn 3,16-18).

 

 

 

         A história de Sadraque (Hananias), Mesaque (Misael) e Abede-Nego (Azarias) é contada no livro de Daniel.

         NABUCODONOSOR

         Pontos fortes e êxitos:

         O maior dos reis da Babilônia.

         Conhecido como um construtor de cidades.

         Descrito na Bíblia como um governador estrangeiro a quem Yaohu usou para seus propósitos.

 

 

         Fraquezas e erros:

         Considerou-se um deus e foi persuadido a construir uma estátua de ouro que todos deviam adorar.

         Tornou-se extremamente orgulhoso, o que o levou a insanidade.

         Tendia a esquecer-se das demonstrações do poder de Yaohu que havia testemunhado.

 

 

         Lições de vida:

         A história registra as ações dos servos voluntários de Yaohu e dos que inconscientemente, foram seus instrumentos.

         A grandeza de um líder é afetada pela qualidade de seus conselheiros.

         O orgulho incontrolado é autodestrutivo.

 

 

Informações essenciais:

         Local: Babilônia.

         Ocupação: Rei.

         Familiares: Pai – Nabopolassar; filho – Evil-Merodaque; neto – Belsazar.

         Contemporâneos: Jeremias, Ezequiel, Daniel, Jeoaquim e Joaquim.

 

 

 

         Versículo-chave: “Agora, pois, eu, Nabucodonosor, louvo, e exalço, e glorifico ao Rei dos céus, porque todas as suas obras são verdades, e os seus caminhos, juízo, e pode humilhar aos que andam na soberba” (Dn 4,37).

 

 

 

         A história de Nabucodonosor é contada em 2 Reis 24 – 25; 2 Crônicas 36; Jeremias 21 – 52; Daniel 1 – 4.

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

OSEIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Oseias.

         Propósito: Mostrar que o tumulto no Reino do Norte era o justo julgamento divino que havia levado ao exílio e garantir ao povo de Yaohu que uma grande restauração aconteceria após esse período.

         Data: Cerca de 760-722 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu é um marido ciumento e o seu povo é a sua esposa. (Falando humanamente). Anselmo Estevan.

         Yaohu demonstra grande bondade para com o seu povo, mas este se volta contra ele.

         Yaohu punirá o seu povo pelas claras violações de sua aliança.

         Yaohu jamais abandonará completamente o seu povo, mas irá restaurá-lo para viver com ele as bênçãos da aliança.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Oseias registra as suas experiências e palavras a serviço dos propósitos de Yaohu para Israel. O profeta explicou as razões para a derrota do Reino do Norte e deu ao povo de Yaohu esperança quanto à futura restauração.

         Outros temas aparecem ao longo do livro. (1) Oseias enfatizou a singularidade da soberania (12,9; 13,4) e da santidade (11,9) de Yaohu, a quem a adoração é a única resposta apropriada (3,5); Yaohu não tolera nenhuma reivindicação rival. Todas as coisas estão sob o seu controle, seja a prosperidade (2,8), a história de Israel (5,14.15) ou das nações (10,10). (2) O tema da infidelidade conjugal/pactual – simbolizado pelo relacionamento de Oseias com a sua esposa, Gômer, e com seus filhos – domina o livro (p. ex., 2,2-5; 3,3; 4,10-19; 5,3-7; 6,10; 8,9; 9,1). (3) Oseias enfatizou o arrependimento, chamando o desobediente Israel a voltar para o ETERNO, a quem havia abandonado, e a restabelecer um relacionamento fiel com ele (2,19-20). (4) Outro tema importante trata do real significado entre conhecer ou reconhecer a Yaohu (p. ex., 2,8.20; 4,1.6; 5,4; 6,3.6; 13,4), palavras que Oseias usa como termos técnicos para intimidade, lealdade e obediência na aliança.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM OSEIAS.

(Yaohushua):

 

         Oséias revela O UNGIDO pelo menos de quatro maneiras. Primeiro, o tema do iminente julgamento de Israel, pelas mãos dos assírios, antecipou o julgamento que viria e ainda virá em O UNGIDO. O ministério de Yaohushua fez distinção entre o justo e o injusto de Israel. Yaohushua pronunciou o julgamento sobre o povo da aliança que abertamente violou o seu relacionamento com Yaohu (Mt 23,13-39). Ainda hoje, a mensagem do evangelho separa os que serão salvos dos que serão julgados (2Co 2,16; 1Ts 5,5; 1Pe 2,9). Quando O UNGIDO retornar, o julgamento final contra todos os inimigos de Yaohu, de dentro e fora da aliança, acontecerá (Mt 25; At 24,25; Ap 14,7).

         Segundo, Oseias equilibrou a sua mensagem de julgamento com a certeza da restauração depois do exílio. Esse tema apontou de maneira ainda mais direta para O UNGIDO. Oseias declarou que após um exílio, “nos últimos dias” (3,5), Yaohu perdoaria o seu povo (14,1-3), renovaria a sua aliança com ele (2,1) e lhe concederia muitas bênçãos (14,4-7). O Novo Testamento revela que um perdão como esse (Mt 26,28; Lc 24,47), a renovação da aliança (Mc 14,24; Hb 8,1-13) e as bênçãos eternas (Mt 25,46; Jo 10,28; Ef 1,14; 2Tm 2,10) cumpririam-se em O UNGIDO (At 2,17; 2Tm 3,1; Hb 1,2; Tg 5,3; 2Pe 3,3). Paulo e Pedro citaram Os 1,9-10 como tendo se cumprido em O UNGIDO, por meio da incorporação dos gentios – que estavam sob a maldição do exílio (Rm 9,25-26; 1Pe 2,10) –, ao povo de Yaohu junto com os judeus.

         Terceiro, a experiência de casamento, divórcio e novo casamento de Oseias (caps. 1 – 3) previu O UNGIDO ao fazer o paralelo da experiência de Yaohu com o seu povo da aliança. O retrato de Israel como a noiva do ETERNO é o pano de fundo que o apóstolo Paulo usou ao referir-se à Igreja como a noiva de O UNGIDO (Ef 5,23-32; cf. Ap 19,7).  A igreja tem a mesma posição no pacto de relacionamento com Yaohu que Israel tinha. As bênçãos, os julgamentos, os privilégios e as responsabilidades do antigo Israel anteciparam o que foi, está e será realizado em O UNGIDO.

         Finalmente, como um tema menor, Oseias incluiu o restabelecimento do trono de Davi na sua visão da restauração após o exílio (1,10-11; 3,5). Essa esperança era totalmente messiânica, uma profecia de que o grande Filho de Davi governaria sobre todo o seu povo. O Novo Testamento ensina que Yaohushua cumpriu essa esperança; ele é o Rei dos reis e ETERNO dos ETERNOS (1Tm 6,15; Ap 19,16).

 

 

 

         OSEIAS: O livro de Oseias é o primeiro da coleção dos doze profetas tanto na seqüência dos livros hebraicos (seqüência retomada pela versão latina “Vulgata”) como na seqüência dos livros da antiga versão grega dos “Setenta” (Septuaginta). Oseias é certamente um dos mais antigos dos profetas “escritores” – isto é, daqueles cujo nome se prende a determinado livro –, um pouco posterior apenas ao profeta Amós. Oseias viveu e pregou no reino do Norte, dito “de Israel” (que ele também chama Jacó, 12,3; e, mais freqüentemente ainda, Efraim, 4,17), por volta de 750-725 a.C. O primeiro versículo do livro menciona um só rei de Israel: Jeroboão, filho de Joás. Esse Jeroboão, o Segundo, teve um longo e próspero reinado, mas foi o penúltimo rei da dinastia de Iehu, cuja próxima extinção Oseias anunciou em 1,4 (em 2Rs 14,13 – 17,23 encontramos notícias dos reinados durante os quais se exerceu a atividade de Oseias), Zacarias, filho de Jeroboão II, foi assassinado após seis meses de reinado, mas Shalum, o usurpador, só se manteve um mês no trono da Samaria, onde, por sua vez, foi morto por Menahêm. Este reinou por mais tempo e seu filho Peqahiá lhe sucedeu, mas também foi assassinado após dois anos de reinado. O novo usurpador, Péqah, foi morto alguns anos mais tarde por Oseias, portador do mesmo nome do profeta, e último rei de Israel: após um cerco de três anos, a tomada de Samaria pelos assírios acarretou em 721 ou 722 a ruína definitiva do reino do Norte.

         Ora, o primeiro versículo do livro de Oseias menciona vários reis de Judá, o reino do Sul, contemporâneos das reviravoltas dinásticas que Israel experimentou; o último mencionado, Ezequias, reinou mesmo após a destruição de Samaria.

         Doutro lado, existem no livro de Oseias, especialmente no capítulo 7, alusões ao conturbado período que se seguiu ao reinado de Jeroboão II e às revoluções palacianas que o caracterizaram. Por conseguinte, as indicações cronológicas inseridas no início do livro são posteriores ao desastroso fim do reino do Norte; não há indício seguro de que Oseias tenha sabido da queda de Samaria; é provável que tais indicações sejam devidas a um redator de Judá, que as acrescentou no momento em que as palavras de Oseias foram recolhidas num único livro. Se tal redator guardou silêncio a respeito dos monarcas que, em Israel, reinaram após Jeroboão II, não o terá feito em consonância com o juízo proferido pelo profeta em nome de Yaohu: “Instituíram reis sem mim” (8,4)? São usurpadores, não reis legítimos cujos nomes mereçam passar para a posteridade.

         Situação histórica. A instável situação da política interna do reino do Norte corresponde às condições precárias da situação da política externa. A Assíria estava prestes a assumir a hegemonia no Oriente Médio. Tiglat-Piléser III e seus sucessores, Salmanasar V e Sargon II, foram levados a multiplicar as campanhas militares no Ocidente: os reinos arameus da Síria, as cidades da Fenícia, o reino de Israel, as cidades filistéias sofreram as conseqüências dessa expansão. O reino de Judá não ficou isento de perturbações (temos eco desse drama nos mais antigos oráculos do livro de Isaías, contemporâneo de Oseias); todavia Judá sobreviveu mais de um século a seu irmão inimigo do Norte. Na mesma época, a outra grande potência do Oriente Médio, o Egito, estava debilitada, mas fomentava desordens nas regiões que a Assíria ia subjugando. O livro de Oseias mostra-nos Efraim-Israel em constante oscilação entre as duas potências (7,11), fazendo um jogo cujo trágico resultado não escapa ao olhar lúcido do profeta: seria, em prazo mais ou menos curto, a queda sob o avanço arrasador dos assírios, com a repressão, a deportação das elites – políticas mediante a qual os conquistadores queriam garantir a sujeição definitiva das terras ocupadas (8,8); e a fuga ao Egito, para os que conseguissem escapar (9,6).

 

 

         Contexto religioso e moral. A política externa e interna não era o único objeto das críticas do profeta e das sentenças que ele proferia em nome do seu Deus – Yaohu. Ele denunciou em Israel uma corrupção moral profunda (4,1-2; 6,7-10; 7,1), a falta absoluta de justiça social, a responsabilidade culposa das elites. Principalmente na infidelidade religiosa. Oseias vê a raiz de todas as outras formas de corrupção e a causa de todas as desgraças. Oseias não foi o primeiro profeta em Israel a se insurgir contra a infidelidade religiosa, reivindicando a pureza e o absoluto das exigências do ETERNO, o Deus que fizera Israel sair do Egito e que não tolerava repartir seu culto com outros deuses. Mas talvez a situação que Oseias teve de enfrentar fosse menos nítida, talvez a sedução do sincretismo fosse mais dissimulada e, portanto, mais perigosa do que, por exemplo, na época de Elias (cf. 1Rs 18). {Nitidamente o culto a Baal – e agora trocando o Nome do Deus Vivo “Yaohu” - para SENHOR = BAAL. Anselmo Estevan.}.

         O mais grosseiro fascínio era o dos deuses de Canaã. Era tentador adotar, não necessariamente no lugar, mas ao lado do ETERNO, divindades cananéias, consideradas de modo geral como as provedoras das necessidades da vida camponesa: eram deuses das forças da natureza, das chuvas, das tempestades, da fertilidade do solo. Os israelitas podiam querer conciliar os favores dos deuses de Canaã, tomando assim todas as cautelas para sobreviver bem, sem abandonar a Yaohuo Deus dos pais. Aliás, este sincretismo religioso devia ser facilitado pelo fato de que, para alguns israelitas, não era senão o retorno a antigos costumes até certo ponto abandonados por ocasião da aliança de Siquém (Js 24). À sedução dos lugares altos (4,12s.) Oseias opõe corajosamente a sedução que o ETERNO há de exercer em relação ao seu povo (2,16-25). De resto, o profeta vai muito longe nessa tática, voltando contra os partidários da religião Cananéia os seus próprios argumentos: não é o ETERNO mesmo, e não os deuses de Canaã, que assegura ao seu povo a fertilidade do solo (2,7-11.23-25; 14,6-9)?

 

 

         O casamento do profeta. A audácia do profeta Oseias tem algo de surpreendente. Ele realiza simbolicamente na sua própria vida as relações entre o ETERNO e o povo infiel. Ele se põe, por assim dizer, no lugar de Yaohu, toma a si os sentimentos que o ETERNO parece experimentar; é digno de nota que no livro de Oseias o ETERNO fale freqüentemente na primeira pessoa. O casamento de Oseias (nos três primeiro capítulos do livro) sempre foi um dos pontos mais controvertidos da exegese bíblica. Verdade é – voltaremos a isto – que o aspecto anedótico aí tem pouca importância em relação à mensagem do profeta. Todavia não se deve deixar de levar em consideração uma possível experiência dramática de Oseias em sua vida matrimonial; nem é provável que se trate uma simples imagem literária. Observaremos nas notas que, se os filhos de Oseias têm nomes simbólicos, o mesmo não de dá com Gômer; se se tratasse de pura e simples ficção, a mulher de Oseias é que deveria ser mais marcada, até em seu nome, pelos traços da alegoria. O casamento de Oseias, sem ser uma ficção, é um símbolo; por isso, é quase impossível, encontrar o elemento factual por trás da narrativa – e seria também inútil. Trata-se, antes, de uma ação profética, à semelhança dos gestos realizados pelos profetas (cf. Ez 20,1-6; At 21,10-14), cujo significado é transmitido pelo próprio gesto; aliás, todo o livro de Oseias é um comentário da ação profética dos capítulos 1 – 3. Os comentadores têm discutido muito a respeito de Os 3: apresenta novo casamento, com outra mulher que não Gômer? (A respeito veja-se a nota relativa a 3,1, que aborda a dificuldade de tradução no caso.). Parece mais verossímil que Os 3 se refira a Gômer ressaltando a intensificação do amor de Oseias por Gômer, isto é, do amor do ETERNO para com o seu povo. Oseias sabe que Gômer é infiel, e, podemos dizer, desesperadamente infiel. A expressão insólita “mulher de prostituição” já é simbólica, mas é bem provável que Gômer estivesse envolvida nos cultos de fertilidade de origem Cananéia e que tomasse parte na sua liturgia sensual (ver o que sugerem passagens como Os 2,4.15; 4,13-14). Esposar tal mulher já era um gesto insensato... Tão insensato quanto o amor do ETERNO por seu povo. Voltar a procura-la e preservar a união com ela, sem que houvesse reciprocidade nesse amor, devia ser um extraordinário aprofundamento de tal amor. Só a experiência de um isolamento total – inclusive com relação ao marido – poderia levar Gômer à reflexão e à conversão; da mesma forma, só a experiência de um despojamento total dos próprios bens – inclusive dos bens religiosos ou do relacionamento com Yaohu – poderia induzir Israel ao retorno a si mesmo e ao retorno ao seu Yaohu. Ao mesmo tempo, porém, Os 3 manifesta o apego de Oseias a Gômer até mesmo quando esta se tornou infiel, e porque ela se fez infiel! Manifesta a fidelidade do ETERNO ao seu povo até mesmo no pecado e apesar do pecado, do qual Israel não se podia livrar: na verdade, só o amor de Yaohu a Israel podia livra-lo do pecado. Assim há no livro de Oseias, ou na extravagante aventura de sua vida conjugal, uma experiência que esclareceu ao homem o que pode ser o coração de Yaohu: O que, na plenitude dos tempos, seria formulado para os Remanescentes pelo Apóstolo: “Sim, quando ainda estávamos sem força, O UNGIDO, no tempo determinado, morreu em prol de ímpios. Dificilmente alguém se disporia a morrer por um justo; talvez aceitasse morrer por um homem de bem. Mas nisto Yaohu prova o seu amor para conosco: O UNGIDO morreu por nós quando ainda éramos pecadores(Rm 5,6-8). Amando Gômer tal como era, Oseias compreendeu e soube exprimir o amor do ETERNO para com seu povo tal como era. É por isso que no livro de Oseias o amor prepondera sobre a indignação e a cólera; todavia não se trata de amor idílico e ignorante, e sim de amor amadurecido pelo sofrimento, cuja exigência não reconhece o fracasso.

 

 

         O Deus – Yaohu – de Israel e os baalim. Se Oseias reivindica para o ETERNO, e só para Ele, os privilégios geralmente atribuídos aos deuses de Canaã, não deixa de manifestar rigorosa intransigência para com o vocabulário e os símbolos da religião Cananéia, e não apenas para com as práticas da mesma. Verdade é que o profeta pode valer-se da semelhança de certas palavras (ver principalmente a nota a 14,9): contudo ele o faz de modo velado e sutil. Em compensação, reprova sem tolerância uma prática usual: a palavra Baal, Senhor, era o nome próprio de uma divindade de Canaã; era também o nome pelo qual a mulher podia designar seu marido; além do que, em Israel se adotara o costume de assim designar o Senhor Deus. Ora, Oseias não quer que o nome de Baal seja sequer pronunciado (2,19), nem para designar outros deuses, nem para designar o “Senhor” (2,18). [“Obs”: Na Bíblia não católicas esses versículos estão em: Os 2,13-17]. Anselmo Estevan. Provavelmente há algo de análogo na total rejeição das imagens e dos ídolos. Sem dúvida, os devotos poderiam ver nessas imagens não um deus propriamente dito, mas um símbolo da divindade: assim os jovens touros dos santuários do Norte (que Oseias zombeteiramente chama bezerros) foram concebidos como símbolos e não como representações da divindade; em Canaã esculpiam-se representações de deuses sob forma humana de pé sobre um animal; representando este apenas o suporte da divindade (ela mesma invisível), poderiam os fiéis julgar que estavam guardando o respeito devido à transcendência do ETERNO e, ao mesmo tempo, falando aos homens uma linguagem religiosa que pudessem compreender, pela utilização de símbolos a eles familiares. Todavia, se neste ponto o profeta se mostra de todo intransigente, isto se deve ao fato de que tal prática levara ao ecletismo (podemos comparar a esta atitude de Oseias a do Apóstolo Paulo em face das carnes imoladas aos ídolos, 1Co 8 – 10). Tal atitude contrasta vivamente com a que o profeta assume em outras passagens, pois, como dissemos, ele apresenta com convicção o ETERNO como o verdadeiro Deus – Yaohu, do qual se deve esperar a fertilidade da terra; contudo, o faz de maneira velada e prudente (14,9), tomando cuidado para não reduzir o ETERNO a uma das forças cegas da natureza (Oseias respeita o curso normal dos acontecimentos da natureza, como se depreende de uma leitura atenta de 2,23-24). Em todo caso, contraste não é contradição; é mesmo um modo de exprimir matizes em linguagem colorida e veemente. Oseias não tenciona banir o “Senhor” da linguagem e do pensamento religioso dos homens, mas quer que a religião esteja isenta de qualquer forma de meio-termo (sincretismo, ecletismo). {O certo, seria: “NÃO DEIXAREM DE PRONUNCIAR O NOME PRÓPRIO DO DEUS VIVO – POR SER UM NOME TÃO TEMEROSO, ETC. NÃO ACONTECERIA, DE FORMA ALGUMA TAL SACRILÉGIO – EU PRONUNCIO COM RESPEITO – YAOHU”.}. Anselmo Estevan. SENHOR, Senhor –, É igual a BAAL!! (O DIABO...). 2Co 4,4.

         É por isso também que o profeta polemiza duramente contra a religião exterior, os sacrifícios e os ritos do culto. Ele não combate apenas às práticas suspeitas (4,12-14), mas práticas das mais tradicionais e reconhecidas. O que ele denuncia não é tanto o rito ou o sacrifício como tal, mas o espírito com o qual tais práticas religiosas são vivenciadas: a presunção de crer que a execução exata dos ritos basta para garantir para si automaticamente os favores de Yaohu. Compararemos 6,1-8 e 14,2-4. O ETERNO não se deixa iludir pelas demonstrações de uma piedade que, no momento do culto, pode ser sincera, mas que não implica a autenticidade da vida. Ele espera a expressão de um verdadeiro arrependimento e as provas de amor que coincidam com a conduta da pessoa. Ao lembrar isto, Oseias ultrapassa a polêmica negativa: Eu os curarei da sua apostasia (14,5), {nas Bíblias protestantes leia-se 14,4} Anselmo Estevan; pois não é só Yaohu que pode dar ao homem a graça de viver a verdade do amor? O texto de 2,20-22 o anuncia: à justiça e ao direito da antiga aliança o ETERNO acrescentará a feição e a ternura; ele estabelecerá com seu povo um novo tipo de relações baseadas na verdade e na fidelidade do coração, expressas pelas imagens da intimidade amorosa. O livro de Jeremias, que tanto deve a Oseias, dirá que se trata de uma aliança nova e que, para instaura-lo, Yaohu muda o coração do homem (31,31-34).

         O livro de Oseias supõe uma época terrivelmente sombria. A situação moral e social é de corrupção total; a situação religiosa é de infidelidade; a situação política, para um observador lúcido, é desesperada. Sem dúvida, a mensagem do profeta está carregada de censuras e ameaças. Mas eis ainda um desses contrastes que chamam a atenção: vista em profundidade, a mensagem de Oseias é uma palavra de ternura e de esperança. As circunstâncias da história, as atitudes dos homens compõem um quadro sombrio. Mas as censuras proferidas em nome de Deus – Yaohu – especialmente veementes, por proceder de um amor decepcionado – cedem bruscamente às efusões de um amor que nada consegue desanimar, porque teve a iniciativa (9,10; 11,1) e, por isto, terá também a palavra final; esse amor não somente será mais forte do que a cólera (11,6-9), mas apagará o próprio pecado (14,5).

 

 

         A formação do livro. Certamente não é por  acaso que o livro termina com uma maravilhosa promessa; os seus oráculos – percebe-se – foram coletados segundo certa ordem. Mas não é fácil identificar o fio condutor dos mesmos. Com efeito, trata-se de uma coletânea de oráculos e palavras pronunciadas em circunstâncias determinadas, das quais só podemos reconhecer algumas.

         Os primeiros capítulos consideram próximo o fim da dinastia de Iehu (1,4); pertencem ao início da atividade do profeta, provavelmente sob Jeroboão II. A segunda parte do cap. 5 alude a uma guerra (geralmente dita “siro-efraimita”), no decorrer da qual Judá dilatou seu território setentrional às custas de Israel (cf. 5,10). O fim do livro apresenta a ruína de Samaria como iminente, mas ainda não efetuada (13,9-14). Dentro deste quadro cronológico, que corresponde ao terceiro quarto do século VIII, as freqüentes alusões à política de balança de Israel entre o Egito e a Assíria, e principalmente as violentas censuras contra as intrigas palacianas que estão constantemente a perturbar a sucessão dinástica (cap. 7, cujo sentido geral é claro, apesar da obscuridade dos pormenores) são outros tantos indícios que levam a situar o livro dentro do período indicado. Todavia grande parte dos oráculos dizem respeito à situação moral e religiosa; de modo geral tem-se a impressão de que os mesmos temas voltam sem estrita concatenação – ainda que o capítulo final possa ser considerado auge e ponto de chegada.

         É quase impossível definir com precisão o papel que o próprio Oseias desempenhou  na redação dos oráculos. Observamos que principalmente nos três primeiros capítulos o tom é muito mais pessoal do que no resto do livro; é provável que tenhamos aí seções da lavra do próprio Oseias. Contudo, se quiséssemos daí extrair os elementos biográficos para reconstituir uma fase da vida do profeta e a sua psicologia profunda, correríamos o risco de não o conseguir e de passar ao largo da própria mensagem. Qualquer que tenha sido a experiência conjugal de Oséias (em particular, quer o cap. 3 se refira a segundas núpcias, quer à retomada da primeira aventura), é mais importante observar que essa experiência conjugal nos é apresentada não pelo interesse que possa ter, em si, como episódio ocorrido entre Oseias e sua mulher infiel, mas como o símbolo das relações entre o ETERNO e o povo escolhido. Os nomes dos filhos, a constante transição da segunda para a terceira pessoa e do singular para o plural, uma espécie de confusão intencional entre a mãe e os filhos envolvidos nas mesmas censuras, tudo nos dá a ver que o que nos é narrado dessa história pungente não se destina a satisfazer nossa curiosidade, mas “a nos instruir” (1Co 10,11; cf. Os 14,10). Aliás, já se disse que o primeiro versículo do livro foi provavelmente escrito em Judá após a queda da Samaria. No restante do livro encontram-se outros indícios de redação na Judéia (veja 1,7 e nota); os comentadores mostraram assim como palavras inspiradas em vista da situação especial do reino do Norte podiam ser aplicadas ao reino do Sul – o que não quer dizer que todas as passagens em que é mencionado Judá sejam de um redator da Judéia. Ainda o último versículo do livro, reflexão sobre o conjunto da mensagem do profeta, tal como foi consignado por escrito, é também provavelmente obra de um redator. Estas observações de crítica literária não têm apenas interesse técnico: acrescentando ao texto elementos redacionais, os escritores bíblicos mostraram a atualidade sempre viva da Palavra de Yaohu, para além das circunstâncias históricas precisas que suscitaram a primeira redação.

         Embora Oseias tenha tido exígua participação na redação escrita dos seus oráculos, podemos admitir que estes tenham sido fielmente consignados: as características muito pessoais da linguagem e do estilo dão válido testemunho disto. O estilo é passional, veemente, a linguagem é forte e sonora. Mas é linguagem freqüentemente difícil, estilo, não raro, obscuro, principalmente por causa da concisão (que também lhe confere beleza). As frases são curtas e ritmadas, mas a brevidade da expressão, as construções sintéticas, a falta de coordenação, tudo o que contribui para dar à obra aspecto de poesia encantadora, faz do livro de Oseias um dos mais difíceis do Antigo Testamento hebraico, e, por conseguinte, um daqueles cujo texto foi mais submetido à crítica conjetural.

 

 

         A influência do livro. A influência do livro de Oseias foi profunda através de toda a Bíblia. Jeremias é, sem dúvida, no Antigo Testamento, aquele que mais a experimentou. Retomou o tema da volta ao deserto (Jr 2,2s. e Os 2,17), e desenvolveu o da nova aliança. A imagem do livro de Oseias que mais repercussão teve é o das núpcias, significando as relações entre Yaohu e seu povo, associando-se-lhe os temas da infidelidade, do adultério e da prostituição. Encontramos tal imagem em Jeremias (2,23s.; 3,1; 30,14; 31 – 32), em Ezequiel (16 e 23), no Segundo Isaías (50,1; 54,4-7; 62,4s.); talvez seja ela a chave de interpretação do Cântico dos Cânticos. Em todo o caso, é mediante a imagem das núpcias que o Novo Testamento simboliza a união entre O UNGIDO e a Igreja, assim como no Antigo Testamento essa imagem simbolizava a união entre o ETERNO e o seu povo (Mc 2,19s.; Ef 5,25...). O Novo Testamento cita dezessete vezes o livro de Oseias, mas a sua influência não pode ser avaliada apenas pelo retorno das mesmas imagens e pelo número de referências explícitas. A teologia do livro de Oseias é a teologia do amor de Yaohu. Este amor se exprime pela solicitude e ternura na imagem do amor do pai para com seu filho; utiliza a linguagem da paixão humana na imagem do amor do homem e da mulher. Já que Oseias teve a audácia de dize-lo, é preciso que o digamos com ele: o ETERNO é um Deus apaixonado – Yaohu; fala do seu desejo, da sua decepção, da sua indignação, da sua cólera – e também da sua ternura, sempre a mais forte, pois a última palavra não pertence à cólera e à punição, mas, para lá da inevitável provação, à felicidade numa união para sempre fiel. Trata-se de uma ternura que é o contrário da fraqueza: é força de Yaohu, capaz de transformar o coração do homem e de fazer desaparecer até a recordação do pecado. Mais: Yaohu não espera o retorno do pecador para ir-lhe ao encontro. Assim o livro de Oseias vai ao que há de mais profundo na teologia e na piedade, pois, revelando a ternura de Yaohu, revela Yaohu tal como Ele é: Amor. Se esta palavra aí não aparece tão claramente quanto em João, não obstante a revelação do amor, no livro de Oseias, não pode ser posta em dúvida.

         Visto que vai ao essencial, pela profundidade e a veemência da sua mensagem, o livro de Oseias é, hoje como ontem, uma palavra dirigida por Yaohu ao seu povo e à sua Igreja. O último versículo do livro convida o leitor a estar atento à atualidade da palavra de Yaohu: “Quem é bastante inteligente para compreender...?” ou, dirá Yaohushua: “Quem tem ouvidos para ouvir...?” Assim a revelação bíblica, tão inserida nas circunstâncias da história, é, para todos aqueles que a ouvem, para todos os que abrem este livro, uma palavra de Yaohu. Ao seu Povo, à sua Igreja, o ETERNO dirige hoje por Oseias uma palavra que é, simultaneamente, de censura e de ternura, de rigor e de amor. O amor de Yaohu faz esta exigência: Afastai de vós toda injustiça, preservai-vos do Logro dos ídolosexigência absoluta, inapelável. Esta exigência, porém, é a do amor na verdade: Se Yaohu quer habitar, sem parceiro, no coração do homem, isto se explica porque, na realidade, ele não tem par; os ídolos nada são, e o socorro que vem tão-somente do homem é ilusório para aqueles que Yaohu escolheu; exclusivamente do ETERNO procedem a felicidade e a vida. É com estas palavras que se encerra o livro de Oseias, palavras que fundamentam a esperança da fé. Sem dúvida, o livro de Oseias não contém toda a revelação bíblica, mas vai tão longe e tão fundo que o povo de Yaohu até hoje não o pode ler sem estremecer de esperança e sem se interrogar a respeito da pureza da fé.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

JOEL

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Joel.

         Propósito: Chamar o povo de Yaohu ao arrependimento para que possa escapar do juízo e desfrutar das bênçãos trazidas com a chegada do Dia do ETERNO.

         Data: Desconhecida.

         Verdades fundamentais:

         Os juízos temporários e históricos chamam ao arrependimento.

         Os juízos temporários indicam a importância do  arrependimento para o grande Dia do ETERNO.

         Ao povo arrependido Yaohu promete livramento do juízo e infindáveis bênçãos no futuro.

 

 

 

         Propósito e características

         Embora a unidade do livro tenha sido questionada pelos críticos do final do século 19 e início do século 20 (eles achavam que autores distintos haviam escrito a seção contemporânea [1,1 – 2,17] e a futurista [2,18 – 3,21] do livro), a maioria dos comentaristas atuais defende a sua unidade essencial. Características como a repetição do tema o “Dia do ETERNO” (1,15; 2,1.11.31; 3,14) e os elos verbais entre as seções (p. ex., 2,2 e 2,31; 2,10-11 e 3,16; 2,10 e 3,15; 2,11 e 31; 2,17 e 3,17) apontam para essa unidade.

         Um tema teológico central no livro de Joel é o conceito do “Dia do ETERNO”. Em 1,15 o Dia do ETERNO é apresentado no contexto da descrição que Joel faz da terrível devastação que, segundo ele acreditava, prenunciava um juízo futuro ainda maior. Desse modo, nesse primeiro exemplo, tal como Amós (Am 5,18-20; cf. Sf 1,7-13), Joel declara que o Dia do ETERNO é um dia de julgamento contra o próprio povo de Yaohu. Do mesmo modo, Joel descreve no cap. 2 o Dia do ETERNO como um dia “terrível” (2,11), “dia de escuridade e densas trevas, dia de nuvens e negridão” (2,2), um dia em que o ETERNO liderará o seu exército contra Israel. Contudo, na segunda parte do livro, Joel concentra-se no Dia do ETERNO como um dia de julgamento dos inimigos do povo de Yaohu, enquanto o povo de Yaohu será protegido e abençoado (Is 13; Jr 46 – 51; Ez 25 – 32).

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM JOEL.

(Yaohushua):

 

         O livro de Joel tem ocupado um lugar importante na vida da Igreja. O Novo Testamento deixa claro que Yaohushua e seus seguidores estavam familiarizados com os escritos de Joel, e sua influência está mais evidente nas passagens do Novo Testamento que falam dos últimos dias. Essas passagens baseiam-se nas imagens vívidas usadas por Joel para descrever o Dia do ETERNO e a praga dos gafanhotos (p. ex., Mc 13,24; Lc 21,25; Ap 6,9; 9,2). De igual importância são as promessas encontradas em 2,28-32, citadas por Pedro e consideradas como cumpridas durante o acontecimento do Pentecostes (At 2,16-21). Paulo também fez referências a essa profecia em Rm 10,13, onde usou Jl 2,32 para embasar seu argumento de quenão há distinção entre judeu e grego” (Rm 10,12). A salvação é para todos, como declarou o profeta Joel: “E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do ETERNO – Yaohu - será salvo” (2,32).

         A Igreja continua a considerar o ensinamento de Joel sobre o Dia do ETERNO como uma importante fonte de esperança e conforto, por um lado, e uma palavra de advertência, por outro. Em momentos de aflição e desespero, os Remanescentes têm considerado consoladoras e inspiradoras as promessas em relação à bênção, à proteção e à defesa da comunidade da aliança do ETERNO. Ao mesmo tempo, a vívida descrição que Joel faz dos terríveis aspectos do Dia do ETERNO tem servido como um lembrete da santidade e do julgamento de Yaohu como um chamado contínuo ao arrependimento pleno e à santidade de vida. Por fim, o grande Dia do ETERNO é o dia da volta de O UNGIDO, o dia em que ele julgará o mundo inteiro, lançando seus inimigos no inferno e abençoando os Remanescentes com uma herança eterna nos novos céus e na nova terra.

 

        

 

Veja as referências de Joel 2,32, e o estudo desse versículo (Bíblia de estudo de Genebra. Edição Revista e ampliada pág. 1.135).:

 

         - Referências: ([d] todo aquele que invocar o nome de Yaohu será salvo; porque, Jr 33,3; At 2,21; Rm 10,13; [e] no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o ETERNO prometeu; e, Is 46,13; {Rm 11,26}; [f] entre os sobreviventes, aqueles que o ETERNO chamar! Is 11; Jr 31,7; {Mq 4,7}; Rm 9,27.).

 

         - Estudo: 2,32 Invocar o nome de “Yaohu”. Essa frase refere-se a adorar o ETERNO (Gn 12,8), especialmente para fazer O SEU NOME CONHECIDO POR AQUELES QUE NÃO O CONHECEM OU QUE SE OPÕEM A ELE (1Rs 18,24; Sl 105,1; Is 12,4; Jr 10,25; Zc 13,9). Sobrevivente. Os chamados pelo ETERNO que responderam com fé. (ASSIM, YAOHU GUARDOU PARA SI, NA PERIGOSA ÉPOCA DE ACABE, SETE MIL HOMENS QUE NÃO TINHAM DOBRADO OS JOELHOS A BAAL – 1Rs 19,18; Rm 11,4). Confissão Belga. ARTIGO 27, pág. 1.756  - “Westminster”. 

 

         “Seja você, que está lendo esta apostila, agora, participante do grupo dos SETE MIL que não dobraram os joelhos... Receba, conheça, fale do Nome de Deus. Pois como disse Joel: Todo aquele que invocar o seu nome será salvo – YAOHU!”.

 

         Esse é o meu propósito que todos conheçam, e, glorifique, novamente, o seu Nome Sagrado  - Yaohu. Amém. Anselmo Estevan.

 

 

JOEL: Um livro enigmático. O historiador da literatura bíblica, desejoso de elucidar o quadro humano da Revelação e de melhor conhecer as circunstâncias particulares nas quais ela foi elaborada, vê-se obrigado, no caso de Joel, a contentar-se com hipóteses, nenhuma unanimemente sufragada pelos estudiosos. As hipóteses dizem respeito à estrutura do livro, à sua inserção na vida do povo eleito (em outros termos: ao gênero literário), à pessoa do autor e à data.

         a) A estrutura do livro. Foram propostas várias maneiras de concatenar os quatro capítulos do livro. Alguns exegetas, dividindo o volume em duas partes, julgam poder descobrir nos dois primeiros capítulos um plano coerente que lhe daria o cunho de obra literária mais ou menos unitária; seria uma espécie de liturgia ou de cantata, apresentando a descrição de um flagelo, o apelo premente dirigido às diversas camadas da população para celebrar ritos de humilhação diante de Yaohu e finalmente o anúncio da graça. Os capítulos 3 e 4 compreenderiam uma série de oráculos mais tardios, independentes uns dos outros e redigidos em estilo precursor dos “apocalipses” posteriores. Esta hipótese, se bem que sedutora, não satisfaz a todos os exegetas. Observam especialmente que a coesão intrínseca dos dois primeiros capítulos está longe de ser evidente: encontra-se aí três ou quatro descrições discordantes do flagelo (1,4.5-12.15-20; 2,1-11); o apelo ao jejum aparece duas vezes em lugares diferentes (1,13-14 e 2,15-17) e é como que suplantado por um apelo ao genuíno arrependimento, que não é o rito de humilhação (2,12-14). Verificando a falta de concatenação lógica ou litúrgica dos diversos elementos, esses exegetas consideram os dois primeiros capítulos, a exemplo dos dois últimos, uma coleção de oráculos primitivamente avulsos. Aliás, o leitor notará que a disposição geral desses textos todos segue um esquema usual na literatura profética: começa por uma série de oráculos, principalmente de desgraça, mas também de salvação, para o povo de Yaohu (1,2 – 3,5); continua com oráculos contra as nações estrangeiras (4,1-17) e termina com um oráculo de salvação para Judá (4,18-21).

         b) A inserção na vida do povo eleito. Alguns julgam que, nos dois primeiros capítulos do livro de Joel, o profeta descreve um acontecimento real: invasão de gafanhotos que, como uma nuvem, escurecem o céu, abatem-se sobre a terra e destroem a vegetação. Diante de tal desastre, o profeta teria convidado os habitantes de Judá a observar um dia de luto e celebrar os ritos de um jejum nacional; esses capítulos constituiriam uma espécie de liturgia utilizada por ocasião dessas cerimônias ou, ao menos, seriam amplamente inspirados pela liturgia. Mas esta hipótese não obtém a unanimidade dos especialistas. Sem insistir no fato de que o desenrolar litúrgico da alegada cerimônia pouco aparece no texto, verificam que o flagelo não parece identificar-se apenas com uma invasão de gafanhotos: trata-se também de uma seca, de violento incêndio, de invasão militar e, principalmente, do “Dia do ETERNO”. Além disso, não é certo que o profeta esteja descrevendo um acontecimento atual, um fato concreto ao qual teria assistido pessoalmente como testemunha ocular; tem-se, antes, a impressão de que ele tenciona evocar o flagelo, a catástrofe, a provação por excelência, e que ele cria o acontecimento aos poucos pelo poder evocativo da sua palavra, como ocorre evidentemente nos capítulos 3 e 4. Quem olha de mais perto verifica que a aparente diferença de estilo entre as duas partes do livro se apaga sempre mais e se impressiona com o dinamismo desse profeta, que, pelo poder da sua palavra, desfaz e refaz o mundo.

         c) A pessoa do profeta é desconhecida. É introduzido em 1,1 como “filho de Petuel”, mas esta informação é muito lacônica. Os exegetas que admitem que a primeira parte do livro constitui, ou imita, uma liturgia utilizada no templo, julgam que Joel era um dos profetas adidos ao santuário, ou seja, um profeta “oficial” ou “cultual”; seria uma espécie de cantor inspirado que exercia um ministério litúrgico no quadro do culto oficial. Outros, realçando as incoerências que pensam poder apontar no texto, estimam que o nome “Joel” não designa propriamente um profeta individual, mas um grupo de profetas. Outros ainda, insistindo no fato de que não dispomos de critérios para atribuir as duas partes do livro a autores diferentes, renunciam a qualquer tentativa de identificar a pessoa do profeta. Como quer que seja, convém realçar a beleza poética e a profundidade religiosa desses quatro capítulos.

         d) A data do livro é uma das questões mais controvertidas. Pode-se observar o seguinte: o silêncio a respeito do rei de Jerusalém, a índole “apocalíptica” de tal ou tal passagem levaram numerosos exegetas a propor uma data posterior ao exílio para os quatro capítulos. Mas estes dados não são dirimentes; antes, o estilo vigoroso, muitas vezes incisivo, e o hebraico vivo, que nada perdeu da sua vitalidade, militam em favor de uma data pré-exilica. Analisando-se o vocabulário e o pensamento do autor, descobre-se grande parentesco com os teólogos do fim do século VII e do começo do século VI: os autores anônimos do Deuteronômio, de Jeremias, de Sofonias. Os dois primeiros capítulos não contêm nenhuma alusão histórica precisa e verificável. No cap. 3, alguns intérpretes consideram o v. 4 como a descrição de um eclipse total do sol; ora, segundo os astrônomos, a Palestina foi afetada por um acontecimento desses em 1130 e, depois, em 357 e 336 a.C. Ora nenhuma destas datas é aceita por todos os exegetas: a primeira, porque dataria o livro da época de Josué e dos Juízes; as duas outras, porque lingüisticamente improváveis. Além do mais, o versículo citado não fala de mero eclipse do sol, mas de catástrofe global, da qual o escurecimento do sol é apenas um elemento (cf. também 4,15-16). O cap. 4 ao contrário, traz alusões históricas precisas, que, embora de interpretação controvertida, parecem levar-nos ao século VII ou, a rigor, ao século VI a.C.

         Em conclusão, o historiador vê-se obrigado a confessar a sua perplexidade diante de um texto que os métodos literários e históricos não chegam a explicar de maneira plenamente satisfatória. Isto quer dizer que tal texto transmite uma mensagem que é preciso tentar entender em sua dimensão supratemporal, fazendo abstração da circunstância concreta que o ocasionou (cf. 1,2.3).

 

 

         Mensagem clara. Apesar das dificuldades da abordagem literária, a mensagem do profeta se deduz com clareza dos oráculos. Desdobra-se em dois grandes temas intimamente ligados entre si: o tema do despojamento total do homem como condição de salvação, e o tema do “Dia do ETERNO”. Estes dois temas se entrelaçam constantemente; formam um todo compacto; um não é se não o reverso do outro.

         A menção do “Dia do ETERNO” encontra-se em cada um dos quatro capítulos (cf. 1,15; 2,1-2; 3,4; 4,14). É mais do que um simples “dia”: é uma grandeza temporal e, também, espacial, de certo modo personificada, um monstro aterrador que é como que a condensação de uma força incomensurável, de uma energia radicalmente incomparável e diferente, de uma energia que só pode ser descrita na linguagem inadequada derivada das catástrofes naturais ou de uma guerra mortífera, de uma energia que, em relação à luz terrestre, é apenas trevas; sobrevindo, ela aniquilará toda vida e abalará os astros; a sua manifestação implicará a condenação de tudo o que presume opor-se ao ETERNO DO UNIVERSO.

         Para o homem, esse Dia é sinônimo de despojamento total, despojamento que o profeta não se cansa de circunscrever com o auxílio de um repertório inesgotável de imagens: por exemplo, a essa energia, assemelhada a enxames de insetos, nada pode resistir (1,4); tudo o que é delicioso, ou simplesmente necessário à vida, é eliminado, devastado, ressequido, convertido em deserto, reduzido a pedaços, estiolado, murchado, exaurido...; as pessoas se tornam confusas e desoladas, a alegria se esvai (cf. 1,5-20). No cap. 2, o despojamento é provocado por um exército misterioso e onipresente que, cercado de fogo devastador, enche as cidades e as casas. Mais adiante, no cap. 3, aparece como uma reviravolta total tanto interior como exterior: o Rúkha – Yaohu elimina e suplanta as faculdades sensoriais normais: todos os homens se comportam como loucos, e o universo se transforma em teatro de uma série de prodígios que o reduzem a estado caótico. No último capítulo, o despojamento dos homens toma principalmente a forma de julgamento universal.

         Segundo a mente do profeta, esse despojamento total é a condição de uma “volta” igualmente total, de uma conversão que não consiste apenas em ritos – formas exteriores de um processo interior (1,13-14 e 2,15-17) – mas principalmente numa nova orientação da pessoa inteira (2,12-14). Em 3,5, a conversão é resumida na expressão “INVOCAR O NOME DE Yaohu; acrescenta-se que, para ser eficaz, ela supõe a eleição divina: SÓ SOBREVIVERÃO AO DESPOJAMENTO RADICAL AQUELES QUE O ETERNO TIVER “CHAMADO”. Despojando de tudo, resta ao homem entregar-se a Yaohu; ele só pode contar com a graça; já não pode senão dizer: Talvez ele ainda se arrependa (2,14).

         A este homem despojado e arrependido, os três oráculos de salvação que perpassam o livro (2,18-27; 3,5; 4,18-21), anunciam uma existência inteiramente renovada caracterizada pela maravilhosa abundância propiciada pela presença criadora de Yaohu (2,21). Notemos, porém, que a abundância não é uma finalidade em si; com efeito, o essencial reside na certeza, dada ao povo já irrevogavelmente ligado a Yaohu, de conhecer o ETERNO (2,27; 4,17).

         Ao interpretar a efusão do RÚKHA hol – RODSHUA em PENTECOSTES mediante termos derivados, antes do mais, de Joel (At 2,17-24; cf. Jl 3,1-5), o apóstolo Pedro e o evangelista Lucas com ele atestam que esse despojamento e essa reviravolta, prelúdio e momento decisivo da experiência salutar, realizam-se, e devem realizar-se, na existência “Remanescente”. É o Rúkha hol – Rodshua que, para o Remanescente e no coração deste, efetua esse despojamento e suscita nele o conhecimento de Yaohu!

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

AMÓS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: o profeta Amós.

         Propósito: Revelar a severidade do julgamento divino por causa da infidelidade pactual em Israel e Judá e declarar a esperança de grande restauração depois da destruição e do exílio que estavam se aproximando.

         Data: 760-750 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Assim como as nações gentias seriam julgadas pela sua pecaminosidade, Israel e Judá seriam julgadas pelos seus pecados por meio da agressão assíria.

         O pleito de Yaohu contra Israel era inegável e a causa de muitos problemas para Israel, tanto na natureza quanto na guerra.

         As visões do futuro de Amós confirmaram que Samaria seria destruída pela agressão assíria.

         Embora Israel e Judá fossem ser julgadas juntamente com as outras nações, após o exílio elas seriam exaltadas acima de seus vizinhos gentios.

 

 

         Propósito e características

         Amós desafiou vigorosamente a idolatria e a injustiça social de Israel, declarando que a adoração sincrética negava as mais básicas verdades sobre Yaohu o Deus de Israel. O ETERNO é soberano sobre tudo o que ele criou (4,13; 5,8; 9,5-6). Ele é o verdadeiro Deus – Yaohu – sobre as nações. Como tal, ele é capaz de jogar nação contra nação (1,3 – 2,3) e de julgar o povo da sua aliança por meio da agressão de outras nações (6,14). Porém, a despeito de tudo isso, ele é um Deus de amor que deseja a vida, e não a morte do seu povo (5,4).

         Amós ressaltou que por Israel não ter-se arrependido, mesmo depois de ter sido julgada (4,6-11), o ETERNO faria um julgamento ainda mais severo, que terminaria em total destruição e exílio (4,12 – 5,20). Pouco depois de Amós ter previsto que Israel cairia perante o Império Assírio, suas previsões começaram a se cumprir. Sob o reinado de Tiglate-Pileser III (745-727 a.C.), a Assíria ganhou poder e se expandiu para o norte e para o oeste. Judá logo se tornou um vassalo assírio. A Síria, localizada entre Israel e a Assíria, passou a fazer parte do Império Assírio (2Rs 16,7-9).

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM AMÓS.

(Yaohushua):

 

         As profecias de Amós revelam O UNGIDO de três maneiras.

         1. O tema principal de Amós – julgamento contra as nações e os infiéis de Israel e Judá – prenuncia o julgamento que vem em O UNGIDO. O Novo Testamento ensina que O UNGIDO julgará aqueles que se voltam contra Yaohu (Jo 5,21-27; Rm 2,12-16), incluindo o povo em aliança com Yaohu (Hb 10,26-30; 1Pe 4,17; Ap 2,4-5.14-16.20-23; 3,1-3.15-19). Em última análise, O UNGIDO cumpre o tema do julgamento em Amós.

         2. Am 9,11-15 fala da restauração prometida a Israel e Judá após o exílio.

         Seguindo o padrão estabelecido por Moisés (Lv 26; Dt 4,15-31; 28,1-68), Amós anunciou que o exílio seria seguido de um tempo de grandes bênçãos para o povo de Yaohu. Após o fracasso daqueles que retornaram à Terra Prometida em 539 a.C., essas profecias de restauração começaram a se cumprir. O Novo  Testamento explica o cumprimento inicial dessas profecias de restauração por meio da entrega do Rúkha como o penhor da herança daqueles que acreditam na primeira vinda de O UNGIDO (Ef 1,14), assim como o seu cumprimento final nos novos céus e nova terra quando O UNGIDO retornar (Ap 21,1ss.).

         3. Amós falou da restauração do “tabernáculo caído de Davi” – a dinastia real de Davi (9,11). Essa previsão indicou que, algum tempo após o exílio, um filho de Davi lideraria o povo de Yaohu à vitória sobre as nações (9,12) e garantiria segurança eterna para eles (9,15). Essa profecia é cumprida por Yaohushua, o filho real de Davi (Mt 1,1; Lc 1,32-33; Ap 22,16). Yaohushua subiu ao trono da casa de Davi em sua ressurreição e ascensão (At 2,25-36). Ele reina agora e promove uma guerra santa contra as nações por meio do evangelho (At 15,13-19; 1Co 15,23-25). No final, ele derrotará todos os seus inimigos e estabelecerá um reino universal quando retornar em glória (At 2,34-36; Ap 19,11-21; 21,1; 22,5).

 

 

 

         AMÓS: O profeta e seu tempo. Amós é o primeiro entre os profetas a ter seus gestos e palavras recolhidos numa coleção particular. Antes dele, atuaram em Israel outros profetas, e deles falam sobretudo os livros de Samuel e Reis. Amós abre uma linhagem nova, o que nós chamamos de profetas escritores, porque a Bíblia conservou o eco imediato de suas intervenções em livros que levam os nomes deles. Normalmente, estes livros não são obra dos próprios profetas, mas de seus discípulos, assim como serão os evangelhos em relação à atividade e pregação de Yaohushua. Contudo há passagens – mormente aquelas em que o profeta se exprime na primeira pessoa do singular – que bem podem provir de sua pena, como o relato das cinco visões de Amós nos caps. 7, 8 e 9 de seu livro.

         O nome de Amós evoca o verbo levar, em hebraico. Talvez seja uma forma abreviada de Amosiá, que quer dizer O ETERNO levou, nome com que se exprime – como muitas vezes – o reconhecimento por uma intervenção favorável do ETERNO. Amós se apresenta a si mesmo como criador de gado (cf. 7,14 e o cabeçalho do livro em 1,1). É judaíta, vivendo em Teqoa, perto de Bet-Lehem, numa região ondulada propícia à criação de gado. As numerosas imagens tiradas da vida pastoril que ilustram sua mensagem confirmam esta indicação.

         A época de sua atuação é a segunda metade do séc. VIII, quando do reinado de Jeroboão II em Israel (787-747) e de Ozias em Judá (781-740), sempre segundo o cabeçalho da coletânea (1,1). Amós precede o profeta Oséias de uns dez anos.

         No plano político, o reino do Norte – o das dez tribos – conhece um último momento de sossego, devido principalmente ao declínio da Síria, região vizinha, que está sendo subjugada pela expansão assíria, a leste. Jeroboão recuperou os territórios outrora habitados pelas tribos de Israel além do Jordão (2Rs 14,25), em vitórias que suscitavam sonhos de grandeza (ver Am 6,13-14). A tranqüilidade parece definitivamente garantida (6,1-3), enquanto na realidade uma ameaça mortal paira sobre Israel: os exércitos assírios aproximam-se sempre mais da Palestina. No plano econômico, os intercâmbios comerciais com os estrangeiros trazem alguma prosperidade ao país, mas acentuamos desequilíbrios sociais entre pobres e ricos.

         Na Samaria, especificamente, ostenta-se o luxo e floresce o que se pode chamar o esnobismo dos novos ricos (6,4-7; 3,12). A antiga solidariedade que unia os membros do povo da aliança cedeu o lugar à explosão dos pequenos pelos poderosos, encoberta pelos julgamentos iníquos dos tribunais (2,6-7; 4,1; 5,7). No plano religioso, o próprio culto se realiza em cerimônias esplendorosas, dos quais o povo todo se gloria, mas que provocam críticas severíssimas de Amós (4,4-5; 5,4-5.21-27).

         A missão de Amós se caracteriza por um alcance “ecumênico” peculiar: originário do reino de Judá, recebe ordem de pregar para o reino de Israel (ver 7,15 e 1,1). Considerando a divisão dos Remanescentes hoje, poderíamos comparar Amós a um pregador que Yaohu mandasse de uma tradição confessional para outra. Sua vinda ao reino do Norte é sinal de unidade: Israel, por mais que esteja dividido no plano político e mesmo religioso, continua sendo um só povo aos olhos do ETERNO, que o elegeu e que vai pedir-lhe contas. Amós profetiza provavelmente em Betel, o principal santuário do reino do Norte, edificado quando do cisma, para rivalizar com o de Jerusalém. Intervém por ocasião de uma das grandes festas anuais, cujas cerimônias parecem descritas em 4,4-5. Mas seus oráculos visam também a Samaria, e alguns podem ter sido pronunciados na própria capital (p. ex. 3,9-12 ou 6,1-7). À diferença dos grandes profetas que vieram depois dele, o ministério de Amós foi de curta duração, no máximo alguns meses. Foi provavelmente interrompido pelo sacerdote de Betel que denunciou Amós ao rei e o expulsou como perturbador da ordem pública (7,10-17). Talvez por opor-se a esta proibição, Amós – ou um grupo de discípulos – começou a pôr seus oráculos por escrito e a fazê-los circular entre o povo. Assim, suas palavras continuam vivas depois dele, sendo transmitidas no círculo dos ouvintes atentos à palavra do ETERNO  proclamada por seu profeta. É possível que certos oráculos tenham sido ulteriormente acrescentados à coleção, com o intuito de atualizar a mensagem do profeta em circunstâncias novas, por exemplo o oráculo contra Judá (2,4-5) e talvez a promessa final (9,11-15), cuja data continua objeto de discussão.

 

 

         Linguagem e mensagem. De origem camponesa, Amós não é o iletrado, inculto,ou até rústico que às vezes se pretende representar. Medita sobre os acontecimentos que marcam a vida de sua própria terra e dos povos vizinhos; já pressente a potência que vem do norte, a Assíria, que destruirá Samaria em 721 ou 722. É sensível às ameaças que vêm da terra e do céu, nas quais vê a obra de Yaohu. Seria um engano ver em Amós um pregador negligente quanto às formas de linguagem. Sabe utilizar tanto as sutilezas da sabedoria (ver 3,3-8; 5,19; 6,12) quanto a amplidão solene da liturgia  (1,3 a 2,16; 4,6-13; 5,4-6.14-15), sabe manifestar o elã do lirismo (ver 4,1-2; 9,1-4) e jogar com as palavras ou usar de ironia (ver 3,12; 5,5; 6,13; 8,1). Sua linguagem impressiona sobretudo pela sobriedade: para proclamar sua mensagem bastam-lhe poucas palavras, rápidas qual o raio, destruindo ilusões como o terremoto (cuja lembrança se liga ao seu ministério: ver 1,1). Estes dons literários manifestaram-se por serem sustentados pela força e grandeza do assunto: a impenitência de Israel em face dos apelos e da fidelidade de Yaohu.

         Yaohu apareceu a Amós em cinco visões, que constituem o objeto principal dos três últimos capítulos do livro. Para Amós, apegado às tradições e atento aos fatos, estas visões foram um desafio divino provocando-o à pregação. Depois de ter intercedido por seu povo e ter obtido, por duas vezes, o perdão, Amós aprende de Yaohu que não haverá mais perdão (7,8) e que a casa de Jacó será destruída, embora não completamente (9,8). Esta revelação o constrange a falar (3,8), embora certa sabedoria pudesse recomendar-lhe calar-se (5,13).

         A mensagem de Amós tem por objeto a grandeza de Yaohu, seu poder e sua justiça que se estendem a todas as nações, mas também sua irreversível predição pelo povo de Israel. Lembra as exigências da Lei, especialmente da que ordena o culto e da que define os direitos dos pobres e dos indigentes. Com solenidade e violência, Amós proclama aos ricos, aos poderosos, aos juízes e aos sacerdotes o que o Evangelho voltará a dizer: Todas as vezes que o fizestes a um destes mais pequenos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40). Amós lembra também que o culto que agrada a Yaohu é o que exprime, na humildade e na justiça, a resposta de Israel ao amor de seu Deus – Yaohu. Também neste ponto Amós recebe a companhia do Novo Testamento: Que tens que não hajas recebido? E se o recebeste, por que gabar-te como se não o tivesses recebido? (1Co 4,7).

         O Deus – Yaohu – de Amós é um Deus ciumento, de amor inflexível, capaz de decidir que o peso do mundo mau afastará os homens longe dele – e, às vezes, o faz –, mas capaz também – e isso em relação tanto a Israel como aos que pertencem a Israel espiritualmente – de não se deixar vencer pelo peso do pecado e pelas insanas exigências dos pecadores que vivem sem Yaohu ou fora de suas leis. Ele é capaz de pronunciar que o pecado e o orgulho devem atrair sobre o pecador toda espécie de castigo; ele pode fazer superabundar o perdão e a graça lá onde o pecado e a insolência foram abundantes. Amós nos ensina, ainda, que a oração do homem pode ter tamanha eficácia que chegue a comover Yaohu e a faze-lo voltar atrás de algumas de suas decisões. Esta  intercessão do profeta pelo povo de Yaohu terá seu acabamento na oração de Yaohushua pelos seus (Jo17).

         O Yaohu de Amós não tem duas faces, a de um Yaohu que castiga e a de um Yaohu que salva. É o mesmo Yaohu e ETERNO que castiga, querendo salvar. O próprio castigo ultrapassa a ordem fria e rigorosa da justiça sem perdão, pois é a expressão de um amor ferido ou traído que, num último grito e para além do castigo, ainda chama à conversão. Oseias, que profetizará em Israel poucos anos depois de Amós, descreverá numa linguagem nova este drama do amor divino.

         Assim, o livro de Amós comporta:

         Uma revelação carregada de ameaças: há quem morra de fome e de sede (8,11), por ter procurado tarde demais a Palavra de Yaohu e não a ter encontrado;

         Uma revelação que se abre à esperança (5,15; 9,8) e que será retomada por outros profetas: quando tudo está perdido, Yaohu pode ainda agraciar.

 

 

         Divisão do livro. Depois do título (1,1) e um breve prólogo (1,2), abre-se uma primeira parte, constituída por uma seqüência de oráculos contra as sete nações vizinhas de Israel e contra Israel mesmo (1,3 – 2,16), todos eles formados no mesmo molde, mas com desenvolvimento maior no último.

         A segunda parte constitui-se dos oráculos contra Israel (caps. 3 a 6). Entre estas palavras, geralmente breves e agrupadas sem ordem certa, podemos relevar particularmente o discurso sobre a impenitência de Israel (4,6-13), as palavras contra o culto de Betel (4,4-5; 5,4-5.21-27), as denúncias da injustiça social (3,9-11; 4,1-3), do orgulho e das falsas seguranças (3,1-2; 5,18-20; 6,1-7,13-14); as descrições do juízo iminente (3,13-15; 5,18-3.13.16; 6,8-11); o apelo para voltar ao ETERNO (5,4-6.14-15).

         A terceira parte (caps. 7 a 9) agrupa o relato de cinco visões, das quais as quatro primeiras se correspondem duas a duas: os gafanhotos (7,1-3) e o fogo (7,4-6); o estanho (7,7-8) e o fim do verão (8,1-2); e, conclusão, a visão do abalo do santuário (9,1-4). Alguns oráculos se encontram agrupados em torno às visões (7,9; 8,3-14; 9,7-10), como também o relato da expulsão de Amós (7,10-17). A coleção termina num oráculo de restauração e de salvação (9,11-15), que alguns hesitam em atribuir ao próprio Amós.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

 

OBADIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Obadias.

         Propósito: Encorajar o povo de Judá, que enfrentava adversidades vindas de Edom, a ter esperança na justiça divina e na vitória final sobre todos os inimigos.

         Data: c. 586 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu cuida do seu povo quando ele sofre.

         Yaohu adverte, mas no final julgará aqueles que perseguem o seu povo.

         Yaohu dará a vitória ao seu povo.

         O fiel povo de Yaohu herdará o seu reino em sua totalidade.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Obadias é “a respeito de Edom” (v. 1) e é repetidamente dirigido a essa nação, mas ele foi escrito para os judaítas como o povo da promessa de Yaohu. Obadias pode ou não ter entregue um oráculo falado a Edom antes de escrever esse livro. Yaohu fala contra Edom em benefício de Judá, sentenciando os edomitas à humilhação, à pilhagem e à morte, de modo a fortalecer a fé  e a moral enfraquecidas de Judá. Edom mereceu o julgamento de Yaohu por causa dos prolongados e severos maus-tratos que havia infligido a Judá. A destruição de Edom fazia parte do plano maior de Yaohu para julgar todas as nações e garantir bênçãos ao seu povo na nova terra. O propósito do livro de Obadias, então, não era advertir Edom a respeito do iminente julgamento, mas reassegurar ao povo de Yaohu a sua triunfante justiça em ação em favor deles. O justo poder de Yaohu, não os planos malignos das nações, determina o curso da História.

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM OBADIAS.

(Yaohushua):

 

         O livro de Obadias não contém previsões messiânicas que apontem diretamente para O UNGIDO, mas o tema do julgamento divino contra todos aqueles que perseguem o povo de Yaohu encontra a sua realização em O UNGIDO. O próprio Yaohushua sofreu nas mãos dos inimigos de Yaohu (At 2,36) e  previu que todos os seus seguidores experimentariam a mesma aflição (At 14,21-22). Ainda assim, O UNGIDO prometeu manter o seu povo no seu amor durante esses tempos difíceis (Rm 8,28-39). Quando ele retornar em glória, irá julgar todos os que se opuseram a ele e ao seu povo (Mt 25; Ap 19,1-2).

         A visão de Obadias de uma nova ordem, na qual o povo de Yaohu é restabelecido em vitória sobre as nações, também encontra a realização em O UNGIDO. O UNGIDO começou a governar em sua ressurreição e ascensão (1Co 15,25), a Igreja agora propaga o seu reino por toda a terra (Mt 28,19-20; At 2,37-41) e o expandirá até os confins da terra quando ele retornar (Ap 11,15). {Por isso mesmo, é necessário sabermos o seu VERDADEIRO NOME PESSOAL INTRANSFERÍVEL QUE, NA BÍBLIA, SÓ FOI REVELADO POR DUAS VEZES E DEPOIS ESQUECIDO...? COMO PODE ISSO COM UM REI ETERNO... VEJA MAIS PRA FRENTE À RESPOSTA... Anselmo Estevan.}.Quando os “cristãos” – hoje – Remanescentes – sofrem nas mãos dos inimigos de Yaohu, devem renovar a fé no Yaohu justo que se revela por meio da profecia de Obadias. Embora muitas vezes pareça que o tormento da Igreja nunca terminará, Yaohu está sempre trabalhando por trás do véu das aparências em favor de seu povo (Ap 6,9-10).

 

 

 

         OBADIAS: Obadias é o mais curto dos livros proféticos, o que não significa de menor valor. Muito pelo contrário! Compõe-se de oráculos muito belos, nos quais ecoa uma grande inspiração: seu gênero literário assemelha-se ao de todos os oráculos dos profetas “sobre as nações”, de modo especial àqueles que anunciam a vinda do Dia do ETERNO.

         Do ponto de vista estrutural, apresenta-se como uma visão (vv. 1b-15), precedida de um cabeçalho (v. 1a) e seguida de uma declaração conclusiva (vv. 16-18), escritos por um redator. O conjunto recebeu comentários posteriores escritos em prosa (19-21) por escribas anônimos.

         Quanto à data, uma referência permite situar o livro: na sua visão, o profeta denuncia a atitude do povo de Edom, descendente de Esaú, em relação ao povo irmão, Israel, descendente de Jacó, por ocasião da queda de Jerusalém (v. 10). O livro é, portanto, pouco posterior a 587.

         Do profeta sabemos apenas o nome, bem bíblico (ABDIAS). Nada de sua pessoa. O essencial é sua mensagem. No momento em que tudo parece perdido (destruído o Templo, exilado o povo), tem ele uma visão: Yaohu proclama a vinda de seu Dia, ele é o dono das nações e intervém na história para reinar. Enquanto escuta esta mensagem, o profeta fala (vv. 10-15) para explicar a falta de Edom: tanto a traição e cupidez para com Israel, como a orgulhosa pretensão de seus sábios. O conjunto constitui reconfortante oráculo para a desalentada comunidade dos sobreviventes.

         Há um problema pelo fato de os vv. 2-6 se encontrarem também em Jr 49,7-16, embora numa forma ligeiramente diferente. Este fato induziu alguns a pensar que o livro de Obadias fosse anterior a Jeremias e remontasse ao século IX. Contudo, as alusões à queda de Jerusalém (em 587) são tão explícitas que não se pode admitir esta hipótese. No atual estágio da pesquisa, não é possível pronunciar-se sobre a anterioridade do texto de Jeremias ou de Obadias. Não teriam eles uma fonte comum?

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

JONAS

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: Desconhecido.

         Propósito: Encorajar os israelitas a atenderem ao chamado de Yaohu para estender sua misericórdia às nações.

         Data: 750-613 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu conclama o seu povo a tentar conseguir que as nações se arrependam.

         O povo de Yaohu ira sofrer descontentamento divino se não estender a misericórdia de Yaohu às nações.

         Yaohu tem prazer em mostrar misericórdia aos gentios arrependidos.

 

 

         Propósito e características

         Além de ensinar que a misericórdia e o amor de Yaohu têm aspectos universais, o livro mantém o tema da soberania universal de Yaohu, apresentando-o como o Criador, “o Deus do céu, que fez o mar e a terra” (1,9). A criação responde de maneira obediente a todas as ordens dele (1,4.15.17; 2,10; 4,6-8), assim como os assírios dos dias de Isaías haviam feito (Is 10,5-6.12). O livro de Jonas enfatiza o poder universal e o controle soberano de Yaohu sobre a humanidade e a natureza, sobre a vida e a morte.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM JONAS.

(Yaohushua):

 

         Yaohushua traçou uma ligação entre ele e o sinal do “profeta Jonas” (Mt 12,39; 16,4; Lc 11,29). Numa época em que muitos israelitas se recusavam a obedecer à palavra profética que lhes fora dada, a libertação de Jonas de um peixe enorme após três dias e noites levou os ninivitas ao arrependimento. Yaohushua previu que sua própria futura libertação da sepultura, após três dias, levaria ao arrependimento dos gentios, conquanto muitos judeus ainda rejeitassem a sua palavra profética. De certa maneira, então, o relato de Jonas chamou seus leitores judeus ao arrependimento ao confirmar o ministério aos gentios, assim como Yaohushua e seus apóstolos haviam feito.

 

 

 

         JONAS: Composição. Inserido entre os livros proféticos, o livro de Jonas não se apresenta, à primeira vista, como um deles. Em vez de ser uma série de oráculos, o escrito apresenta-se na forma de uma narrativa contínua, dividida em três cenas e na qual o profeta parece ficar em segundo plano. As duas primeiras cenas o mostram taciturno e solitário, após o que lhe vem uma palavra de Yaohu. Durante esse tempo, ao invés, seus interlocutores, primeiro os marinheiros, depois os ninivitas, estão atarefados e se mostram as pessoas mais religiosas do mundo, numa espécie de convite ao leitor do livrete a se espelhar neles e a imita-los. Na terceira cena, Jonas se vê sozinho diante de Yaohu. É aqui o ponto alto do livrinho: a mais importante oração do profeta e a maior revelação de Yaohu a respeito do ministério de Jonas. Foi nesta conjuntura que, mais tarde e de maneira totalmente adaptada à situação, um autor inspirado inseria o salmo do cap. 2, aumentando a dimensão religiosa e profética deste escrito.

 

 

         Finalidade. Que concluir disto? Dois ensinamentos. Antes de qualquer coisa, Jonas tem por finalidade mostrar a experiência interior de todo profeta: é uma pessoa convicta, antes de tudo, de que à vontade de Yaohu é salvar os homens (4,2). Todavia, no seu ministério, o profeta deve sempre iniciar por proferir palavras que denunciam o mal; agindo assim, ele vai contra a corrente de seus contemporâneos e, conseqüentemente, experimenta a terrível prova do isolamento. Contudo, mesmo que ele se sinta esmagado pelo peso da sua mensagem e, atemorizado, não ouse falar aos homens (1,1-16) ou, falando, não passe de um pregador resignado (3,1-10), a palavra consegue ser eficaz apesar dele; mostram-no os marinheiros, o mar, o vento, o peixe, os ninivitas, os animais, a planta. Por sua simples presença, já que o profeta Jonas não consegue desvencilhar-se dela, esta palavra atinge todo o mundo, inclusive os animais e a natureza.

         O segundo ensinamento é dado pelo conteúdo da palavra que Yaohu manda seja proclamada, e também pela qualidade de seus destinatários. O Yaohu que se revelou a Israel benevolente... (Êx 34,6-7), i.é, bom e salvador, declara-se favorável também aos ninivitas, estrangeiros cuja cidade e número de pessoas são descritos em cifras arredondadas com valor simbólico (três dias: 3,3; 120.000 habitantes: 4,11), para indicar a dimensão universal da revelação.

 

 

         Gênero e data. Esta narração se apóia na existência de um personagem histórico (2Rs 14,25), para mostrar que se trata de uma experiência real dos profetas. Mas é desenvolvida como uma história maravilhosa, cheia de imagens, com a finalidade de melhor assimilação pedagógica, à maneira de uma parábola.

         Tudo nos leva a crer que se trata de uma obra pós-exílica. Tanto a linguagem como o estilo, são claramente posteriores à época clássica da língua hebraica. E mais: a maneira de refletir sobre o ministério profético supõe recuo com relação ao exercício deste, se olharmos como o viveu, especificamente, Jeremias (ver Jn 3,10 e Jr 18,7-8; Jn 4,3.8-9 e Jr 20,14-18). Além disso, a mensagem reflete um universalismo mais amplo do que, por exemplo, o do Segundo Isaías na época do retorno do Exílio. O humor um tanto acre da narrativa faz pensar que talvez se trate de uma espécie de panfleto dirigido à corrente judaica da época de Esdras demasiado fechada sobre si. Enfim, o gênero metafórico recorda o estilo dos sábios que, pouco depois, escrevem, Ester, Daniel, mais do que o estilo dos historiadores preexílicos.

 

 

         Jonas no Evangelho. YAOHUSHUA fala de Jonas dando sua própria interpretação da narrativa. Diante dos incrédulos que lhe pedem milagres - prodígios, Yaohushua responde com uma recusa e remete ao “sinal de Jonas”. Ele quer dizer que o significado de seus milagres é, antes de tudo, a realização da palavra que os acompanha (Mt 16,4; Lc 11,29-30) e que os convida à conversão. Depois da Ressurreição, a dimensão do sinal de Jonas foi compreendida melhor, como testemunha o desenvolvimento próprio do primeiro evangelista (Mt 12,40). É igualmente possível que a expressão do mais antigo símbolo da fé, ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1Co 15,4), se refira a este sinal. Yaohushua indica, por fim que Jonas é sinal da dimensão universal do seu Evangelho (Mt 12,41-42).

         As qualidades humorísticas de Jonas não deixaram de inspirar escultores e pintores cristãos no decorrer dos séculos. Também hoje, este personagem continua atraindo simpatias. Mas, ainda que seu saboroso gênero literário, atrai-nos a sua mensagem, que fala a respeito de Yaohu e do seu amor universal, surpreendente e admirável

 

         § Caros leitores, neste momento, se encontram a necessidade – de  abrir um “parêntese”, e, mudar um pouco a seqüência dos estudos, que, pela ordem é: MIQUÉIAS; para mostrar-lhes dois estudos que se encaixam nos estudos do livro a ser estudado.(MIQUEIAS). Vamos lá.:

 

         Eu, Anselmo Estevan, não aceito em  “ANDAR” no NOME de um substituto – como o fez o seu próprio povo ao entrar em Canaã e se misturar como o “povo gentio” – sem Deus – que todos os “HOMENS” – querem agradar cada um a sua vontade – assim, andando entre deuses criados por suas próprias mãos... Veja:

 

         Quero começar a minha linha de raciocínio da seguinte forma: (Bíblia de estudo – “Temas em Concordância”). Da Editora Central Gospel. Ano de 2.005 – Versão NVI – traduzida por Bruno Destefani. Diretor Presidente – Senhor Silas Malafaia.

 

         Gênesis 4,26 (Ou Proclamar).

 

         “Como, essa é uma Bíblia, de ESTUDO que: A própria Bíblia – fala por si, vamos lá”. Do versículo de Gn 4,26 a Bíblia de estudo nos remete aos versículos seguintes como resposta dada a esse questionamento:

 

        Gn 4,26; 13,4; Dt 3,23; 1Sm 1,12-16; 15,31; 2Cr 20,4; Ne 2,4; Sl 12,1; 25,1; 30,8; 66,17; 80,17; 84,9; 116,4; 142,1; Jr 32,16; Dn 6,10-13; Jn 2,7; Zc 8,20.21; At 1,13.14; 12,5.12; 18,7. Veja também: Dt 3,24; Zc 7,2; Ml 3,16; (Is 42,8; 26,8).

         Sendo assim: “Entendo que “toda a Bíblia fala do NOME DE DEUS!!!”. Mas como? SIM! O “homem” – como ENFRAQUECEU a “Lei” de “Yaohu” – pelos pecados da “Queda” – erroneamente também quis desfazer do seu Nome por um substituto que não o seu NOME VERDADEIRO E PESSOAL – A última obra de Satanás para o homem caído – seu plano maligno. Esse é o meu ver!”.

         Vamos a outro estudo:

        

         Eu, Anselmo Estevan, sou uma pessoa comum. Com pouquíssimos amigos, mas YAOHU – me fez perfeito e com dois ouvidos – para poder escutar...! Então: “Muitos perguntam”.:

         - Para que saber o Nome de Deus?

 

         - Será que só sabendo o “Nome de Deus”, (o Nome correto e não colocações humanas por motivos diversos...?); a pessoa já é salva?

 

         - Se a pessoa – souber o “Nome Pessoal” – verdadeiro de Deus – e, AGIR TODA “ERRADA”!? ADIANTA ALGUMA COISA? (Neste caso é NÃO...!).

 

         - ETC...

         Como resposta: “Há todo um compromisso com a verdade, mas não uma regra para ser SALVO! Isso, só Ele pode, nos SALVAR! Agora, pra mim, é muito mais que importante , saber o NOME do meu SALVADOR! NÃO ME CONTENTO COM UM “SUBSTANTIVO – QUE POR VONTADE HUMANA – VIROU NOME PRÓPRIO”. E mesmo porque ELE quer que seu verdadeiro Nome seja conhecido, louvado, glorificado como o diz esses estudos que estou buscando na BÍBLIA,  EM NENHUM OUTRO LUGAR. DA EXEGESE DO PRÓPRIO HOMEM QUE COMO EU ESTAMOS INTERESSADOS NA VERDADE SOMENTE: (Nm 23,19; Js 24,27; Sl 52,3; Pv 14,5; Ez 13,19; Cl 3,9; Hb 6,3.18; Tg 3,14; etc.)”.

 

         A minha resposta só pode ser uma: Cito Mateus 22,29; Marcos 4,22; Provérbios 25,2.

 

         Partindo única e exclusivamente, pelas escrituras, vamos aonde tudo começou, (o recomeço – pelas maldades do próprio coração do “homem” – uma verdade que não poderia ficar esquecida), vamos ao estudo do versículo de: ÊXODO 3,13-15.

 

         Bíblia de estudo DO PEREGRINO. Do Senhor – Luís Alonso Schökel. 2ª edição – 2.006.

 

         3,13-15. Segunda objeção. Ele se fia em Deus; o povo se fiará nele? Querendo saber qual Deus o envia – dado decisivo na missão profética, p. ex. Dt 13; Jr 23,13; - perguntarão pelo nome da divindade. A resposta é ao mesmo tempo positiva e ambígua; vale para Moisés e vale para o povo.

         Estes três versículos estão entre os mais analisados e discutidos de todo o AT. Qual a origem do nome Yhwh? Existia fora e antes de Israel? Que significa em si? Que função tem no relato? Sobre as duas primeiras perguntas se multiplicaram as conjeturas, sem oferecerem uma resposta plausível. Sobre a terceira: começamos confessando que nossa vocalização é duvidosa, pois nos nomes compostos encontramos as formas Yah, Yo, Yeha. A corrente, Yahwe, é uma forma factitiva do verbo hyh = ser, existir, aquele que dá o ser, faz existir. Assim podia soar aos ouvidos hebreus.

         No texto, Deus muda o verbo em primeira pessoa e forma uma frase aparentemente tautológica. Se o traduzirmos pelo indefinido, “o que foi”, a resposta é evasiva (como em Gn 32): o nome não importa, sou o Deus dos patriarcas e estou contigo. Se o traduzirmos como enunciado, “Sou o que sou”, presta-se para  a reflexão. Primeiro, encontra-se na esfera do ser ou existir (cf. Jo 8,58; Ap 1,4); segundo, não se define por predicados externos, mas por si mesmo; em nossa terminologia refinada, diríamos: “um ser absoluto”. Pois bem, para os israelitas vale o sentido enunciativo, “Eu sou”, que se oferece como explicação de um nome conhecido e se identifica com o Deus dos patriarcas. E acrescenta uma ordem perpétua: daí em diante Deus será INVOCADO COM O NOME DE Yhwh. E, assim foi (Is 42,8; 26,8) até que em tempos posteriores se evitou tal NOME, SUBSTITUINDO-O POR ADONAI.

       Na teoria documentária: o Eloísta considera que neste ponto se REVELA O NOME DE YHWH; ATÉ O PRESENTE ELE SÓ USOU O NOME ‘elohim ou um SUBSTITUTO.

 

 

       Vamos retornar a seqüência normal dos estudos, mas com outro parêntese que ainda preciso fazer para terminar a minha linha de raciocínio dentro desse livro maravilhoso que é Miqueias:

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

MIQUEIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Miqueias.

         Propósito: Chamar Judá ao arrependimento e à esperança durante a crise assíria e preparar Judá para o exílio babilônico ao mesmo tempo em que anuncia os julgamentos de Yaohu contra o pecado e as suas promessas de restauração.

         Data: 742-686 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu ameaçou julgar Samaria e Judá pelas suas violações evidentes da aliança.

         Yaohu conclamou o seu Povo a se arrepender de seus pecados para evitar ou atrasar o julgamento.

         Yaohu confirmou as promessas de restaurar o seu povo de derrota e do exílio.

         Yaohu prometeu abençoar o seu povo restaurado com vitória, expansão e paz.

 

 

         Propósito e características

         Miqueias organizou suas dezenove profecias em três ciclos (caps. 1 – 2; 3 – 5; 6 – 7). Cada ciclo começa com profecias de julgamento e termina com uma profecia (ou profecias) de salvação, e cada uma delas começa com a mesma palavra hebraica traduzida como “ouvi” (1,2; 3,1; 6,1). O ciclo inclui três oráculos de julgamento (cap. 3) e sete oráculos de salvação (caps. 4 – 5). Miqueias usou trocadilhos inteligentes e citou seus adversários, os quais tentaram silencia-lo (2,6-7).

         Nos seus oráculos de salvação, Miqueias previu que a salvação de Jerusalém durante a invasão de Senaqueribe (701 a.C.) dependeria somente da misericórdia de Yaohu em relação a um remanescente (2,13). Ele também previu que Yaohu libertaria o seu povo do cativeiro babilônio (4,9-10). Como resultado disso, o POVO DA ALIANÇA DEVERIA ANDAR NO NOME DE YHWH – YAOHU – O ETERNO (4,5) e depender da graça soberana de Yaohu (5,9), não dos trabalhos de suas próprias mãos (5,10-15). Durante esse julgamento, assim como no futuro, um REMANESCENTE perdoado resistiria por causa da misericórdia de Yaohu, pois Yaohu havia prometido em juramento ser fiel aos patriarcas (7,18-20).

 

 

         § TERMINANDO A MINHA LINHA DE RACIOCÍNIO, VAMOS AO ÚLTIMO ESTUDO – ANSELMO ESTEVAN.:

 

         O que sempre digo (“PALAVRA”) –, todo deus “pagão” feito pelas mãos “humanas” (conforme: Is; Jr; Ez; etc.), tem olhos mas não enxergam. Têm pés mas não andam. Têm boca mas não falam – são carregados de um lado para o outro... E, se caem “NÃO CONSEGUEM SE LEVANTAR...!” Ok. Mas, TODOS SEM EXCEÇÃO, TÊM UM NOME PRÓPRIO! POR QUE O ÚNICO DEUS – VIVO, CRIADOR DE TUDO E DE TODOS, SÓ ELE NÃO TEM UM NOME?

         Isso, termina aqui. E, para isso, a Bíblia – É A RESPOSTA:

 

         Miqueias 4,5 Porque todos os povos andam, cada um em nome do seu deus; mas, quanto a nós, andaremos em o NOME DE YHWH – YAOHU, o nosso Deus, para todo o sempre.

         Zacarias 10,12 Eu os fortalecerei no YHWH – Yaohu, e andarão no seu nome, diz YHWH – Yaohu.

         Salmo 31,3 Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; por causa do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás.

         Salmo 33,21 Nele, o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo Nome.

         Salmo 68,4 Cantai a Deus, salmodiai o seu nome; exaltai o que cavalga sobre as nuvens. YHWH – Yaohu é o seu Nome, exultai diante dele.

         Êxodo 6,2-3 Falou mais Deus a Moisés e lhe disse: Eu sou o YHWH – Yaohu. Apareci a Abraão, a Isaque e a Jacó como Deus Todo-poderoso; mas pelo meu nome, “O YHWH – Yaohu”, não lhes fui conhecido. (UL-ELOHIM = TODO PODEROSO, E NÃO EL-ELOHIM – CONOTAÇÃO DE UM “DEUS GREGO”).

         Deuteronômio 28,58-59 Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, escritas neste livro, para temeres este NOME GLORIOSO E TERRÍVEL, O YHWH – YAOHU, teu Deus, então, o YHWH – Yaohu fará terríveis as tuas pragas e as pragas de tua descendência, grandes e duradouras pragas, e enfermidades graves e duradouras!

 

         OK. “TEMER” SIM! “ESCONDER, BLASFEMAR, TROCAR, OU OUTRO VERBO QUALQUER” – NÃO! É ISSO QUE ENTENDO NA PALAVRA DE YAOHU. POIS, NINGUÉM TEME UM ÍDOLO QUE NADA É, SIMPLESMENTE UMA IMAGEM FEITA POR MÃOS HUMANAS QUE NA VERDADE É UM “DEMÔNIO....”. “COMO A PRÓPRIA BÍBLIA” –, EXPLICA MELHOR DO QUE EU... VEJA O QUE DIZ A BÍBLIA QUANTO A ISTO:

 

         Romanos 2,23-24  TU, QUE TE GLORIAS NA LEI, DESONRAS A DEUS PELA TRANSGRESSÃO DA LEI? POIS, COMO ESTÁ ESCRITO, O NOME DE DEUS É BLASFEMADO ENTRE OS GENTIOS POR VOSSA CAUSA.

         Isaias 52,5-6 AGORA, QUE FAREI EU AQUI, DIZ O YHWH – YAOHU, VISTO TER SIDO O MEU POVO LEVADO SEM PREÇO? OS SEUS TIRANOS SOBRE ELE DÃO UIVOS, DIZ O YHWH – YAOHU; O MEU NOME É BLASFEMADO INCESSANTEMENTE TODO O DIA. POR ISSO, O MEU POVO SABERÁ O MEU NOME; PORTANTO, NAQUELE DIA, SABERÁ QUE SOU EU QUEM FALA: EIS-ME AQUI!

         Ezequiel 36,21-23  MAS TIVE COMPAIXÃO DO MEU SANTO NOME, QUE A CASA DE ISRAEL PROFANOU ENTRE AS NAÇÕES PARA ONDE FOI.

         DIZE, PORTANTO, À CASA DE ISRAEL: ASSIM DIZ O YHWH – YAOHU DEUS: NÃO É POR AMOR DE VÓS QUE EU FAÇO ISTO, Ó CASA DE ISRAEL, MAS PELO MEU SANTO NOME, QUE PROFANASTES ENTRE AS NAÇÕES PARA ONDE FOSTES. VINDICAREI A SANTIDADE DO MEU GRANDE NOME, QUE FOI PROFANADO ENTRE AS NAÇÕES, O QUAL PROFANASTES NO  MEIO DELAS; AS NAÇÕES SABERÃO QUE EU SOU YHWH – YAOHU; DIZ O YHWH – YAOHU DEUS, QUANDO EU VINDICAR A MINHA SANTIDADE PERANTE ELAS!

         Etc.

 

         Veja, agora, o que diz o Salmo 138,2 e outros:

 

         Salmo 138,2 Prostrar-me-ei para o teu santo templo e louvarei o teu NOME, por causa da tua misericórdia e da tua verdade, pois magnificaste acima de tudo o teu NOME e a tua palavra.

         Salmo 8,1 Ó YHWH – Yaohu nosso, quão magnífico em toda a terra é o TEU NOME!

         Pois expuseste nos céus a tua majestade.

 

         Estudo do Salmo 8,1 Ó YHWH. O nome pessoal, ou da aliança, de Deus que ele revelou a Moisés na sarça ardente (cf. Êx 3). Quão magnífico... é o teu nome! O nome de Deus indica o seu caráter ou a sua reputação. A repetição desse verso inicial no final do salmo dá um ar reverente a toda a composição. (Por isso, é mais do que importante falar seu nome próprio e pessoal!). Anselmo Estevan.

 

         Salmo 8,5 Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que Deus e de glória e de honra o coroaste.

 

         Estudo do Salmo 8,5 Deus. Do hebraico Elohim, normalmente traduzido por “Deus”. A Septuaginta (a tradução grega do AT) o traduz por “anjos” (conforme citado em Hb 2,7). “ANJOS” é uma tradução apropriada, pois o termo em hebraico pode significar “seres sobrenaturais” ou até “governadores” (veja a nota sobre Dn 10,13). Só que no meu entender “Deus”, não é “criatura”, e, sim CRIADOR! Por isso no meu entender essa conotação é errônea! Anselmo Estevan.

         Daniel 10,13 estudo: Mas o príncipe da Pérsia me resistiu. No contexto fica aparente que esse príncipe se refere a um ser espiritual poderoso, mas maligno (cf. Jó 1,6-12; Sl 82; Is 24,21; Lc 11,14-26), designado por Satanás para agir no interesse do governo persa. Do mesmo modo, o arcanjo Miguel é chamado “o grande príncipe, o defensor” de Israel (12,1). Em outras ocasiões no Antigo Testamento os exércitos do céu são mencionados como lutando por Israel (Jz 5,20; 2Rs 6,15-18; Sl 103,20-21), porém Miguel, um dos primeiros príncipes veio para ajudar-me. Miguel é retratado como comandante dos santos anjos em Jd 9 e em Ap 12,7. Aqui temos um vislumbre das batalhas espirituais travadas no céu e que afetam os acontecimentos sobre a terra (Ef 6,12; Ap 12,7-9).

 

         Obs.: Século II a.C., (285-247 a.C.) – De Israel foram enviados 72 sábios (6 para cada uma das doze tribos de Israel) com a incumbência de traduzir as escrituras do hebraico para o grego, trabalho que cada um completou, segundo o Talmude ou Guemará (estudo), em 72 dias, estando cada um desses sábios confinado em celas separadas, na ilha de Faros. Somente o Pentateuco – Torá, foi traduzido nesta etapa, os demais livros, completando o Tanách – Bíblia, a saber, Nevii – Profetas (8) e ketuvin – Escritos (11), foram traduzidos posteriormente, até o final do século II a.C. (a Bíblia em hebraico é composta somente do Velho Testamento – Primeira Aliança). O Novo Testamento, também em grego, não é acoplado a Septuaginta, somente existindo em separado.

 

         A Vulgata de São Jerônimo – A Bíblia Latina da Igreja Católica.

         Devido às dificuldades reinantes no século III d.C., grandes divergências dogmáticas agitaram o mundo cristão e provocaram sanguinolentas perturbações, até que o imperador Teodósio conferiu a supremacia ao papado, impondo a opinião do bispo de Roma à cristandade.

 

         A fim de por termo a essas divergências de opinião, no momento em que vários concílios discutiam acerca da natureza de Jesus, uns admitindo e outros rejeitando sua divindade, o Papa Damásio confia a São Jerônimo, no ano 384, a missão de redigir uma tradução latina do Antigo e do Novo Testamento. Essa tradução passaria a ser a única reputada ortodoxa e aceita pela  Igreja!

 

         Veja um resumo da resposta de São Jerônimo ao Papa Damásio:

         “Da velha obra me obrigais a fazer obra nova?” Quereis que, de alguma sorte, me coloque como árbitro entre os exemplares das Escrituras que estão dispersos por todo o mundo (...). É um perigoso arrojo, da parte de quem deve ser por todos julgado, julgar ele mesmo os outros, querer mudar a língua de um velho e conduzir à infância o mundo já envelhecido.

         “Qual de fato, o sábio e mesmo o ignorante que, desde que tiver nas mãos um exemplar novo, depois de o haver percorrido apenas uma vez, vendo que se acha em desacordo com o que está habituado a ler (...). Não se ponha imediatamente a clamar que eu sou um sacrilégio, um falsário, porque terei tido a audácia de acrescentar, substituir, corrigir alguma coisa nos antigos livros?”.

 

         Material tirado: (http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Educacao/M_BibliaTraducoes.htm) 15/09/2010.

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         Finalizando:

 

         Salmos 148,13 LOUVEM O NOME DO YHWH – YAOHU - , PORQUE SÓ O SEU NOME É EXCELSO; A SUA MAJESTADE É ACIMA DA TERRA E DO CÉU!

 

Leia: Miqueias 4,6-13. Anselmo Estevan.

 

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM MIQUEIAS.

(Yaohushua):

 

         O livro de Miqueias revela O UNGIDO em pelo menos duas maneiras. Em primeiro lugar, Miqueias faz várias previsões de julgamento e libertação que tratavam diretamente da decisão divina quanto ao ataque devastador do rei assírio Senaqueribe a Judá e à salvação de Jerusalém. Ele também previu que os babilônios conquistariam Judá. Como atos principais de julgamento divino e salvação, essas previsões e suas realizações são sombras ou tipos que anteciparam o julgamento e a salvação finais que vêm em O UNGIDO.

         Em segundo lugar, as previsões dos julgamentos e das bênçãos que aconteceriam na restauração do povo de Yaohu após o cativeiro babilônico falam mais diretamente do UNGIDO. De acordo com o Novo Testamento, Yaohushua inaugurou esses acontecimentos em seu ministério terreno, dá continuidade a eles hoje e os completará quanto retornar. Miqueias falou desses acontecimentos como “últimos dias” (4,1; Hb 7) e “naquele dia” (2,4; 4,6; 5,10; 7,12); ou seja, “o dia do ETERNO – YAOHU”, o qual o Novo Testamento liga com a obra de  O UNGIDO – YAOHUSHUA (2Ts 2,1-2; 2Pe 3,10). Talvez a previsão mais direta do UNGIDO em Miqueias seja encontrada em 5,1-6 (veja Mt 2,6), em que Yaohu prometeu que a casa de Davi se levantaria após o exílio, derrotaria os inimigos de Judá, governaria o mundo todo e traria paz para o povo de Yaohu. (Mas não pelo povo... e, sim pelo seu santo Nome – Ezequiel 36,21-23 observe isto...). Anselmo Estevan.

 

 

 

         MIQUEIAS: Questões literárias e linguagem. O conteúdo do livro de Miqueias está distribuído conforme um esquema clássico nos textos proféticos: sentenças de condenação (Mq 1 – 3, exceto o “bloco errático” 2,12-13, de um lado; Mq 6,1 – 7,6 ou 7 de outro) e promessas de salvação (Mq 4 – 5; 7,7 ou 8-20), sucedendo-se conforme uma alternância regular. Evidentemente, esta distribuição é obra de redatores posteriores à composição dos oráculos. Surge assim a questão da autenticidade dos elementos neles contidos. Os caps. 1 – 3 e 6,1 – 7,6 são quase unanimamente atribuídos a Miqueias de Moréshet, que viveu no séc. VIII; os vv. 2,12-13 e a liturgia de 7,8-20 são situados em geral na época do retorno do Exílio, depois de 536. Os caps. 4 e 5 mantêm-se como objeto de discussão; alguns os vêem como um conjunto de oráculos pós-exílicos, outros reconhecem neles um substrato miqueniano reelaborado em sucessivas releituras. A questão continua aberta.

         Tal como está, o livro apresenta as formas literárias clássicas herdadas da tradição profética: advertências, repreensões, oráculos de julgamento, requisitórios ou processos de aliança, promessas de salvação, fragmentos litúrgicos. Mas, na medida em que se pode sondar o substrato original dos textos, aparece claramente que Miqueias lhes imprimia sua marca pessoal: diversas vezes, a condenação transforma-se em lamentação (Mq 1,2-16 e 7,1-7), marca de uma sensibilidade vibrante que o profeta nem sempre consegue dominar. Será seu conflito com os responsáveis oficiais que o leva a afirmar seu interesse pelos gêneros do processo (1,1ss.; 6,1-8) e da controvérsia (2,6-11)? De vez em quando transparece até a linguagem coloquial. No mais, seu estilo, às vezes conciso a ponto de se tornar elíptico, aproxima-se do de Amós por seu vigor e crueza (2,6; 3,5). O quase sistemático recurso a jogos de palavras às vezes dificulta a compreensão do texto, além do fato de este nos ter chegado em estado bem alterado. O tradutor hesita às vezes quanto ao teor exato de certas passagens.

 

 

         O profeta e seu tempo. O nome de Miqueias (Miká, Mikáiehu) representa uma interrogação abreviada: Quem é como o [Senhor]? (cf. Mq 7,18) e talvez evoque uma exclamação cultual (Sl 113,5; 35,10; 89,7-9; Is 44,6ss.). O nome aparece na Bíblia com relativa freqüência. Convém distinguir nosso profeta-escritor de outro profeta chamado Miqueias, mencionado em 1Rs 22 (= 2Cr 18).

         Identifica-se geralmente a pequena aldeia de Moréshet, pátria de Miqueias (conforme 1,1), com o atual Tell el-Yudeideh. O profeta provém portanto de Judá, mais exatamente na Baixada situada a oeste da capital. Esta localização tem sua importância em vista do tempo e dos acontecimentos históricos aos quais o livro alude. {O nome...(Mq 7,18), o correto seria... [Yaohu]?...}. Anselmo Estevan. (*).

 

 

         A mensagem. A pregação de Miqueias concerne essencialmente à situação moral e religiosa de Judá. Os hierosolimitanos julgam poder apropriar-se da aliança com garantia da inviolabilidade de sua cidade. Falsa segurança, denuncia Miqueias. Permanecendo Yaohu fiel à seu compromisso, o homem poderia considerar-se dispensado do seu! Ora, em Jerusalém, a corrupção dos poderosos tomara dimensão assustadora, profetas e juízes mais preocupados com seu proveito que com a verdade e a eqüidade de que são responsáveis. Alargou-se o fosso entre proprietários e pobres, a situação social é deplorável. Os cultos são celebrados com fausto, mas não implicam conversão do coração. O mal se tornou tão radical que Samaria e Jerusalém aparecem como a personificação do pecado (Mq 1,5). O castigo conseqüência do julgamento de Yaohu, estará à altura de sua rebeldia. O fato de ter anunciado este julgamento granjeará a Miqueias, na história, a fama de profeta de desgraça (Jr 26,18). Contudo, não convém ver na catástrofe que se aproxima da cidade santa a manifestação de uma ira cega e implacável, mas antes o julgamento de um Deus que não tolera a injustiça. O profeta se refere a um ideal da Aliança resumido na admirável fórmula de Mq 6,8; Israel é julgado em função de sua eleição.

         Todavia, o livro de Miqueias não se restringe a perspectivas sombrias. O castigo talvez se transforme em apelo à conversão. Yaohu já está preparando uma renovação no humilde clã de Efrata (Mq 5,1-5), onde se espera um rei messiânico descendente de David. A reunificação das tribos dispersas inaugura a grande paz que se estenderá até os confins da terra. Jerusalém tornar-se-á centro de atração universal, e as nações acorrerão de toda parte, para nela encontrar YAOHU e receber sua Palavra (Mq 4,1-5). Fonte de bênçãos para as nações convertidas ao ETERNO, o pequeno resto israelita desempenhará em relação aos povos rebeldes o papel de instrumento da vingança divina. Toda falsa segurança humana, todo culto mentiroso, toda prática idolátrica serão varridos. Israel entregar-se-á totalmente a YAOHU e só esperará sua salvação de uma iniciativa divina.

         Conforme o título do livro, Miqueias exerceu seu ministério sob os reis Iotâm, Acaz e Ezequias de Judá, ou seja, entre 750 e 697. É contemporâneo do Primeiro Isaías. Nenhum texto, todavia, permite afirmar com certeza sua manifestação no tempo de Iotâm; convém antes pensar no fim do reinado de Acaz. De outra parte, será que o título registra toda a atividade do profeta? Alguns passos extremamente duros talvez se refiram ao ímpio rei Manassés e sua época. Nesta hipótese, o ministério de Miqueias se estenderia de 725 a 680. Este período foi marcado por dois fatos importantes. Em primeiro lugar, a queda de Samaria, em 722, depois de sucessivas crises dinásticas. Miqueias viveu esta catástrofe: anuncia-a em 1,6-7. O outro grande fato histórico consiste na invasão da Baixada por Senaqueribe, em 701. A pátria do profeta fica de repente incluída na zona de ação dos exércitos assírios. Miqueias chega a ver a desgraça aproximar-se de Jerusalém, cuja queda considera inevitável (1,8-16 e 3,12).

         Miqueias vê-se assim envolvido na tormenta que atinge sua terra. Mas, à diferença de Isaías, não se envolve de modo prático no jogo político. Nunca se pronuncia, por exemplo, sobre os esforços diplomáticos dos responsáveis. Ao contrário, considera os acontecimentos conseqüência inelutável do pecado de Israel, a saber, a injustiça social e o conluio com os cultos estrangeiros.

         Na sua luta, Miqueias aparece como um homem solitário, só diante do povo cujo sofrimento partilha, só diante dos poderosos (sacerdotes, juízes e príncipes, cf. Mq 3), só diante dos profetas cegos que anunciam um futuro de felicidade e facilidade (Mq 2,6-11). Mas enfrenta-os com coragem, consciente de ser conduzido pelo “Rúkha” do ETERNO, que lhe dá a força de cumprir sua missão (Mq 3,8).

 

         Oráculo: A “Mensagem de Yaohu” revelada no AT  (RA: Rm 3,2; Hb 5,12; 1Pe 4,11). Resposta que, por meio de augúrios, os pagãos esperavam receber de divindade, consultada em momentos de indecisão (Ez 21,21-23, RA; v. NTLH).

 

(*): Possivelmente seja “Senhor” mesmo pelo nome: Mikáiehu” = SENHOR! Onde, o Nome de “Deus”, foi “alterado...”!! Anselmo Estevan.

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

NAUM

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Naum.

         Propósito: Confortar Judá ao anunciar julgamentos futuros contra Ninive.

         Data: 663-612 a.C.

         Verdades fundamentais:

         A glória de Yaohu em julgamento é digna de louvor.

         Yaohu julgaria Ninive, assim como às outras nações, por maltratar o seu povo.

         Yaohu manteria o seu povo fiel a salvo e o restauraria da destruição e do exílio.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Naum tem um título duplo. Ele é chamado de “sentença contra Ninive” e “Livro da visão de Naum” (1,1). Uma sentença geralmente indica uma mensagem divina de julgamento contra uma nação estrangeira (Is 13,1). Visão se refere à experiência profética única de receber a mensagem do ETERNO. Às vezes, o profeta era instruído a escrever uma sentença específica (Is 8,1-4; 30,8) ou “todas as palavras” (Jr 36,2) que o ETERNO exigia que ele proclamasse (Jr 36,1-32). A forma escrita fornecia então um forte testemunho adicional para a certeza do cumprimento desses pronunciamentos divinos. O título duplo da profecia constitui, portanto, uma forte afirmação da autenticidade dessa sentença de destruição contra Ninive e da certeza do julgamento iminente de Yaohu sobre o reino assírio.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM NAUM.

(Yaohushua):

         O livro de Naum não contém profecias messiânicas diretas, mas ainda assim as expectativas de julgamento contra Ninive e da salvação do fiel povo de Yaohu são cumpridas finalmente em O UNGIDO. Yaohushua e seus apóstolos declaram salvação para o povo de Yaohu e julgamento contra os inimigos dele. Na verdade O UNGIDO começou o seu julgamento e a dar salvação na sua primeira vinda (Jo 5,22-30). Hoje, a guerra espiritual na qual a Igreja está constantemente envolvida (Mt 16,18; Ef 6,10-17) dá continuidade a esse processo. Além disso, quando O UNGIDO retornar em glória, ele destruirá todos os poderes contrários e entregará o reino para o seu Pai “para que Yaohu seja tudo em todos” (1Co 15,24-28). [Por isso, é de máxima importância saber o seu Nome Pessoal e não erros de cópias de cópias erradas com substitutos de nomes...!]. Anselmo Estevan.

 

 

 

         NAUM: Naum, o “consolador”. O sétimo dos profetas menores, Naum ou “o consolador”, o “reconfortado” (Nahum) é que pode consolar, reconfortar (2Co 1,4), o consolador, não tem nenhum homônimo na Bíblia, apenas um sinônimo: Menahêm (2Rs 15; At 13,1; cf. 4,36); ver também Neemias (Ne 1,1 nota).

         Oferece aos seus o conforto que num período muito sombrio lhes permite resistir, graças à esperança (cf. Rm 15,4-5).

         Esta esperança, que o anima e que ele afirma com grande e vigorosa fé, apóia-se na infalível vitória do ETERNO, mesmo quando os inimigos parecem prosperar (1,12; 3,15-17), ao mesmo tempo terríveis como leões (2,12-14) e hábeis na sedução (3,4).

 

 

         O livro de Naum. Seu livro (1,1) desenvolverá sucessivamente esse tema fundamental em três modalidades diferentes:

         1. No início, um salmo (1,2-8). Mais ou menos à maneira da introdução a outros livros proféticos (cf. Am 1,2; Mq 1,2-4; Sf 1,2-3), de modo mais insistente porém, ele nos põe em face daquilo que domina tudo o mais. E, se o ETERNO se mostra sobretudo sob o aspecto aterrador de juiz soberano do mundo inteiro, não se negligencia o outro aspecto de seu rosto (cf. vv. 3 e 7), aspecto que, adiante, se manifestará numa luz muito mais viva (cf. 1,3 nota). Este primeiro trecho situa-se, em seu conjunto, num plano bem geral e atemporal; as alusões à história da salvação são discretas (cf. vv. 3-4). Mas para o fim, contudo, parece que se vislumbra o contexto histórico particular do livro (v. 8).

         2. Na segunda parte (1,9 – 2,3) este contexto se delineia. Todavia a interpretação de alguns elementos dos oráculos contidos nesta segunda parte continua delicada (cf. 1,9 notas; 1,12 nota).

         OBS: (Aparecem somente um Naum na genealogia de Yaohushua [segundo Lc 3,25], junto com outros nomes de profetas {cf. Lc 3,23}, e um Nehum em Ne 7,7.).

 

         Com Jonas, a consolação pelo apelo à conversão será levada a Ninive, que, para Naum, permanece inconsolável (3,7).

 

         3. Por fim, tem-se a celebração da queda de Ninive (2,4 – 3,19); poder-se-ia mesmo dizer, com mais exatidão, a invocação pela queda de Ninive; ou ainda a evocação, dando a este termo o sentimento forte de apelo eficaz pelo desaparecimento desta Ninive no auge de seu poder. Sucedem-se então quadros particularmente sugestivos, possuindo cada qual sua unidade e realçando diferentes aspectos da cidade e de seu desaparecimento. A cidade adquire valor de símbolo (cf 1,8 nota), assim como seu castigo e o de seu rei constituem uma lição de alcance universal: De ti, vou fazer um exemplo (3,6). Se o ETERNO interveio de modo tão extraordinário, isto se deu, em última análise, para a libertação dos oprimidos (3,19), a salvação dos seus (1,7; 2,1.3). Vamos contentar-nos com estas poucas indicações sobre o livro em seu conjunto e a articulação das três partes, sem entrar na discussão detalhada dos argumentos apresentados para contestar sua unidade.

 

 

         Naum e a queda de Ninive. Uma tese engenhosa esforçou-se por apresentar Naum como o formulário de uma liturgia. Esta celebraria, no outono de 612 em Jerusalém, por ocasião do Ano Novo e ensejado pela recente queda de Ninive, um aspecto particularmente importante do triunfo do ETERNO sobre seus inimigos. Embora reconhecendo certa orientação cultual dada ao livro pelo salmo inicial, que facilita, após a realização da profecia, uma releitura na ação de graças, os comentadores atualmente preferem outra interpretação. Aceitam, geralmente, situar a proclamação dos oráculos (que seriam autênticos oráculos proféticos), e até mesmo a composição do livro, antes da queda de Ninive (612) e depois do saque de Tebas (663), a que faz alusão o cap. 3 (vv. 8-10). À procura de indícios mais precisos, nota-se com razão que, segundo 1,13, Judá ainda está sob o guante assírio; isto nos reportaria ao período antes da morte de Assurbanipal (cf. 1,13 nota); mas, por outro lado, impressionados pela vivacidade, o cunho de atualidade de alguns traços dos quadros dos cap. 2 e 3, podemos perguntar se estes não evocam como fatos recentes a invasão da Assíria (3,12-13) e talvez mesmo o início do sítio de Ninive (2,2.4-5; 3,2-3.14), justamente pelos babilônios e medos, cujos exércitos exibiriam a cor vermelha (2,4). Todavia, quem assim pensa não estaria deduzindo, de descrições fantasiosas, minúcias que o texto não tenciona fornecer? De resto, alusões mais seguras da segunda parte do livro parecem contradize-las.

         Não correríamos o risco de nos enganar quanto às intenções do profeta e à natureza daquilo que ele evoca com tanta imaginação? Sua preocupação, sua missão não é tirar as conseqüências imediatas da análise superficial de determinada situação política. Quer, antes do mais, exprimir a visão da fé em face dos compatriotas desamparados e contribuir para inserir esta visão na história, ao pronunciar a palavra eficaz de Yaohu que lhe é comunicada. Por esta razão, um comentário de Naum editado em 1971 prefere situar a proclamação dos oráculos e a composição do livro nos meses que se seguiram imediatamente ao grande acontecimento de 663 (cf, 3,8 nota), e não nas proximidades de 612; tudo a partir de um conjunto de dados indicados nas notas à presente tradução. Vários indícios explorados por outras posições críticas também estão aí assinaladas.

         Pode-se acrescentar, a título inteiramente secundário, que, segundo a tradição de interpretação delicada veiculada por Tb 14,4 – Livro apócrifo – (cf. também os vv. 12-15). Naum era considerado um profeta que teria predito o futuro a longo prazo; e que, de acordo com Séder Olâm, crônica rabínica contemporânea da Mishná, ele e Joel teriam exercido seu ministério sob Manassés.

 

         OBS: (Cf. Ez 23,14 para os babilônios, e Heródoto para os medos. A cor dos assírios, ao invés, teria sido “a púrpura violeta” (Ez 23,5-6, cf 27,7): então a alusão aos rostos rubros (2,11) poderia ser uma ironia!).

 

         (A queda da Babilônia foi também predita por Jeremias um meio século antes; ver Jr 51,59 nota e cf. Jr 50,1 nota).

 

         (Também quanto a Joel, isto não parece tão inverossímil, cf. a Introdução a Joel).

 

         (Cf. Jl 2,4-9 e Na 2,4-5.11; 3,2-3).

 

 

         O profeta Naum. Sem deixar de notar características particulares da poesia hebraica ou da poesia em geral na linguagem de Naum, tem-se elogiado sobretudo o valor literário do livro em seu conjunto, quer se trate de hino inicial (cf. 1,2 nota) ou da vivacidade das interpelações e descrições da segunda e da terceira partes. O título do livro: visão (1,1) é muito característico; Naum vê e faz ver.

         Contudo, o que mais impressiona na acuidade de sua visão é a paixão que o anima, o ardor de sua fé: apesar das aparências, afirma, com a força da inabalável convicção vinda do alto, que a vitória será do ETERNO, que ela já lhe pertence.

         Por isto, para além das antíteses superficiais que alguns quiseram descobrir entre Naum e os grandes profetas, como Jeremias, tem-se de reconhecer nele a manifestação de um dinamismo haurido de excepcional comunhão com o Yaohu vivo, com o ETERNO, dono da história e de todo homem.

         Se, por exemplo, considerando o paralelismo de 1,13 com Jr 28,11, formos tentados a classificar Naum entre os profetas do tipo de Hananiá, contra o qual se insurge Jeremias, bastará virar duas ou três páginas do livro deste profeta para descobrir Jr 30,8: Percebemos então que também Jeremias predisse a libertação após o castigo, em termos análogos como fizera Isaías (por ex., em 10,5-9.24-27). Não nos deve surpreender o fato de não encontrarmos, nos quarenta e sete versículos de Naum, todos os aspectos da pregação profética encontrados na suma que é o livro de Jeremias. Sabemos que o ciúme do ETERNO mostra sucessivamente faces diferentes (1,2 nota); não é, pois, de admirar que as vozes de seus arautos exibam tonalidades tão variadas! Solidários no seio da mesma tradição, sabem inspirar-se discretamente um no outro, prolongar-se ou completar-se Jonas, por exemplo, amplia os horizontes de Naum. Joel que utiliza, assim parece, algumas vezes elementos da descrição da queda de Ninive, deles se serve na linha de Naum, para anunciar um acontecimento de alcance ainda mais universal, o dia do ETERNO. Sabe-se também com que amplidão Joel explorará a imagem dos gafanhotos e locustas de Naum (3,15-17) para descrever a provação por excelência (Introdução a Joel). E poder-se-iam multiplicar tais concordâncias com muitos outros profetas.

         As notas à tradução aqui propostas assinalam as divergências entre as principais testemunhas do texto; entre outras, de fragmentos de comentário encontrado em Qumran. Este Comentário, datado de uns cem anos antes de nossa era, atesta, a seu modo, que vários fiéis souberam encontrar em Naum uma palavra de Yaohu capaz de esclarecer qualquer momento da história.

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

HABACUQUE

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Habacuque.

         Propósito: Guiar Israel em direção à fé em Yaohu durante as provações da conquista e do exílio babilônico ao exibir o empenho e a determinação pessoal do profeta.

         Data: 605-600 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu nunca tolerará o pecado grave entre o seu povo.

         Yaohu pode usar incrédulos perversos para castigar o seu povo.

         Os fiéis deveriam reconhecer honestamente perante Yaohu as várias dificuldades que enfrentam.

         Os fiéis deveriam aprender a confiar em Yaohu, mesmo quando as circunstâncias são difíceis.

 

 

         Propósito e características

         Em muitos aspectos, Habacuque lembrava muito o seu contemporâneo Jeremias, pois ele estava profundamente preocupado com a desobediência do povo de Yaohu e com as dificuldades que, num período muito breve, eles enfrentariam. A preocupação de Habacuque é mais demonstrada em diálogos com Yaohu, bem como persistentes súplicas a ele (2,1-2; 3,2.16), do que em pregação profética. O livro registra como o profeta mudou da profunda aflição e dúvida para a crença e a esperança por meio da oração a Yaohu.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM HABACUQUE.

(Yaohushua):

 

         Quando Paulo, em sua carta aos romanos, procurou por um texto adequado para basear o seu entendimento do evangelho, ele escolheu Hc 2,4 na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento (Rm 1,17; cf. Gl 3,11; Hb 10,37-38). Assim como Habacuque (cap. 1), Paulo estava convencido de que a maldade e o pecado são incompatíveis com a santidade de Yaohu e isso só pode ser resolvido por meio de intervenção divina. A palavra profética de Habacuque (cap. 2) revela em princípio o meio pelo qual Yaohu irá finalmente lidar, por meio de O UNGIDO, com a incompatibilidade entre pecado e santidade. A cruz de O UNGIDO e o julgamento final em seu retorno são cumprimentos dessa revelação. Paulo, como Habacuque, afirmou que a verdadeira vida só é possível numa relação de total dependência do ETERNO. Essa dependência, baseada na fidelidade de nosso Yaohu, transforma a nossa existência neste mundo, enchendo a nossa vida de alegria e esperança na expectativa do cumprimento final de todas as suas promessas (cap. 3; cf. 2,3). Dessa maneira, Habacuque pode ser chamado de bisavô da Reforma. Os conceitos principais de sua pregação, assumidos por Paulo, influenciaram profundamente homens como Lutero e Calvino e se tornaram divisas-chave na fé da Reforma. Apenas a fé – a confiança perseverante e obediente no Yaohu de Habacuque, o Deus e Pai de nosso ETERNO Yaohushua O UNGIDO – fornece a chave para a existência significativa no mundo durante este período entre a primeira vinda de O UNGIDO e o seu retorno.

         [“Não há nenhuma salvação, a não ser nele; pois não há sob o céu nenhum outro nome oferecido aos homens, que seja necessário à nossa salvação At 4,12”]. Por isso é importante saber o seu verdadeiro nome. Anselmo Estevan.

 

 

 

         HABACUQUE: O livro. O texto. O texto hebraico dos três capítulos do livro de Habacuc apresenta numerosas dificuldades, que estão longe de ser resolvidas. As leituras propostas pelas versões antigas são muitas vezes variantes, mas sempre interessantes. Entre os manuscritos da Comunidade de Qumran descobertos nas grutas do Deserto de Judá (os “manuscritos do mar Morto”), figura um Comentário de Habacuc que resistiu – e confirma – mais ou menos integralmente o texto dos dois primeiros capítulos. É, de longe, o mais antigo testemunho do texto hebraico, copiado, ao que se julga, antes do início de nossa era. As poucas diferenças entre o texto do Comentário e o texto hebraico comumente aceito estão assinaladas nas notas.

         Ler hoje a profecia de Habacuc é entrar num texto de várias vozes: a voz do próprio profeta pode ser escutada de diversas maneiras; além disto, seu som se articula sobre um fundo de variações expressas pelas versões e outros ecos da repercussão que este livrete conheceu.

         O plano. Após o título (1,1), a proclamação se compõe de dois apelos do profeta dirigidos a seu Deus Yaohu (1,2-4 e 12-17). A estes apelos correspondem duas respostas: a primeira (1,5-11) é uma visão, a da avançada, irresistível de um exército de conquistadores, os caldeus; a segunda (2,2-19), que também se intitula “visão” (2,2), começa por um oráculo (2,2-4), que é o centro do livro, pois deve ser gravado “em tábuas” (2,2). Ela continua por cinco estrofes começando por Ai! Proferidas contra um inimigo (2,6b-19). Dois textos de transição mostram, o primeiro, o profeta como sentinela (2,1), o segundo, o inimigo que o profeta vai apostrofar por cinco vezes (2,5-6a). Outro versículo de transição (2,20) anuncia o Salmo do capítulo 3, que descreve a intervenção de Yaohu, e conclui com um louvor.

 

 

         As circunstâncias do profeta. A história. A menção aos caldeus (1,6) leva a situar a proclamação de Habacuc na época em que os neobabilônios, desarticulando o império assírio, começam, com êxito, a impor seu domínio ao Oriente Médio, em fins do séc. VIII a.C. O profeta descreve e interpreta este acontecimento histórico, tão prenhe de conseqüências para o reino de Judá: campanhas militares de 610 a 600, invasão de Judá, assédios de Jerusalém, deportações (2Rs 23 – 25).

         Quanto às circunstâncias precisas que acompanharam a redação e composição do livro, os comentadores se dividem entre várias perspectivas:

         - Cada parte do livro corresponderia a uma etapa da conquista caldéia; com isto, a composição do livro se teria estendido no tempo; a importância atribuída a esta extensão temporal do processo de composição varia conforme os autores.

         - A forma dialogada dos dois primeiros capítulos e a forma de hino do cap. 3 seriam indícios da natureza litúrgica destes poemas. Teriam estado no centro de celebrações cultuais. Não se consegue saber se se trata de uma profecia, que teria recebido uma forma litúrgica, ou de uma criação litúrgica original, apresentada como profecia. Apesar desta incerteza, o leitor atento a este aspecto do livro poderá percorre-lo sentindo o intenso fervor coletivo que animou o diálogo dos caps. 1 – 2 e o Salmo do cap. 3, no momento dos fatos vislumbrados por trás do texto e durante os perturbados anos que se seguiram.

         A personalidade do profeta. As pesquisas sobre a pessoa de Habacuc continuam sem resultado apreciável. Muitas vezes se interpreta seu nome como o de uma planta de jardim. Nem o seu livro, nem os outros livros canônicos da Bíblia hebraica dizem algo de explícito sobre a vida ou a personalidade do profeta. Em compensação, depois da difusão do livro que traz seu nome, Habacuc entra na legenda e Dn 14,33-39 lhe dá um papel numa cena que reedita a de Daniel na cova dos leões.

         O homem presunçoso (2,5). É possível que a proclamação de Habacuc tenha visado a duplo feixe de circunstâncias: é evidente que o profeta ataca os caldeus, inimigo exterior, principalmente na pessoa de seu soberano, impiedoso e insaciável em suas conquistas; paralelamente, percebem-se, em algumas interpelações do capítulo 2, a crítica a outro personagem: o rei de Judá – certamente Joaquim –, que, no interior do reino, seria culpado de injustiça pelo menos tão grande, do ponto de vista do profeta, quanto aquela que cabe ao inimigo caldeu. Compara-se 2,6-12 com Jr 22,13-19.

Mensagem e interpretação. Quando as circunstâncias nacionais e internacionais põem em xeque os próprios fundamentos das relações entre Yaohu e seu povo, surge um drama na comunidade dos fiéis. O testemunho da profecia de Habacuc é, em primeiro lugar, o do fiel. Embora – ou porque – desamparado, o fiel recorre a Yaohu contra o próprio Yaohu cuja ação na história se tornou incompreensível. A resposta é dada naquilo que propõe a palavra-chave fidelidade (2,4). À fidelidade, fundamento e justificação da vida do crente, é concebida a visão da fidelidade de Yaohu, bem real apesar das aparências. Para isto chamam a atenção às notas desta edição: o Salmo do cap. 3 é formado por uma textura de expressões a lembrar que Yaohu de Israel deu, se assim se pode dizer, provas seguras de sua fidelidade no passado. Ora, é este Deus que vem (3,3); daí a firmeza de conclusão: O ETERNO é meu ETERNO, ele é minha força.

         No decurso da história, recorreu-se ao livro de Habacuc para encontrar uma visão dessa ordem em períodos difíceis. A comunidade de Qumran interpreta-o como iluminação decisiva dos tumultuosos acontecimentos que ela testemunhou. Igualmente a primeira comunidade cristã a ele recorreu, para definir a situação do cristão, (hoje, “os Remanescentes”). Anselmo Estevan., em relação ao Deus – Yaohu de Yaohushua O UNGIDO. As citações de Hc 2,4 pelas epístolas do NT (Rm 4,17; Gl 3,11; Hb 10,38) ampliam a significação do termo central, fidelidade, para incluir a fé, tal qual concebida pelos autores cristãos (cf. Rm 10,9 nota). Implicação que se acha na maioria dos escritos dos Pais da Igreja que se referem a este versículo de Habacuc. Sabe-se também que esse tema é como que gravado em exergo na obra inicial de Lutero, o Comentário à Epístola aos Romanos.

         Esta interpretação provavelmente se espalhou junto com o cristianismo; por este motivo, a partir do séc. II de nossa era, os comentadores judaicos procuram minimizar o alcance da afirmação chave: um justo vive por sua fidelidade; ou lêem:... sua alma não é reta nele e um justo não viverá por sua fidelidade (por sua fé só), estendendo a negação do primeiro membro da frase ao segundo; ou consideram a frase como a expressão de uma saída concebida de mau grado a fiéis de piedade arrefecida: àqueles para os quais o jugo da Torá é pesado demais e que não conseguem cumprir suas 613 prescrições, concede-se assumir apenas uma dentre elas, a mais fácil: afirmação da fé monoteísta, um mínimo.

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

SOFONIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

        

 

 

         Visão geral

         Autor: O próprio Sofonias.

         Propósito: Conclamar o povo de Judá e de Jerusalém ao arrependimento em face da invasão, bem como à esperança numa grande restauração após o tempo de destruição e exílio.

         Data: 640-621 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Yaohu usou os babilônios para castigar severamente Judá e muitas outras nações por causa dos seus pecados.

         Buscar humildemente a Yaohu provê esperança de proteção contra o mal.

         A destruição de outras nações redundaria, um dia, em benefício para Israel.

         Yaohu purificará gentios e judeus e lhes concederá bênçãos grandiosas depois que o seu julgamento estiver terminado.

 

 

         Propósito e características

         A terminologia de Sofonias é muitas vezes semelhante à de seus predecessores (cf. 1,7a  com Hc 2,20; 1,14 com Jl 1,15; 17b com Is 34,6), o que provavelmente indica que ele estava familiarizado com as profecias desses profetas. Ele manteve a continuidade com os profetas que o precederam.

         O foco de sua mensagem, entretanto, era “o dia do ETERNO”. Nesse dia, um inimigo estrangeiro, a “espada” do ETERNO (2,12), infligiria severa destruição a Jerusalém (1,4). Esse inimigo tem sido variadamente identificado com os citas, os assírios ou os babilônios. Próximo ao final do reinado de Ezequias, Isaías já havia identificado os babilônios como aqueles que conquistariam Jerusalém (Is 39,5-7). Portanto, é muito possível que Sofonias tivesse essa ameaça em mente.

         O tratamento dado por Sofonias a esse tema forma dois ciclos que se movem do julgamento divino para a esperança de salvação.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM SOFONIAS.

(Yaohushua):

 

         O livro de Sofonias não contém nenhuma profecia messiânica direta, mas o foco do profeta sobre o “dia do ETERNO” como uma ocasião de julgamento e bênção liga a sua mensagem com a obra de O UNGIDO. Num determinado momento, o Novo Testamento identifica o dia do ETERNO com o dom do “Rúkha no dia de Pentecostes” (At 2,20). Normalmente, entretanto, o dia do ETERNO se refere ao retorno glorioso de O UNGIDO (1Co 1,8; 5,5; 2Co 1,14; 1Ts 5,2; 2Ts 2,2; 2Tm 4,8; 2Pe 3,10), e descreve esse dia como a ocasião em que YAOHUSHUA destruirá todos os seus inimigos e derramará bênçãos maravilhosas sobre seus fiéis seguidores. [“O último inimigo a ser destruído: A MORTE – 1Co 15,26. {1Co 15,24-28 – Hb 2,14.15; Ap 1,18; Rm 6,9; 6,11; Tt 1,4; 2,13; 3,6; 1Co 15,51-57; Ap 20,11-15}. Efésios 4,4-6: Há somente um corpo e um Rúkha, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só ETERNO – Yaohu, uma só fé, um só BATISMO; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos”.]. “Há, também, um ÚNICO NOME AO QUAL FOI DADO AOS HOMENS NÃO POR MÃOS HUMANAS...”. Por isso, é essencialmente saber o seu único nome -  “AGUARDEM NO FINAL DESTA APOSTILA” – AS REVELAÇÕES APÓS “Malaquias” -  do “NOME DE DEUS!”. Anselmo Estevan. Essas correlações entre a mensagem  de Sofonias e o ensino do Novo Testamento apontam para duas direções.

         Em primeiro lugar, Sofonias predisse que a descrição infligida pelos babilônios alcançaria a muitos. Não apenas os ímpios em Judá seriam julgados, mas as nações iníquas do mundo também receberiam o julgamento de Yaohu. Esse julgamento babilônico, entretanto, seria apenas um prenúncio do julgamento eterno que virá quando O UNGIDO retornar em glória.

         Em segundo, Sofonias predisse que a destruição trazida pelos babilônios não anularia as promessas de Yaohu. Yaohu purificaria um povo para si mesmo de entre as nações e dos exilados judeus, e os traria em alegre celebração às maravilhas de uma Jerusalém renovada [os REMANESCENTES]. Anselmo Estevan. Essa visão profética é cumprida em YAOHUSHUA. Em O UNGIDO, os gentios são unidos aos crentes judeus para formar um corpo (Ef 2,11-16). Quando O UNGIDO retornar, homens e mulheres redimidos de todas as nações se curvarão diante dele em louvor cheio de alegria (Ap 7,9-10) na nova Jerusalém (Ap 21,1-3). E, o louvaram com o seu verdadeiro Nome – “VEM YAOHUSHUA” – VEM! VOCÊ NÃO QUER FICAR DE FORA NÃO É MESMO. ENTÃO APRENDA SOBRE SEU NOME OK. Anselmo Estevan.

        

 

 

         SOFONIAS: Será que Yaohu se interessa pelos homens? É ele quem conduz a história? Tal era a pergunta dos céticos ao profeta, num tempo de calamidade (Sf 1,12).

 

 

         I. O quadro histórico. O pano de fundo do livro de Sofonias é, com efeito, uma época excepcionalmente dramática que interrogava este profeta –, como a  outros, aliás –, acerca do sentido da história.

         Para começar, é o tempo da expansão assíria, com as destruições e crueldades que ela acarretava. Ruína dos estados arameus situados entre o Eufrates e o Mediterrâneo; em seguida, a de Damasco, em 732 a.C.; tomada de Samaria, em 722, com deportação da população; tomada de Tiro, em 701, e de Sídom, arrasada de alto a baixo, em 671; saque de Tebas no Egito, em 663; saque de Babilônia, em 689: “Eu a tratei pior do que um dilúvio”, escreverá Senaquerib.

         Algumas dezenas de anos mais tarde, a situação se inverte: os medos aniquilam Ninive em 612. Depois, os neocaldeus de Babilônia inundam o Ocidente: Jerusalém é sitiada três vezes e acabará arruinada, em 587.

         Entre estes dois movimentos pendulares, houve ainda uma invasão dos citas que, durante vinte e oito anos (de 639 a 611 mais ou menos), dominaram grande parte do Oriente Médio. Vindos do norte do mar Negro, empurraram os medos, apoderaram-se da Ásia Menor e prosseguiram, ladeando a costa mediterrânea, sua marcha para o sul, em direção do Egito. As instâncias e os presentes do rei do Egito (Psamético, 664-620 a.C.) fizeram-nos voltar atrás. Contudo, senhores da Ásia e dos confins do Egito, os citas pilharam e arruinaram inteiramente os territórios que ocupavam ou atravessavam, impondo, a bel-prazer, o seu domínio aos povos submetidos. Seu domínio terminou com o saque de Ashqelon e a queda de Ashdod (c. 611), na Filistéia. Foi na mesma época (609-608) que o faraó Nekô II apoderou-se de Gaza, outra cidade da Filistéia, venceu os sírios ou Meguido e adiantou-se até Harran, na Mesopotâmia.

         Durante todo esse tempo, e particularmente durante o período assírio que marcou o longo reinado de Manassés, Jerusalém não podia ficar de lado. Apertada no corredor palestinense, ela participou das manobras políticas e dos jogos de coalizão a que se entregavam os pequenos estados situados entre a Mesopotâmia e o Egito. Foi assim que o rei Amon, de Judá, foi assassinado, provavelmente por um grupo de oficiais decididos a repelir o jugo assírio. Diante deste movimento egiptófilo, houve imediata contra-revolução “da gente da terra”, graças à qual Josias, aos 8 anos, subiu ao trono.

         Nesta linha de reação ao domínio assírio, durante os anos da minoridade do rei, é que se compreende melhor a atuação do profeta Sofonias e suas críticas políticas e religiosas, dirigidas tanto contra os ministros e os príncipes da corte real, como contra os que aderiam ao estrangeiro, adotando seu modo de vestir ou práticas religiosas. Foram encontrados, por sinal, contratos de venda dessa época, concernentes a judeus ou egípcios de Guézer, redigidos em assírio e conformes ao direito assírio.

 

 

         II. Plano do livro. Deve-se atribuir aos editores do livro de Sofonias a atual disposição em três partes, de acordo com o clássico esquema tripartido, tipicamente profético (cf. Jeremias, Ezequiel), a saber: advertência a Israel, julgamento das nações e promessas de restauração.

         Detalhadamente, o livro segue o seguinte plano:

         1) Título (1,1), redacional;

         2) oráculo de advertência e de ameaça contra Judá (1,2-13);

         3) o Dia do ETERNO (1,14-18);

         4) exortação a um Resto, os humildes (2,1-3); [os REMANESCENTES], A. E.

         5) julgamento e ameaças contra as nações inimigas de Judá (filisteus, moabitas, amonitas, núbios e assírios) (2,4-15);

         6) rejeição de Jerusalém, posta no mesmo plano das nações pagãs (3,1-8);

         7) promessas de restauração (3,9-20).

 

 

         III. Os grandes temas do livro. Um céu de apocalipse e uma terra para os pobres do ETERNO, tais são os dois horizontes de Sofonias, com uma realidade central: Yaohu “no meio” de seu povo (3,5.12.15; cf. 3,2), pois só Yaohu orquestra a história e salva os humilhados.

 

 

         A) O Dia do ETERNO. Este tema tornou célebre a profecia de Sofonias. É o eixo de gravitação do pensamento do profeta, com dois pólos: de um lado Israel, do outro, as nações; duas forças antagônicas, cujo resultado será: o “Resto”. O tema do Dia impõe-se pela conjuntura histórica das grandes perturbações políticas do tempo. O Dia do ETERNO é o momento em que este vinga seu povo, decide seu destino, salva-o como outrora no tempo do Êxodo; para tanto, renova os aterradores prodígios contra as nações. Todavia, a concepção de Sofonias ultrapassa o quadro estrito da história: o que ele prediz é um cataclismo cósmico. Sem trair a mínima hesitação nem sombra de emoção, o profeta anuncia esse dia de cólera (dies irae) e de destruição. Se há esperança para os humildes, a história irá acabar num festim de sangue, presidido por Deus. O Dia do ETERNO (já mencionado por Amós, Naum e Joel) será o dia de perturbação geral. Com uma amplidão sem igual, Sofonias descreve um julgamento que, pelo terror e desolação, atingirá não apenas os homens e as civilizações, mas tudo o que tem vida na terra, e constituirá uma espécie de desintegração da criação (Sf 1,2 – 3.15).

         Contudo, em Sofonias, o Dia do ETERNO não se declara como o fim do mundo e da história, mas como a metamorfose e recriação do povo de Yaohu, a fim de uma era de pecado. E tudo vai terminar nos cantos de alegria do “RESTO” – OU seja (OS REMANESCENTES). Anselmo Estevan. (Cap. 3).

 

 

         B) Oráculos contra Jerusalém e contra as Nações, já que a cidade é infiel e recalcitrante, e seus chefes, juízes, profetas e sacerdotes se fizeram surdos à voz de Yaohu, o profeta põe Jerusalém sob o juízo de Yaohu, votando-a à desgraça. O ETERNO vai perscrutar, condenar e punir. E não serão só os grandes a sofrer; também os idólatras, os funcionários, os comerciantes e os incrédulos. Desde o Templo até os mercados, a cidade inteira padecerá a ação divina.

         Quanto às nações pagãs, também elas sofrerão o castigo divino. Como outros profetas, Sofonias volta-se para os quatro pontos cardeais, a fim de anunciar sua ruína e seu aniquilamento: aos filisteus (oeste), a Moab e Amon (leste), aos etíopes (sul) e à Assíria (norte).

         O livro apresenta uma leitura profética dos sinais dos tempos, leitura que prepara o nascimento da literatura apocalíptica.

         [“Por isso mesmo é imprescindível saber o seu Verdadeiro e Único Nome Pessoal – Porque os “REIS” – se fizeram de surdos – TODOS SE FIZERAM DE SURDOS! Não seja você, também, um surdo?”]. Anselmo Estevan.

 

 

         C) Os humildes. Ao lado dos trovões de sua voz de profeta, Sofonias tem inflexões de ternura pelos pequenos que “põem em prática” à vontade do ETERNO. Estes, os “humildes”, têm esperanças de escapar ao cataclismo da cólera divina. São o “Resto”, o NOVO POVO DE YAOHU!

 

 

         D) A Santa Montanha do ETERNO. Yaohu quer reunir um Israel qualitativo, o “Resto”, e honrá-lo diante das nações, e isto na Jerusalém feliz, livre e santa, onde ele reinará. Com isto, depois de algumas das páginas mais sombrias do Antigo Testamento, o livro de Sofonias termina num tom de esperança e de alegria, numa visão de danças na Jerusalém em festa.

 

 

         IV. Data e autenticidade do livro. Como bem o disse com razão Karl Barth, “os profetas são homens sem biografia”. No entanto, as alusões de Sofonias à história de seu tempo são bastante claras e supõem longa experiência nos meios políticos, o que permite datar sua obra, pelo menos aproximadamente. Pode-se ter como certa sua atuação a partir da minoridade de Josias. Por tanto se, como pensam os historiadores, seu ministério começou por volta de 630 a.C., é muito possível que tenha conhecido a queda de Ninive em 612 e talvez mesmo os dois cercos de Jerusalém (597 e 587/586) e sua tomada. A deportação dos habitantes para Babilônia explicaria por que depois de tantas profecias de desgraça, Sofonias pôde pronunciar oráculos que prometiam aos exilados retorno e restauração.

         Nunca se duvidou seriamente nem da existência do profeta nem da canonicidade do livro. Mesmo comportando vestígios de intervenções posteriores, é preciso considerar com cautela as críticas a versículos ou passagens pretensamente inautênticos.

         Entre os textos menos atestados considere-se 2,8-11, em que a métrica poética da “Lamentação” (qiná) desaparece, para ressurgir no v. 12.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

AGEU

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Ageu.

         Propósito: Incentivar a reconstrução do templo na esperança de trazer grandes bênçãos para Israel depois do exílio.

         Data: 520 a.C. (Ministério de Ageu).

         Verdades fundamentais:

         Yaohu ofereceu muitas bênçãos aos primeiros que retornaram após o exílio.

         O reino de Yaohu deve ter prioridade sobre o nosso conforto pessoal.

         Os servos do reino de Yaohu precisam ser imaculados.

         A esperança do povo de Yaohu está no templo e na casa de Davi na medida em que eles foram cumpridos em O UNGIDO.

         O povo de Yaohu está destinado a herdar a terra em O UNGIDO.

 

 

         Propósito e características

         O livro de Ageu consiste de quatro mensagens, sendo que cada uma é encabeçada pela frase “veio a palavra do ETERNO por intermédio do profeta Ageu [ou “a Ageu”]” (1,1; 2,1; 2,10; 2,20). Essas quatro mensagens alternam os chamados ao arrependimento diante da contínua retenção das bênçãos de Yaohu sobre a terra (1,1-11; 2,10-19) com as promessas de grandes bênçãos sobre o templo e por intermédio da linhagem davídica (2,1-9; 2,20-23).

         Juntos, Ageu, Zacarias e Malaquias usam o título “ETERNO dos Exércitos mais de noventa vezes (quatorze vezes em Ageu). As palavras no hebraico têm exatamente esse mesmo significado. O significado do título tem dois aspectos: ele reforça o poder soberano do ETERNOYHWH – YAOHU – QUE REINA SOBRE ISRAEL E SOBRE TODA A TERRA POR MEIO DO SEU PODER MILITAR (1Sm 17,45) E ENFATIZA A SUA FIDELIDADE AO POVO COM O QUAL ELE ESTÁ EM ALIANÇA, O QUE LEVA ESSE POVO A ADORA-LO (Cf. Sl 24). {Mais um motivo para adora-lo em seu Único Nome Pessoal “Yaohu”}. Anselmo Estevan. § P.S. [Estou, trocando, o “Título = ‘SENHOR’ – QUE FOI CONFUNDIDO, TROCADO E ACEITO COMO SEU NOME PESSOAL {YHWH}, pelo TÍTULO ACEITÁVEL = “ETERNO” – QUE, NÃO SE CONFUNDE COM SEU VERDADEIRO NOME – YAOHU!].

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM AGEU.

(Yaohushua):

 

         Os dois temas centrais desse livro – o templo e a vitória da linhagem davídica – encontram cumprimento em O UNGIDO. Reconstruir o templo era crucial para que a nação fosse restaurada às bênçãos de Yaohu. Ali era o lugar de oração, adoração, perdão, etc. O UNGIDO é o templo final (Jo 2,21-22), mas a Igreja, seu corpo, é o templo do Rúkha hol – Rodshua (1Co 6,19-20). Quando O UNGIDO retornar, os novos céus e a nova terra serão a santa habitação de Yaohu (Ap 21,22-23).

         A restauração da linhagem de Davi também era uma parte essencial da bênção de Yaohu sobre a comunidade restaurada. A linhagem davídica deveria conduzir o povo na batalha e garantir a sua prosperidade. Yaohushua é o Messias, o último e perfeito filho de Davi (Mt 1,1; Lc 20,41-44; Rm 1,3). Após a sua morte, ele estabeleceu o seu reino quando ascendeu ao seu trono celestial (At 1,9-11). Ele agora reina até que todos os seus inimigos sejam subjugados (1Co 15,25-27; 1Pe 3,22). Quando retornar, governará sobre os céus e a terra (Hb 2,8; Ap 1,5). A Igreja está UNIDA com O UNGIDO em sua entronização (Rm 8,37; 1Pe 5,10), para que um dia, todo aquele que vencer, reine com ele.

 

 

 

         AGEU: No desenrolar da história sagrada, a atuação do profeta Ageu foi muito mais extensa do que seu pequenino livro faz supor.

         Depois de uma primeira tentativa de reconstrução do Templo em 537 (Esdras 3,7-12), a penúria dos meios disponíveis e a hostilidade da população samaritana obrigaram a comunidade dos repatriados a interromper os trabalhos.

         Por ocasião da morte de Cambises em 522, violentos conflitos internos abalaram o império persa. A instabilidade política dos primeiros anos do reinado de Dario provocou em Jerusalém uma tensão; o profeta Ageu, logo seguido por Zacarias, nesta se apoiou para despertar a comunidade.

         A mensagem profética de Ageu – que se situa exatamente entre agosto e dezembro de 520 – procura interpretar para os contemporâneos os sinais dos tempos: a pobreza e as más colheitas são uma censura à letargia espiritual dos repatriados.  Renovem o seu zelo pela fé, assumam o trabalho de construir para o ETERNO uma Casa digna dele, e as bênçãos se multiplicarão; poderá abrir-se o tempo da salvação definitiva.

         A instabilidade das nações já é prelúdio do Dia do ETERNO (2,21-22). A salvação está às portas. Zorobabel, da linhagem davídica, é o portador ocasional das esperanças messiânicas.

         A expectativa de um Templo mais glorioso do que o primeiro e de um messias régio – dupla esperança realizada em Yaohushua O UNGIDO – sustentou vigorosamente o povo em sua caminhada para os novos tempos.

        

(...) Para evitar o risco de tomar o nome de Deus (YHWH) em vão, os judeus mais religiosos começaram a substituir o nome próprio em si pela palavra [‘adona(y)]. {Na transliteração para o português, as letras: o primeiro (a) tem um acento tipo como um acento circunflexo virado para cima; e, os dois (a), seguintes, tem um traço em cima = devido ao texto masorético!}. Embora os masoretas tenham deixado as quatro consoantes originais no texto, eles acrescentaram as vogais (e) [no lugar de (a), por outras razões] e (a) para recordar ao leitor a pronunciar (‘adona[y]) sem levar em conta as consoantes. Isto acontece mais de 6000 vezes na Bíblia Hebraica. A maioria das traduções usa letras maiúsculas para escrever o títuloSENHOR”. Algumas exceções são a Bíblia na Tradução Brasileira que usavaJeová”, a Bíblia de Jerusalém que tem Iahweh e a Bíblia Pastoral que traz Javé. O que foi provocado pela cautela dos judeus é semelhante ao nosso costume de dizer “por exemplo” quando lemos a abreviatura “e. g.”. Posteriormente os judeus substituíram o nome divino por outras palavras como “o nome”, “o bendito” ou “o céu” (cf. Mc 14,61.62).

         Nas passagens onde (‘adona[y]) yhwh ocorre, yhwh recebe a pontuação vocálica de ‘elohim, e as traduções em português apresentam “SENHOR DEUS” (e.g., Am 7,1).

         Texto tirado dá página 28, do livro: Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. (R. Laird Harris. Gleason L. Archer, Jr. Bruce K. Waltke).

         Sendo mais uma prova de que o Nome Próprio de Deus – Foi blasfemado por um medo de nãopronuncia-lo” e,  fizeram coisas piores...!  Anselmo Estevan.

         Aqui, fica uma pergunta: Onde está escrito na Bíblia que Deus pediu para os “homens fazerem essa ciranda toda com seu Nome???”. Anselmo Estevan!!!

 

 

 

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

ZACARIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Zacarias.

         Propósito: Encorajar a confiança nas profecias de Zacarias, não apenas referentes ao julgamento, mas, também, nas referentes às grandes bênçãos prometidas para Jerusalém quando o reino de Yaohu vier em sua plenitude.

         Data: 520-475 a.C. (ministério de Zacarias).

         Verdades fundamentais:

         Yaohu prometeu bênçãos maravilhosas para o seu povo após o exílio, por meio de Zorobabel, o filho de Davi, e por meio de Josué, seu sumo sacerdote.

         Apesar das falhas daqueles que retornaram do exílio, Yaohu não falharia em cumprir as suas promessas.

         Yaohu tem todo o poder para derrotar seus inimigos e o fará algum dia.

         Uma batalha final trará a vitória absoluta para o povo de Yaohu.

 

 

         Propósito e características

         Zacarias contém uma variedade de formas literárias. As visões contidas na primeira parte são semelhantes às de Ezequiel e Daniel. O livro é sempre citado como um exemplo de literatura apocalíptica antecipada, e certamente métodos e temas característicos desse tipo de literatura estão em evidência. No cap. 14, encontra-se a descrição de uma guerra final contra Jerusalém, na qual Yaohu sai como um guerreiro vitorioso para salvar o seu povo de seus inimigos. Da mesma maneira, as visões dos cavalos (1,7-17), dos quatro carros (6,1-8) e da mulher dentro do efa (5,5-11) também podem ser vistas como formas antecipadas de literatura apocalíptica.

 

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM ZACARIAS.

(Yaohushua):

 

         Zacarias falou tanto do futuro imediato de Israel como do futuro distante com O UNGIDO. Como ocorre com a maioria das profecias da restauração de Israel pós-exílio, as palavras de Zacarias tiveram um significado imediato para Zorobabel, o filho de Davi; para Josué, o sumo sacerdote, e para Jerusalém. Ao mesmo tempo, todavia, Zorobabel representava apenas a continuação e não o fim da linhagem davídica. Josué também representava a continuação da linhagem sacerdotal e fazia parte dos “homens de presságio” (3,8). Como resultado, o que foi dito sobre Zorobabel e Josué anteviu o que o último filho de Davi, o Messias, cumpriria um dia plenamente. Por exemplo, as profecias sobre a bênção de Yaohu sobre Jerusalém (p. ex., 2,5.11) eram ofertas genuínas aos que retornaram do exílio. Essas bênçãos poderiam ter sido percebidas em alguma extensão durante os primeiros anos pós-exílio, mas muitas se perderam por causa do pecado. Mas o que foi oferecido a Zorobabel certamente se cumpriria no Messias, que traria todas as esperanças da dinastia de Davi e do sacerdócio ao seu pleno cumprimento por meio de sua perfeita obediência. Portanto, podemos afirmar com certeza que Zacarias forneceu muitos vislumbres do Messias, YAOHUSHUA. Zacarias concentrou-se na família real de Davi (Zorobabel) e no sacerdócio zadoquita (Josué) como figuras centrais na realização das bênçãos de YAOHU na restauração. Não é de admirar, então, que o cumprimento desses dois papéis em O UNGIDO esteja ligado às profecias de Zacarias. YAOHUSHUA é o Rei que entrou em Jerusalém montado num jumento, como foi profetizado em 9,9-10, passagem que foi citada por Mateus para referir-se à entrada triunfal de YAOHUSHUA (Mt 21,1-11). A traição e a morte de O UNGIDO são citadas em 13,7. Além do mais, Zacarias desenvolveu a figura messiânica de um ramo de videira que combina as funções de um sacerdote e do rei (3,8; 6,12).

         Embora o Messias não seja especificamente mencionado em 2,5.10, a promessa da habitação de Yaohu no meio do seu povo se realizou em O UNGIDO (Jo 1,14). Da mesma maneira, a Festa dos Tabernáculos, celebrada em 14,16-20, encontrará sua máxima expressão no estágio final o reinado do Messias nos novos céus e na nova terra (Ap 21,1-3).

 

 

 

         ZACARIAS: Como o livro de Isaías, o de Zacarias não deve ser atribuído a um só profeta. Os caps. 1 – 8 são bem diferentes de 9 – 14 e constituem um livro bem delimitado, atribuindo ao profeta Zacarias, contemporâneo de Ageu, quando da volta do Exílio. A segunda parte provém de autor mais recente, geralmente chamado o Segundo ou Dêutero-Zacarias.

As características de ambas as obras merecem estudo à parte.

 

 

I. ZACARIAS 1 – 8

 

1. O profeta. A atividade do profeta Zacarias, cuja mensagem nos foi transmitida nos caps. 1 – 8 do livro que leva seu nome, segue de perto a do profeta Ageu. Sua primeira intervenção data de outubro-novembro de 520 a.C. (1,1), um mês antes do último oráculo de Ageu (Ag 2,10.20). Sua atividade prolonga-se no mínimo até novembro de 518 (7,1), ou seja, três anos antes da dedicação do novo Templo, em 515.

         Ageu conseguiu provocar uma renovação religiosa (Ag 1,14). Zacarias consolida o movimento, tanto por seus apelos à fidelidade quanto por suas promessas concernentes ao futuro. Aproveitando os distúrbios políticos que atingiam o império de Dario (cf. Introd. a Ageu), diversos grupos de exilados voltaram de Babilônia a Jerusalém, cheios de esperança (2,10-13; 6,10); logo, porém, ficaram desanimados por conta de determinadas dificuldades de integração na comunidade (5,3-4; 8,16-17). A paulatina volta do mundo ao normal (1,11) eclipsou a expectativa de uma mudança rápida; a decepção apoderou-se dos espíritos.

         Não sabemos quase nada da pessoa do profeta Zacarias. Ele desaparece por trás de sua obra. Apresentando como o neto de Idô (1,1 e 1,7) – sendo talvez filho de Idô (Ed 5,1; 6,14 e Targum) –, por volta de 500 ele parece ser o chefe da família sacerdotal de Idô (Ne 12,16). Sua qualidade de sacerdote explica sua insistência ao papel do Templo. Incumbia também a um sacerdote responder a uma consulta ritual como a dirigida a Zacarias acerca da manutenção ou supressão dos jejuns comemorativos (7,1-3; 8,18-19). Enfim, a preocupação com a pureza e santidade da Terra Santa (2,16; 5,1-4; 5,5-11) corresponde perfeitamente à mentalidade sacerdotal.

         Este sacerdote, contudo, entra nitidamente na linhagem espiritual dos antigos profetas. Retoma seus apelos à conversão: 1,3-6; 7,4-14; 8,16-17; e liga-se a eles graças a certo número de empréstimos literários. Quanto às visões, é devedor de diversos profetas anteriores: Am 7, para o conjunto; Ez 40,3-4, para o anjo mediador; Ez 2,9-10, para o rolo voador. Diversas vezes a tradição tem insistido nesta qualidade de profeta para acentuar o peso de sua mensagem: 2,13; 2,15; 4,9; 6,15. Até a legenda adotou este profeta, transformando-o em mártir (Mt 23,35), em conseqüência da confissão com Zacarias filho de Iehoiada, assassinado pelo rei Joás (2Cr 24,20-22).

 

 

         2. O livro. O essencial do livro é constituído por um relato de oito “visões”, espécie de diário redigido em primeira pessoa, a descrever antecipadamente a restauração definitiva da comunidade. Completado ulteriormente, este relato pode ser considerado obra do próprio profeta. É encabeçado por uma data precisa, em 1,7: meados de fevereiro de 519 a.C.; representa uma fase importante da pregação do profeta e o centro em trono do qual se desenvolveu o livro inteiro.

         Este livrete das visões é entremeado por diversos oráculos que relacionam algumas das visões com os acontecimentos da atualidade. Assim, 2,10-17 é um apelo aos exilados para que voltem à cidade cujas condições são evocadas na segunda e terceira visões: 2,1-9. No cap. 3, os vv. 8,9c e 10 constituem uma promessa específica ao sumo sacerdote Josué depois da visão de sua investidura: 3,1-7 e 9a. Os vv. 4,6b-10a trazem uma garantia peculiar a favor do governador Zorobabel, palavra inserida na visão referente aos líderes da nova comunidade: cap. 4.

         O plano do livrete é bem equilibrado: as três primeiras visões (os cavaleiros, os ferreiros, o agrimensor) apresentam as fases preparatórias da restauração messiânica; as duas visões centrais (a vestidura de Josué, os dois Ungidos) dizem respeito ao governo da nova comunidade; as três últimas, enfim (o livro, a mulher no alqueire, os cavaleiros) evocam as condições da restauração final.

         Convém observar, porém, que a quarta visão (a investidura do sumo sacerdote) comporta características literárias e teológicas particulares. Confere ao sacerdote um lugar preponderante, enquanto a visão seguinte mantém os dois Ungidos em pé de igualdade. É possível que a quarta visão tenha sido introduzida posteriormente, o livrete original contendo somente sete. Tal modificação revela a importância conquistada pelo sacerdote a partir do desaparecimento do príncipe davídico Zorobabel. Semelhante evolução percebe-se em 6,9-14(15), onde a coroa originariamente se destinava a Zorobabel.

         Completando deste modo, o livrete das visões foi emoldurado por pregações (1,1-6; 7,4-14) e promessas acerca do futuro (8,1-17.20-23). Estas últimas são agrupadas em torno a uma consulta referente aos jejuns comemorativos das calamidades de 587 (7,1-3 e 8,18-19). Estas pregações e oráculos foram colecionados e resumidos pelos discípulos do profeta, em certo caso até mui tardiamente, como 8,20-23. Assim, a mensagem de Zacarias permaneceu viva para as gerações seguintes.

 

 

         3. A mensagem. A mensagem do livro de Zacarias apresenta duplo conteúdo.

         De um lado, o profeta testemunha uma evolução na maneira de apresentar as  intervenções de Yaohu entre os homens. Com os grandes profetas preexílicos, Yaohu entra se comunica diretamente por sua palavra ou por visões nas quais ele mesmo intervém. Ele é ao mesmo tempo o Yaohu santo, transcendente, e o que toma pessoalmente em mãos o rumo dos acontecimentos. Em Zc, Yaohu parece mais afastado do palco dos acontecimentos terrenos.

         Se concede visões, já não é ele a quem se contempla, e sim, um anjo encarregado de explicar as intenções divinas. Os projetos de Yaohu são realizados por intermediários (anjos, cavaleiros).

         Este afastamento de Yaohu em relação ao mundo traduz, sem dúvida, uma preocupação de espiritualização, mas corresponde também a uma experiência mais existencial, a de certa ausência de Yaohu. As provações do Exílio e as grandes dificuldades do memento presente (miséria, desânimo) suscitam a questão: será que Yaohu ainda está presente a nosso destino? A fé responderá multiplicando os intermediários que vão preencher o vazio aparente e aproximar o mundo celestial e os homens em provação. Os intermediários que, mais tarde, na apocalíptica, esconderão Yaohu por trás de um simbolismo cheio de mistério, constituem por enquanto um elo entre Yaohu e o homem.

         Em segundo lugar, e de modo mais global, Zacarias está também a serviço da esperança. A uma comunidade que as dificuldades materiais e as decepções levariam à dúvida ou à resignação, ele proporciona nova esperança induzindo-a a ação. A reconstrução do Templo e a restauração de um culto válido são as maneiras concretas de aguardar a salvação. É o preço da instauração da era messiânica. As nações lhe serão associadas (2,15; 8,20-23). A salvação está à porta; o próprio Zacarias é considerado aquele que a deve inaugurar. A coroação simbólica que ele recebe (6,9-14) já é sinal disso.

         Todavia fica-lhe associado um segundo personagem, que colabora com ele em pé de igualdade (4,14; 6,13): o sumo sacerdote. Surge assim a expectativa de um governo bicéfalo, dividido entre o sacerdote e o príncipe – idéia que na teologia medieval justificará o princípio de uma separação dos poderes civil e eclesiástico. Depois do desaparecimento de Zorobabel, esta expectativa se modificará e concentrará o papel messiânico na pessoa do sacerdote. É o que exprime a quarta visão (3,1-7) e a promessa especial feita a Josué e a seus colegas “que constituem um presságio” (3,8-10).

         Esta esperança encontrará novas formas no AT (o texto pós-exílico: Jr 33,14-26) e, mais tarde ainda, em Jubileus e em Qumran. A carta aos Hebreus a proclamará realizada em Yaohushua (Hb 3).

 

 

 

II ZACARIAS 9 – 14 (DÊUTERO-ZACARIAS)

 

 

         1. De Zacarias ao Dêutero-Zacarias. Esta segunda parte do livro de Zacarias exibe características que excluem sua atribuição ao mesmo autor da primeira.

         Mudou a situação histórica: os problemas da restauração da comunidade, da cidade e do Templo não têm mais incidência; a expectativa messiânica, antes associada à reconstrução do Templo e à pessoa de Zorobabel, agora se desloca para personagens não identificados: o rei-messias pobre (9,9-10), o bom pastor rejeitado (11,4-14) e o misterioso “traspassado” (12,1 – 13,1); e nenhum dos personagens claramente nomeados na primeira parte reaparecem na segunda. Os prisioneiros evocados diversas vezes (9,11-12; 10,8-11) já não são os deportados de 587, mas antes evocam a diáspora em sentido amplo.

         Os dados literários são igualmente muito diferentes. As visões e os breves oráculos messiânicos acerca de Zorobabel, de Josué ou do povo todo cederam lugar a desenvolvimentos mais amplos, de teor épico; o profeta e o anjo-intérprete que falavam na primeira parte já não entram em cena. Certos termos, certas expressões características da primeira parte estão ausentes – ou quase ausentes – da segunda, e vice-versa. Aliás, ocorre em 9,1 um novo sobrescrito, repetido em Zc 12,1 e Ml 1,1, revelando a origem peculiar das últimas seções da coletânea dos Doze Profetas.

 

 

         2. O enigma literário dos caps. 9 – 14. O complexo arranjo dos diversos fragmentos que constituem a coletânea atual levou a ver-se neles uma espécie de mosaico de trechos isolados ligados entre si por certa expectativa messiânica. Outros, ao invés, procuraram neles uma estrutura literária complicada, mas equilibrada. Alguns traços comuns caracterizam os poemas dos caps. 9 – 11, onde as alusões históricas e as relações da comunidade com os outros povos podem ser indícios das preocupações de um autor ou de um grupo determinados. Os últimos capítulos, redigidos sobretudo em prosa, e preocupados com a transformação interna da comunidade, talvez tenham outra origem. Utilizando estes componentes diversificados, dos quais alguns podem remontar até antes do Exílio (9,9-10; 10,1-2; 11,1-3), o redator final organizou um conjunto assaz coerente.

         Quanto à data de composição do livrete, apresenta-se amplo leque de hipótese, indo do período preexílico (séc. VII ou VI) até o período dos Macabeus, quando a morte do sumo sacerdote Onias III (2Mc 4,34) ou de Simão (1Mc 16,11-17) {Livros apócrifos} Anselmo Estevan., teria feito surgir à figura do traspassado.

         A origem do livrete parece sempre mais dever ser situada no início do período grego, entre 330 e 300.

         De fato, a campanha militar de Alexandre Magno, em 332, ao longo da costa mediterrânea, como também a destruição de Tiro, são descritas, com certa precisão, em 9,1-8.

         Os cativos mencionados em 9,11-12 e 10,8-11 são os membros da diáspora inteira, presos em regiões simbolicamente nomeadas Assíria e Egito. Este último país, aliás, viu chegar em 312 uma onda de prisioneiros judeus, após a tomada de Jerusalém por Ptolemeu Soter I . Assim se explica a designação de “gregos” (Iavan) em 9,13 como potência hostil ao povo de Yaohu.

         A maneira com que o autor se apóia nos grandes profetas de antanho, utilizando-os de modo original e com grande maestria, obriga a situa-lo num período já muito afastado do Exílio.

         A obra inteira revela inegável fermentação religiosa e intelectual em conseqüência das vitórias de Alexandre Magno. Coisa semelhante já ocorrera depois da invasão da Senaquerib, no tempo de Isaías, e quando do despertar religioso na volta do Exílio; e ocorrerá novamente em conseqüência da grande perseguição no tempo dos Macabeus.

 

 

         3. Plano do livro. Tal como se apresenta atualmente, o livrete comporta duas partes simétricas, nas quais a obra da salvação se desdobre num duplo movimento: um deslizamento do povo rumo à ruína e uma renovação total realizando a salvação.

 

         Primeira parte: 9,1 – 11,17. À maneira de um comunicado de vitória, o profeta anuncia a intervenção definitiva de Yaohu. Os povos vizinhos, vencidos, são purificados e depois integrados à comunidade dos fiéis: 9,1-8. Logo depois surge a figura do rei-messias, que, na humildade, instaurará o reino ideal: 9,9-10. Grandes combates permitirão o reagrupamento de todos os dispersos do povo, de qualquer lugar, a ponto de arrebentar as fronteiras tradicionais: 9,11-17 e 10,3 – 11,3.

         Um breve intermédio: 10,1-2, vem lembrar que tudo é exclusivamente obra de Yaohu e que qualquer outro apoio é falacioso.

         Após esta preparação, o messias, desta vez apresentado como o pastor, empreende a realização do seu programa, significado pelos dois cajados: “Benevolência” e “União”. Tamanha é, porém, a degradação religiosa dos chefes e do rebanho que sua empresa malogra: rejeitado, cede o bom pastor seu lugar a um velhaco que dizima desavengonhadamente o rebanho (11,4-17).

 

         Segunda parte: 12,1 – 14,21. Quando tudo parece perdido, o sacrifício do traspassado provoca um restabelecimento: livrado dos seus inimigos exteriores o povo é brindado com um espírito novo (12,1 – 13,11). A purificação prossegue e se completa pela renovação da aliança (13,2-9).

         A salvação se estende ao mundo inteiro; todos os povos devem reunir-se a Israel para confessar a realeza do ETERNO. Embora provavelmente mais tardio, constitui o capítulo 14 uma boa conclusão da obra toda.

         4. A mensagem de Dêutero-Zacarias. Pode-se resumir todo o conteúdo do livrete sob o título: descrição do advento messiânico. Notar-se-á, contudo, que nele, em ambas as suas partes, se justapõem duas concepções complementares.

 

         a) Um messianismo sem messias. Este ideal messiânico é apresentado pelas seguintes passagens: 9,1-8; 9,11-17; 10,3 – 11,3; 14. Achega-se ao do apocalipse de Isaías (Is 24 – 27). Toda a obra da salvação é pessoalmente realizada pelo ETERNO, que garante a redução dos inimigos e o reagrupamento de todo o povo. Cumprida essa condição preliminar, poderão os pagãos esperar a sua própria integração nessa comunidade. Terão o seu lugar entre os clãs de Judá. Terão, entretanto, de se submeter a todas as exigências da Lei, que se exprime nas observâncias rituais (9,7) e nas práticas cultuais (14,16-19). Visão generosa, mas um tanto limitada: a agregação dos estrangeiros passa pela sua afiliação à comunidade Judaica.

 

         b) Um messias de vários semblantes. Esta ação atribuída exclusivamente a Yaohu se desdobra, em outras passagens, na ação de um personagem particular, apresentado sob tríplice imagem, nenhuma das quais recobre exatamente as outras duas.

         O rei-messias: 9,9-10. Conquanto uma parte da terminologia o vincule aos protótipos David e Salomão, outra o situa na linha do ideal profético: o pobre e o justo. É um messias que exprime o ideal religioso dos “pobres do ETERNO” (Sf 2,3; 3,11-13; Is 49,13; 57,15; 61,1-2; 66,2; Sl 22,27; 69,33-34).

         O bom pastor: 11,4-17 e 13,7-9. Apresentam uma fisionomia menos caracterizada. Já se prende menos firmemente à ideologia real e mais explicitamente, entretanto, à do Pastor que é o próprio ETERNO, tal como o apresenta Ez 34,11-22.31. Com efeito, a alegoria de Dêutero-Zacarias passa várias vezes, sem transição, do pastor imitado pelo profeta do ETERNO em pessoa. Orienta-se, de mais a mais, para a figura do traspassado, porque é rejeitado, vendido, eliminado, e seu sacrifício (13,7) contribui para restabelecer a aliança (13,9).

         O traspassado: 12,9-14. Faz seqüência ao Servo sofredor de Is 53, embora os termos utilizados sejam completamente diferentes. Como para o Servo, o seu sacrifício é fonte de transformação dos corações (12,10), de purificação (13,1). O nexo com o antigo figura real permanece discreto. É indicado pela reiterada evocação de David e sua linhagem: 12,7-8.10.12; 13,1. A glória messiânica cede o passo ao despojamento e ao malogro, fonte de salvação.

         A densidade messiânica do Dêutero-Zacarias nutriu fortemente o pensamento das gerações seguintes. Explica ela por que os evangelhos recorreram tão fartamente a esse profeta para apresentar a pessoa e o papel de YAOHUSHUA, especialmente na sua paixão: Mt 21,4-5 e Jo 12,15; Mc 14,27 e Mt 26,31; Mt 27,9-10; Jo 19,37.

 

INTRODUÇÃO AO LIVRO DE:

 

 

MALAQUIAS

 

 

 

         INTRODUÇÃO

 

 

 

         Visão geral

         Autor: O profeta Malaquias.

         Propósito: Conclamar a abatida e desanimada comunidade que vivia na Terra Prometida após o exílio para uma fé renovada por meio do anúncio da vinda do julgamento do Messias.

         Data: 458-433 a.C.

         Verdades fundamentais:

         Durante os últimos anos do período do Antigo Testamento, o povo de Israel estava corrompido pelo pecado.

         Yaohu ofereceu ao seu povo o perdão para os seus pecados.

         Yaohu prometeu que o Messias viria para purificar a nação.

         Os ímpios serão julgados e os justos receberão sua recompensa no julgamento futuro.

 

 

         Propósito e características

         A aliança é um dos temas proeminentes em Malaquias. Há quatro referências explícitas à aliança: a aliança com Levi (2,4-9), a aliança dos pais (2,10), a aliança do casamento (2,14) e o mensageiro da aliança (3,1). Além dessas referências diretas, o livro inicia com a aliança de amor de Yaohu (1,2-5). A seriedade da incompetência e da infidelidade sacerdotal é vista na erosão da fidelidade do povo comum, os quais “profanaram a aliança” (2,10) ao serem desleais uns para com os outros, no casamento (2,11.14) e nos seus relacionamentos sociais e econômicos (3,5). A não ser que se arrependessem (3,7), estariam sob a maldição prevista na divina aliança (3,9; Lv 26,14-46; Dt 28,15-68).

 

 

CHRISTÓS, “O UNGIDO” –, EM MALAQUIAS.

(Yaohushua):

 

         O livro de Malaquias aponta para O UNGIDO de duas maneiras. Em termos gerais, Malaquias conclamou os que retornaram para Israel ao arrependimento, de modo que pudessem receber as bênçãos que Yaohu havia oferecido ao seu povo após o exílio. De maneira muito semelhante, O UNGIDO conclamou ao arrependimento de maneira que um REMANESCENTE justo pudesse receber essas mesmas bênçãos (Mc 2,15). Por essa razão, Tiago aplicou o chamado ao arrependimento proclamado por Malaquias à vida cotidiana dos crentes (Tg 4,8; cf. Ml 3,7). Além disso, Malaquias predisse que o culto a Yaohu se espalharia por todas as nações (1,11), e O UNGIDO e seus apóstolos abririam as portas da salvação às nações gentílicas como nunca acontecera antes (At 10,9-48; Ef 2,11-13).

         Também aparece em Malaquias um foco mais especificamente messiânico. O profeta predisse que a renovação do povo de Yaohu aconteceria por meio de obras de um “mensageiro” (3,1) da aliança, o qual seria precedido pelo “profeta Elias” (4,5; cf. 3,1-2). O Novo Testamento identifica especificamente Yaohushua como esse mensageiro e João Batista como aquele que o precedeu, o qual ministrou no espírito e no poder de Elias (Mt 11,14; 17,10-12; Lc 1,17). Assim, Yaohushua purificou o templo (Jo 2,14-17) como havia predito o profeta (3,1.3) e purificará completamente o povo de Yaohu quando retornar em glória (Ap 21,22-27).

 

 

 

         MALAQUIAS: O livro de Malaquias encerra a série dos livros proféticos. Isto, porém, não significa que este último anel da corrente seja de importância secundária. O profeta anônimo toma de empréstimo um nome provindo da menção do mensageiro (mal’aki) em 3,1. Assemelha-se, portanto, ao precursor do Messias anunciado neste mesmo versículo. Por isso, deu-se a Malaquias um lugar de destaque no conjunto do testemunho veterotestamentário.

         Os índices fornecidos pelo livro permitem situar o profeta por volta dos anos 480/460. De fato, o povo está voltando do exílio, o templo está reconstruído, o culto funciona desde certo tempo. Estamos, portanto, claramente depois de 515. Entretanto, a grande reforma iniciada por Esdras (sobretudo a respeito dos casamento mistos) ainda não se iniciou: esta irá acontecer lá por 440. Os tempos eram de grande ceticismo. As esperanças que os profetas Ageu e Zacarias tinham relacionado à reconstrução do templo não se tinham ainda realizado como se esperava. O desânimo tinha enfraquecido a fé. Recaía-se nas antigas faltas: negligências no serviço cultual, venalidade, parcialidade, não poucas infidelidades. Malaquias reage vigorosamente. Ele coloca cada um, sacerdote e “leigo”, diante de suas responsabilidades para com o ETERNO e o próximo. Malaquias terá, deste modo, desempenhado dupla função. Num período capital, quando se irá fixar a fisionomia definitiva do judaísmo pós-exílico, ele será o reformador da vida cultual e moral das pessoas, bem como o guia de toda a comunidade.

         Mais tarde, alguns ficarão particularmente impressionados pelo conteúdo messiânico do livro e reconhecerá em Yaohushua (de Nazaré) – O UNGIDO – aquele que era esperado pelo profeta. O judaísmo ainda hoje vive os valores religiosos que Malaquias ajudou a precisar.

         Este livro, que por vezes pode até parecer duro demais, adverte-nos de que, antes da chegada do “grande e terrível” dia, remanescentes e judeus, ambos herdeiros da mesma mensagem, terão ainda de afrontar numerosas oposições, internas e externas.

 

POR ISSO: “É ESSENCIAL CONHECER SEU VERDADEIRO NOME”:

 

 

§  Confissão Belga

         ARTIGO 7

         A Sagrada Escritura: perfeita e completa

 

         Cremos que a Sagrada Escritura contém perfeitamente à vontade de Deus – Yaohu e, suficientemente, ensina tudo o que o homem deve crer para ser salvo. Nela, Yaohu descreveu, por extenso, toda a maneira de servi-lo. Por isso, não é licito aos homens, mesmo que fossem apóstolos “ou um anjo vindo do céu” (Gl 1,8), ensinar outra doutrina, senão aquela da Sagrada Escritura. É proibido acrescentar algo à Palavra de Yaohu ou tirar Algo dela (Dt 12,32; Ap 22,18.19). Assim, se mostra claramente que sua doutrina é perfeitíssima e, em todos os sentidos, completa.

         Não se podem igualar escritos de homens às Escrituras divinas, por mais santos que tenham sido os autores. Nem se pode igualar à verdade de Yaohu costumes, popularidade, antiguidade, sucessão de tempos ou de pessoas, ou concílios, decretos e resoluções. Pois a verdade está acima de tudo, e todos os homens são mentirosos (Sl 116,11) e “mais leves que a vaidade” (Sl 62,9).

         Por isso, rejeitamos, de todo o coração, tudo que não está de acordo com essa regra infalível. Conforme os apóstolos nos ensinaram: “Provai os espíritos se procedem de Yaohu” (1Jo 4,1); “Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa” (2Jo 10).

2Tm 3,16.17; 1Pe 1,10-12; 1Co 15,2; 1Tm 1,3; Dt 4,2; Pv 30,6; At 26,22; 1Co 4,6; Sl 19,7; Jo 15,15; At 18,28; At 20,27; Rm 15,4; Mc 7,7-9; At 4,19; Cl 2,8; 1Jo 2,19; Dt 4,5.6; Is 8,20; 1 Co 3,11; Ef 4,4-6; 2Ts 2,2; 2Tm 3,14.15.

         Ezequiel 36,21-23

         Mas tive compaixão do meu santo nome, que a casa de Israel profanou entre as nações para onde foi.

         Dize, portanto, à casa de Israel: Assim diz o ETERNO Deus: Não é por amor de vós que eu faço isto, ó casa de Israel, mas pelo meu Santo Nome, que profanastes entre as nações para onde fostes. VINDICAREI A SANTIDADE DO MEU GRANDE NOME, que foi profanado entre as nações, o qual profanastes no meio delas; as nações saberão que EU SOU o ETERNO, diz YAOHU DEUS, quando eu VINDICAR a minha Santidade perante elas.

 

         Zacarias 14,9; Deuteronômio 6,4

         O ETERNO será Rei sobre toda a terra; naquele dia, UM SÓ SERÁ O ETERNO E UM SÓ SERÁ O SEU NOME.

 

         Ouve, Israel, o ETERNO, nosso Deus, é o único ETERNO.

        

(Estudo): Ouve, Israel. A palavra hebraica é SHEMA; daí ser comum a tradição judaica chamar esse versículo de Shema. A importância dessa ordem é repetida por O UNGIDO (Mc 12,29).

 

 

         Oseias 2,16-17; 12,5

         Naquele dia, diz o ETERNO, ela me chamará: Meu marido e já não me chamará: MEU BAAL. (MEU SENHOR). ANSELMO ESTEVAN.

         Da sua boca tirarei os nomes DOS BAALINS, e não mais lembrará desses nomes.

         O ETERNO, o Deus dos Exércitos, YAOHU é o seu nome.

 

         Malaquias 1,6

         O FILHO HONRA O PAI, E O SERVO, AO SEU senhor. SE EU SOU PAI, ONDE ESTÁ A MINHA HONRA? E, SE EU SOU “ETERNO”, ONDE ESTÁ O RESPEITO PARA COMIGO? – DIZ O ETERNO DOS EXÉRCITOS A VÓS OUTROS, Ó SACERDOTES QUE DESPREZAIS O MEU NOME. VOZ DIZEIS: EM QUE DESPREZAMOS NÓS O TEU NOME?

 

         Marcos 12,28-29

         Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Yaohushua lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? Respondeu-lhe Yaohushua: O principal é: Ouve, ó Israel, o ETERNO, - YAOHU nosso Deus, é o único Yaohu!

 

         João 10,24-25

         Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspense? Se tu és O UNGIDO, dize-o francamente.

         Respondeu-lhes Yaohushua: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em NOME DE MEU PAI testificam a meu respeito.

 

         João 10,26

         Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas!

 

 

         “Não seja você, mais um incrédulo? Acredite no seu Nome verdadeiro e Pessoal, seja você também parte de (“SUAS OVELHAS”) – OUÇA COM O CORAÇÃO ACREDITE EM YAOHU.  Seu Nome ...! ANSELMO ESTEVAN.

 

 

 

         RECAPITULANDO: A BÍBLIA É COMPOSTA DE 66 LIVROS: “O PENTATEUCO” (GÊNESIS; ÊXODO; LEVÍTICO; NÚMEROS; DEUTERONÔMIO) – OS ESCRITOS DE “MOISÉS”. LIVROS HISTÓRICOS: (JOSUÉ; JUÍZES; RUTE; 1 SAMUEL; 2 SAMUEL; 1 REIS; 2 REIS; 1 CRÔNICAS; 2 CRÔNICAS; ESDRAS; NEEMIAS; ESTER). LIVROS POÉTICOS: (JÓ; SALMOS; PROVÉRBIOS; ECLESIASTES; CÂNTICO). LIVROS PROFÉTICOS: (ISAÍAS; JEREMIAS; LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS; EZEQUIEL; DANIEL; OSEIAS; JOEL; AMÓS; OBADIAS; JONAS; MIQUEIAS; NAUM; HABACUQUE; SOFONIAS; AGEU; ZACARIAS; MALAQUIAS). (34 livros do AT). Mais os 05 livros do Pentateuco.

 

         Os “RESTANTES”; [os livros do NT]. AGUARDEM, A TERCEIRA E ÚLTIMA APOSTILA. REDAÇÃO FEITA POR ANSELMO ESTEVAN, (COM TODAS AS OBRAS COPIADAS, COLOCADAS OS “AUTORAIS DEVIDOS”).

 

 

 

De malaquias a “O UNGIDO”:

 

        

O período persa (538-330 a.C.)

         Jerusalém foi tomada pelos babilônios em 586 a.C. Os babilônios, por sua vez foram conquistados pelos persas em 538 a.C. Por cerca de dois séculos, Judá permaneceu sob o domínio da Pérsia. Os judeus receberam permissão para dar continuidade às suas práticas religiosas sem maiores interferências. Durante esse período, Judá foi liderada por sumo sacerdotes

 

         430 a.C. Ministério de Malaquias

 

 

         O período helenístico (330-166 a.C.)

         Em 333 a.C., Alexandre o Grande, derrotou as tropas da Pérsia. Alexandre acreditava que a única força que poderia unificar o mundo era a cultura grega. O grande conquistador permitiu que os judeus observassem suas leis e até lhes concedeu menção de impostos nos anos sabáticos. Quando construiu Alexandria, no Egito, incentivou judeus a se mudarem para lá e deu-lhes alguns dos mesmos privilégios concedidos aos seus súditos gregos. Isso abriu caminho para a tradução do Antigo Testamento hebraico para o grego (a SEPTUAGINTA) antes da era cristã, por volta de 250 a.C.

 

333 a 323 a.C.     Alexandre o Grande, governa a Palestina: domínio macedônio.

323 a 198 a.C.     Domínio dos ptolomeus sobre a Palestina.

          320 a.C.     Ptolomeu (I) Soter conquista Jerusalém.

          311 a.C.     Seleuco conquista a Babilônia; começa a dinastia selêucida.

          226 a.C.     Antíoco (III) da Síria conquista a Terra Santa.

223 – 187 a.C.     Antíoco se torna o governante selêucida da Síria.

          198 a.C.     Antíoco derrota o Egito e obtém o controle da Terra Santa.

198 a 166 a.C.     Domínio dos selêucidas sobre a Palestina.

175 – 164 a.C.     Antíoco (IV) Epífanes governa a Síria; o judaísmo é proibido.

          167 a.C.     Matatias e seus filhos se rebelam contra Antíoco; começa a revolta dos macabeus.

 

 

         O período hamoneu (166-63 a.C.)

         Os governantes ptolomeus haviam sido tolerantes com o povo judeu e suas práticas religiosas, mas os selêucidas estavam decididos a estabelecer o helenismo na Terra Santa. Ordenaram a destruição de cópias da Torá e usaram de crueldade extrema para impor as suas leis. Os judeus oprimidos se revoltaram sob a liderança de Judas Macabeus.

 

166 – 160 a.C.     Liderança de Judas Macabeu.

          165 a.C.     Rededicação do templo.

160 – 143 a.C.     Jônatas (irmão de Judas) é o sumo sacerdote.

142 – 134 a.C.     Simão se torna sumo sacerdote; começa a dinastia dos hasmoneus.

134 – 104 a.C.     João Hircano expande o estado independente judeu.

104 – 103 a.C.     Domínio de Aristóbulo.

103 -    76 a.C.     Domínio de Alexandre Janeu.

  76 -    67 a.C.     Domínio de Salomé Alexandra; Hircano II é o sumo sacerdote. 

  66 -    63 a.C.     Batalha entre Aristóbulo II e Hircano II.

 

 

         O período romano (63 a.C., em diante)

         No ano de 63 a.C. o general romano Pompeu tomou Jerusalém e as províncias da Terra Santa passaram a ser dominadas por Roma. O governo local foi confiado ora a príncipes, ora a governadores romanos nomeados pelo imperador. Quando O UNGIDO nasceu, Herodes, o Grande, era o governante de toda a região.

 

             63 a.C.    Pompeu invade a Terra Santa; começa o domínio romano.

  63 -     40 a.C.    Hircano II governa sob o controle de Roma.

             48 a.C.    Júlio César derrota Pompeu.

             44 a.C.    Júlio César é assassinado.

  40 -     37 a.C.    Os partos conquistam Jerusalém; Antígono governa sob os romanos.

   37 -      4 a.C.    Herodes se torna governante da Terra Santa.

              27 a.C.   Otaviano (César Augusto) governa o Império Romano.

              19 a.C.   Início da construção do templo de Herodes.

                4 a.C.   Herodes morre e é sucedido por Arquelau.

 

 

 

 

 

         “Aqui termino a INTRODUÇÃO AOS LIVROS DA BÍBLIA SAGRADA – 34 LIVROS!”. Aguarde pela “INTRODUÇÃO AOS LIVROS DA BÍBLIA SAGRADA DO NOVO TESTAMENTO!”.

 

 

         QUE YAOHU ILUMINE A TODOS. AMÉM 28/11/2010. Anselmo.

 

 

 

         § SEGUE OBS. DA PÁGINA Nº 5:

 

         “NOS LIVROS HISTÓRICOS”, APARECEM TAMBÉM: “PROFETAS”:

 

         O título de Profetas que a tradição judaica deu, pelo menos a partir do século II a.C., ao conjunto dos livros que se estende de Josué a Malaquias, cobre gêneros literários bem diversos: Por um lado, são crônicas oficiais das cortes reais de Jerusalém e da Samaria, listas de pessoas ou de lugares conservadas nos santuários e que desempenham o papel de bibliotecas, e sobretudo, relatos de estilo popular em que a história é quase sempre prolongada por traços legendários que tendem a glorificar um herói, uma tribo ou lugar privilegiado. Por outro lado, existem os livros nomeadamente atribuídos a profetas. A tradição judaica introduziu uma divisão no interior deste conjunto visivelmente heteróclito: distingue entre primeiros profetas, que correspondem àquilo que comumente denominamos OS LIVROS HISTÓRICOS” (JOSUÉ, JUÍZES, SAMUEL, REIS), e últimos profetas (ISAÍAS, JEREMIAS, EZEQUIEL e os doze profetas menores), aqueles que habitualmente intitulamos “OS PROFETAS”. Esta distinção não deve ser entendida em sentido cronológico, como se o primeiro grupo tivesse sido composto antes do segundo; ela visa apenas exprimir o lugar respectivo que lhes cabe na coleção dos escritos bíblicos, pois do ponto de vista estritamente cronológico, a anterioridade literária estaria antes do lado do segundo grupo.

         (Profetas Menores – Essa classificação cabe aos doze livros proféticos relativamente pequenos, que fazem parte do volume do Antigo Testamento. O fato de que eles são chamados “menores” não significa que os seus autores foram homens de importância secundária, mas apenas que os rolos que eles deixaram escritos não são muito volumosos, quando confrontados como os chamados Profetas Maiores: ISAÍAS; JEREMIAS; EZEQUIEL e DANIEL. Os doze livros dos Profetas Menores são: AMÓS; OSÉIAS; MIQUÉIAS; SOFONIAS; NAUM; HABACUQUE; AGEU; ZACARIAS; OBADIAS; MALAQUIAS; JOEL; e JONAS. Os estudiosos judeus deram um título alternativo a essa coletânea: LIVRO DOS DOZE. E, na forma de rolos, geralmente eles eram escritos em um único volume).

 

 

         Profetismo e profetas. Os fenômenos proféticos aparecem também fora de Israel. Na Mesopotâmia, em Canaã e no Egito conhecemos, desde o segundo milênio; o caso de homens e de mulheres que, geralmente em estado de êxtase, falam em nome da divindade que os enviou, e certas formas da linguagem deles se aproximam muito do estilo bíblico. Mas enquanto alhures o profetismo permaneceu marginal e episódico, assumiu em Israel um lugar tão central que marcou profundamente a religião, as instituições políticas e até as estruturas sociais. Em Israel, os profetas têm um nome; abstração feita dos grupos de profetas anônimos, ativos sobretudo no tempo de Samuel, eles aparecem como personalidades fortes, revestidas de uma autoridade que vem da sua ligação direta com Yaohu. Os relatos de vocação, que ocupam em vários livros um lugar essencial, e a narração, pelo próprio profeta ou por um dos seus próximos, dos momentos importantes de sua vida, tinham por finalidade autenticar a sua mensagem. O termo nabi, com o qual se designa o profeta, e que suplantou os termos “vidente” (1Sm 9,9) e “homem de Deus – Yaohu”, designa um homem que fala ou um homem que foi chamado, isto é, a quem foi dirigida uma palavra. Com efeito, a palavra é o meio de ação mais importante dos profetas; mesmo quando eles se manifestam por estranhos gestos de alcance simbólico ou pelo engajamento político e militar, é pela palavra que são verdadeiramente profetas. O discurso profético recorre a todas as formas de linguagem: Os oráculos (ou “mensagens”) da parte de Yaohu constituem o elemento mais freqüente e mais específico, mas encontram-se nele também a narração, a parábola, o provérbio e até o hino. O conteúdo de suas parábolas é tão diverso quanto a forma, mas sempre a palavra dos profetas é a palavra de Yaohu numa situação precisa da história.

         Forte e fundamentalmente ligados a Yaohu, os profetas estão também ligados à história. Convictos de que Yaohu está ao mesmo tempo nos acontecimentos e acima deles, e de que o povo de Israel tem uma missão histórica, os profetas aí estão para lembrar esta certeza, e o fazem através da advertência, da exortação, da censura e da consolação. Mesmo falando sempre em situações concretas e conseqüentemente únicas, trazem, como mensageiros de Yaohu, uma palavra que ultrapassa as circunstâncias imediatas e que merece não somente ser ouvida, mas também transmitida.

         Propagadas primeiro por via oral e guardadas vivas na memória do povo, as profecias foram também – e sem dúvida, bem cedo – redigidas, seja pelos próprios profetas (p. ex. Is 8,16; Jr 36), seja pelos seus discípulos. A transmissão das palavras dos profetas respondia a uma dupla preocupação: a conservação e a atualização. Era preciso, na medida do possível, conservar a forma original na qual tinham sido pronunciados, e isto, tanto por respeito ao profeta como por respeito a Yaohu. No que concerne à atualização, ela levava necessariamente a acrescentar, às palavras originais do profeta, palavras novas que, embora procurando respeitar o espírito dele, interpretavam a sua mensagem e deviam servir de canal para uma melhor transmissão. Entre os livros proféticos, os de Isaías, de Miquéias e de Jeremias são os que mais levam a marca dessa adaptação. A razão dessa atualização está no fato de que tudo o que haviam feito e dito os profetas pertencia, afinal, ao conjunto do povo, o qual, através deles, lia a sua própria história e encontrava nos exemplos desses homens de Yaohu o estímulo adequado para ser e para voltar a ser o povo de Yaohu.

         As palavras dos profetas foram recolhidas à medida que foram pronunciadas, e a presença de pequenas coleções com sobrescritos particulares no interior dos livros proféticos é um indício dessa formação progressiva (p. ex. Is 2,1; 13,1; Jr 14,1; 21,1...). Mas parece que um trabalho de reagrupamento de grande envergadura foi feito durante o Exílio e depois dele. As razões determinantes foram várias: O desaparecimento do Templo de Jerusalém, assim como de outras instituições, tais como a realeza, levaram a comunidade israelita a voltar-se mais para o documento escrito como autoridade normativa em matéria de fé e de prática religiosa. Por outro lado, os acontecimentos mostraram ter sido um grande erro dispensar tão pouca atenção às palavras dos profetas. Recolheram-se então essas palavras para tirar a lição daquilo que ocorrera.

         Dois princípios presidiram a esta nova leitura: Por respeito à história, tentou-se agrupar as palavras dos profetas segundo uma ordem cronológica; ao mesmo tempo – os dois objetivos nem sempre foram facilmente conciliáveis –, os colecionadores introduziram nos textos uma ordem sistemática, agrupando de um lado os oráculos que anunciavam o juízo sobre o povo de Israel e sobre as nações e de outro lado, os que continham promessas. A aplicação desses dois princípios resultou em certa desordem, que muitas vezes desorienta o leitor e que a crítica literária por vezes consegue clarear, sem contudo resolver todos os enigmas. É claro, por exemplo, que no livro de Isaías o conjunto que começa no cap. 40, e que provém de uma época completamente diversa da dos capítulos 1 – 39, se destina a mostrar que em Yaohu a restauração e a salvação têm a última palavra; em Ezequiel, cujo livro foi menos retrabalhado, encontra-se uma ordem análoga. Aliás, é preciso reconhecer que, com bastante freqüência, a cronologia e a teologia se encontram: Assim, antes do Exílio, é preponderante o anúncio do juízo, mas ao contrário, depois do Exílio, os profetas enfatizam uma aliança restaurada, fundada na obediência e no amor. Mas aí talvez tenhamos uma simplificação da realidade histórica, pois anúncio do juízo e promessa de salvação muitas vezes devem ter coexistido.

         Considerando, mais do que o teor geral, o conteúdo preciso dos oráculos proféticos, podemos dizer que estes estavam voltados ao mesmo tempo para o passado e para o futuro. A história por eles vivida, os profetas a interpretam à luz de certas grandes tradições do passado: Assim, o êxodo do Egito, que conferiu a Israel a sua identidade, é evocado por quase todos os profetas, e a escolha de Davi e da sua dinastia ocupa um lugar mais ou menos equivalente. Êxodo do Egito e aliança davídica eram fatos do passado, mas que abriam uma perspectiva para o futuro. O povo está sempre em marcha, ou seja, na situação do Êxodo, expressa entre outras coisas pelo ritual pascal; e a realeza de Davi é o ponto de partida de uma realeza mais definitiva, o reino messiânico.

 

 

         Profetas e História. É a partir dos profetas propriamente ditos que convém ler os livros “HISTÓRICOS” que, no cânon hebraico, lhes estão associados organicamente. Várias razões militam em favor de tal leitura. Com efeito, nesses livros (= primeiros profetas), os profetas ocupam um lugar preponderante: Assim, dos 47 capítulos dos livros dos Reis, nada menos de 22 são dedicados a relatos em que os atores principais são, não tanto os reis quanto os profetas Ahiá de Shilô, Elias, Eliseu, Miquéias, filho de Iimlá, e Isaías. Observar-se-á também o lugar que ocupam os discursos postos na boca de Josué, de Samuel ou de personagens anônimos. Inspirando-se nestas constatações, uma tradição, que no judaísmo se tornou quase oficial, quer que, na sua maior parte, os livros que vão de Josué aos Reis tenham sido compostos por profetas: É o ponto de vista de Flávio Josefo (Contra Apião I 8). Segundo o Talmud (Baba Batra 15a), o livro de Josué teria sido escrito por Josué e terminado, após a morte dele, por Eleazar e Pinhas: Samuel teria escrito os Juízes, assim como o livro que traz o nome dele, ao passo que os elementos posteriores à sua morte teriam sido escritos pelos profetas Gad e Natam etc. Estas opiniões não resistem ao testemunho dos próprios livros bíblicos, mas não é inconcebível que os profetas, como também os sábios, tenham consignado por escrito antigas tradições nacionais, inclusive as que encontraram lugar no Pentateuco. Um testemunho indireto provém do livro das Crônicas, que menciona entre as suas fontes vários escritos de profetas, Samuel, Gad, Natam, Shemaiá, Idô, informações que provavelmente não são puramente imaginárias. Sobretudo importante é o lugar preciso em que, nos LIVROS HISTÓRICOS, aparecem os PROFETAS. Encontramo-los nas origens da realeza, por ocasião do cisma das dez tribos, no momento do perigo arameu, do sincretismo religioso sob Acab, da invasão assíria, da descoberta da Lei sob Josias. Todos esses eventos-chaves estão ligados à pessoa de um ou de vários profetas. É a palavra do profeta que orienta esses acontecimentos; poder-se-ia quase dizer que ela os cria. No momento em que os acontecimentos ocorriam, os profetas talvez só tivessem uma intuição desta ligação entre a história e a palavra deles, embora a relação deles com Yaohu lhes conferisse um caráter de certeza: Mas com o passar do tempo, esta ligação se tornou objeto de uma elaboração mais sistemática. Assim, durante o Exílio, o Segundo Isaías (40 – 55) indica uma correspondência entre as coisas anunciadas pelos profetas e as que ele vê realizando-se sob os seus olhos, encontrando aí a demonstração da superioridade e da unicidade do Deus – Yaohu de Israel. Mais tarde, lendo os livros dos profetas (Dn 9,2), o autor de Daniel encontrará inspiração para esboçar uma teologia da história universal, em que Yaohu aparecerá como – YHWH – Yaohu dos tempos.

         Os livros históricos dão da história uma interpretação profética, o que não está em contradição com o seu autêntico valor documentário. O aspecto profético desses livros lhes vem não somente do grupo dos últimos profetas, mas também do livro que os precede imediatamente na ordem atual do cânon, o Deuteronômio. Este livro tem duas faces: Uma voltada para o Pentateuco, do qual constitui a conclusão, a outra para os livros históricos (primeiros profetas), dos quais constitui a introdução. Qualquer que seja o meio ambiente que deu origem ao Deuteronômio, o seu parentesco com os profetas é inegável e, na sua preocupação pela continuidade, ele visa mostrar a filiação do profetismo com o próprio Moisés (Dt 18,15ss.). Nenhum profeta, é verdade, reivindica explicitamente o patrocínio de Moisés, mas também é verdade que nenhum deles o recusaria.

         Esta é também a atitude do historiador ao qual devemos o conjunto de Josué a Reis, muitas vezes qualificado como “historiador deuteronomista”. A personalidade desse autor, em que alguns não enxergam mais do que um compilador, é menos fácil de ser apreendida que a de outros autores bíblicos, pois ela não se prolonga em uma coletividade ou uma escola. Entretanto, mui discretamente ele nos dá, no fim da sua obra, uma espécie de assinatura que nos ilumina sobre a sua época e sobre a sua teologia: em 2Rs 25,27 se diz que o rei da Babilônia “reergueu a cabeça” do rei Ioiakin, deportado há 37 anos, fazendo-o sair da sua prisão, falando-lhe com bondade e elevando o trono dele acima dos tronos dos reis que estavam com ele na Babilônia. Isto ocorreu no ano de 561; o povo encontrava-se em pleno exílio, sem esperança aparente de ver o fim do exílio num futuro próximo. Ora, este pequeno sinal vem justamente lembrar que a promessa que até ali orientou a história não está aniquilada, se bem que alhures o autor insista no fato de que as desgraças atuais são o resultado lógico de uma seqüência de infidelidades. O autor coincide exatamente com o ponto de vista dos profetas, que viam na história uma sucessão de juízos divinos e de reintegrações na graça.

         Uma obra histórica de síntese, como o é o conjunto dos primeiros profetas, pode nascer em uma época feliz, quando se constata a realização de uma longa e difícil expectativa; pode também nascer num momento em que um passado glorioso parece estar desmoronando. Os primeiros profetas querem chamar para uma volta, mas não vêem a salvação em uma simples volta à época mosaica, por mais importante que sejam para eles as figuras desses novos (Moiséss) que são Samuel e Elias. O historiador dos primeiros profetas não esquece a outra intervenção divina na história, que é a aliança com Davi. Sem dúvida, houve mais reis ruins do que bons, e vários deles foram a causa da infidelidade de Israel, INDUZINDO-O A ASSOCIAR BAAL AO SENHOR E A PREFERIR A política das alianças e dos blocos à manutenção do lugar único que YAOHU quis para Israel no meio das nações. Mas, para este historiador, a realeza constitui também a brecha pela qual Israel entrou nos conflitos dos reinos para ser ali o instrumento e o testemunho de outro Reino. Num momento em que estas certezas pareciam definitivamente comprometidas, era útil lembrar ao povo que elas continuavam a manter a sua validade.

         Começando pela promessa de Yaohu a Josué de dar-lhe a terra (Js 1,1-9) e terminado com a menção à elevação de Ioiakin, a obra muitas vezes heterogênea se apresenta sob o signo da unidade. Terra  e reino podem momentaneamente não existir, mas serão restabelecidos, tão certo como não rui por terra nenhuma das palavras ditas por Yaohu, mas sempre encontra a sua realização (cf. Js 21,45; 23,14; 1Sm 3,19; 1Rs 8,56; 2Rs 10,10). Enquanto isso, os leitores reencontrarão a sua identidade meditando os feitos de Deborá, de Guideon, de Samuel, de Davi, testemunhas da fidelidade de Yaohu às suas promessas. A recordação dos grandes atos de Yaohu, apresentados com  intuito didático, ao mesmo tempo como narração e como exortação, deverá fazer evitar a recaída nos erros dos pais. Inspirado pelos profetas, o historiador ao qual devemos a coleção dos primeiros profetas, por sua vez, inspirará aqueles que se dedicaram a dar aos livros dos últimos profetas a sua forma definitiva, harmonizando-os com uma tradição que adquirira um valor e uma função de certo modo canônicos.

         As duas partes do grupo dos profetas estão intimamente unidas, sendo proveitoso fazer uma leitura conjunta de ambas. Teremos então melhores condições para situar os profetas na história e para melhor perceber na história a palavra que cria os acontecimentos e que os transcende continuando a interpelar-nos nas nossas situações de hoje! LEIA A BÍBLIA! § (Obs. Da página de nº 5).

 

 

Aqui, caros irmãos e irmãs, termina a Introdução ao Antigo Testamento. Veja que é só a “Introdução” aos livros da Sagrada Escritura. Para uma compreensão melhor, sugiro que esta apostila seja acompanhada com uma Bíblia em mãos...!

 

 

         P.S. “Todo o texto hebraico como sua grafia... depende das raízes das derivações das palavras, verbos, da importância de Nomes com seus significados e etc.” Sendo assim, não poderia  falar, sem (relembrar a primeira apostila) da raiz do Nome Próprio de Yaohu! Vamos lá.:

         - (Vogais do hebraico no texto masorético: qamets representado pelo símbolo quase igual ao formato de um “T” minúsculo! Sendo transliterado na nossa língua igual a “a”. E, o qamets-hatuph representado pelo símbolo quase igual ao formato de um “T” minúsculo! Sendo transliterado na nossa língua igual a “o”.).

 

         Agora, vamos ao Tetragrama sagrado que nunca foi pronunciado senão salvo só algumas vezes nos cultos hebraicos... YHWH: [ONDE, A TERCEIRA LETRA – EM PORTUGUÊS É LIDA EM HEBRAICO (WAW = “W”)]. Onde, o texto masorético colocou os sinais, para poder se ler o hebraico sem se perder a vocalização, ficando por assim dizer, perdido para sempre o “som” das palavras –; o texto masorético introduziu às vogais as “consoantes” – (ficando o “waw”, com o texto masorético = “U”). Sendo o sinal = “ . ” [Somente usado com o SHUREQ. ESSE PONTO, VAI NO MEIO DESSA LETRA HEBRAICA SENDO UM RISCO RETO COM UMA INCLINAÇÃO LEVE NA PARTE DE CIMA PARA ESQUERDA QUASE IGUAL A UMA PEQUENA FOLHA NUM PALITO COM UM PONTO NO MEIO FORMANDO DE “w” A LETRA “u”]. “A transliteração do hebraico para o português!”.

         Ufa. Acho que agora posso passar para o texto do: Dicionário Internacional de Teologia do ANTIGO TESTAMENTO DE R. LAIRD HARRIS; CLEASON L. ARCHER, JR; BRUCE K. WALTKE. DA EDITORA VIDA NOVA. Pág. 491.

 

         (hayâ) ser, tornar-se, existir, acontecer. (Com um “traço” em cima da letra “a”).

         Este verbo ocorre 3540 vezes no hebraico bíblico, todas elas no qal, exceto os 21 usos no final. O verbo é relacionado à outra palavra hebraica que significa “tornar-se”, hawâ (ocorre apenas cinco vezes: Gn 27,29; Is 16,4; Ec 2,22; 11,3; Ne 6,6) e ao mesmo verbo em aramaico bíblico, hawâ (71 ocorrências). Em acadiano, o seu equivalente fonético, ewû, significa “transformar-se em, tornar-se como”. Para expressar o ser ou a existência, o acadiano não usa ewû mas bashû (de modo semelhante ao termo kûn do ugarítico e do fenício).

         Apenas raramente no AT o verbo hayâ é utilizado para denotar a simples existência ou a identificação de um ser ou de uma coisa. Isto pode ser ilustrado por um simples exame de quase toda página da ARC, onde o leitor encontrará várias formas do verbo ser em itálico, indicando que tais formas são adições que os tradutores julgaram necessárias para uma tradução fluente, e que não existem no hebraico. Em tais casos, o hebraico emprega o que se conhece em gramática como uma oração nominal, que podemos definir da maneira mais simples como uma frase que não tem verbo normal nem verbo de ligação, por exemplo: Eu (sou) o YHWHYAOHU – teu DEUS; o YHWH (é) sol e escudo; a terra (é) boa; no NT, bem-aventurança (são) os pobres. Esta ausência quase total de hayâ como verbo de ligação ou partícula de existência levou alguns a usar este fenômeno como prova de que o pensamento “estático” era desconhecido dos hebreus, que só pensavam em categorias “dinâmicas” (ver Boman na bibliografia abaixo).

         O hebraico possui uma maneira alternativa de expressar existência além da oração nominal, utilizando a partícula yesh (em orações afirmativas) e a partícula ‘ayin (nas negativas). Isto é, na verdade, apenas mais uma forma de oração nominal, como “talvez haja cinqüenta justos na cidade” ou “... não há Deus”. Ambas as partículas são de natureza mais substantival que verbal, e se assemelham, em função, ao francês il y a e ao alemão es gibt.

         Há situações, todavia, em que hayâ é usado com predicativo: a) na descrição de uma situação passada que já não se verifica: “A terra era (hayetâ) sem forma e vazia” (Gn 1,2); b) em narrativas históricas: “A serpente” era (hayâ) mais sagaz que todos os animais... (Gn 3,1); e) na expressão de uma verdade universal: “Não é bom que o homem esteja (heyôt) só” (Gn 2,18). Observe-se a justaposição da oração verbal como hayâ com a oração nominal, sem o verbo: “Sereis (tihyû) santos porque eu (sou) santo (qadôsh ‘anî, Lv 19,2)”. Boman explicaria a ausência do verbo de ligação na parte final da sentença dizendo que o predicativo (santo) é inerente ao sujeito (Deus), sendo o verbo, assim, desnecessário. Acrescentaria ainda que o primeiro verbo (“ser”) realmente significa “tornar-se”. Pular dessa observação, todavia, para a conclusão de que o sentido básico de hayâ na Bíblia é “tornar-se” parece injustificado.

         Especialmente importante é o uso do verbo hayâ nas fórmulas da aliança: “Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo” (Jr 7,23; 11,4; 24,7; 31,33, etc.), e no contexto das promessas divinas de bênção e julgamento: “de ti farei uma grande nação [...] e tu serás uma bênção” (Gn 12,2). Uma tradução freqüente, embora talvez imprecisa, de hayâ é como observado acima, “vir”. Isto aparece com mais freqüência com respeito à “vinda do RÚKHA – YAOHU” (Espírito de Yaohu) sobre um indivíduo (Jz 11,29; 1Sm 19,20), e em passagens aonde à palavra de Yaohu “vem” a alguém (Gn 15,1; 1Sm 15,10; 2Sm 7,4; Jr 36,1).

         Uma palavra final e breve deve ser dita sobre o significado e a interpretação de (Jeová ou Iavé). Parece fora de dúvida que o nome contém o verbo hayâ, “ser” (veja todavia o artigo YHWH). A questão é determinar se o verbo estaria no qal, “ele é”, ou no hifil, “ele faz ser”, traz à existência, ponto de vista cujo defensor maior foi W.F. Albright. A mais forte objeção a tal interpretação é que ela exige uma alteração do texto chave de Êx 3,14: “EU SOU O QUE SOU”. Mais provavelmente o nome deveria ser traduzido: “EU SOU AQUELE QUE É” ou “EU SOU AQUELE QUE EXISTE”. Mais provavelmente o nome deveria ser traduzido: “EU SOU AQUELE QUE É” OU “EU SOU AQUELE QUE EXISTE”, conforme é refletido pela tradução da LXX, ego eimi ho on. Um eco de tal interpretação seguramente se acha no NT, em Apocalipse 1,8. Mais do que talvez qualquer outra coisa, a ontologia de Yaohu expressa tanto sua presença quanto sua existência. Nenhum  dos dois conceitos pode ser rotulado como mais importante que o outro.

         Agora minha tese: Do tetragrama YHWH – se, colocaram a vogal “a” depois de “Y” ficando (Ya) e, deixando o “wawformou o grosseiro erro de Javé e Iavé – com a conotação do verbo ser em hebraico...! Agora: do verbo hayâ – do TETRAGRAMA – DO TEXTO MASORÉTICO ONDE FORAM COLOCADAS AS “VOGAIS” –, MINHA TESE É: “a” DO VERBO “Hayâ” , e do masorético à colocação do qamets-hatuph – formando “o” {ficando o ditongo}; e do “waw” com a vogal hebraica “shureq” (sempre com waw) – formando o “u” – daí a forma do nome próprio de Deus = Yaohu! É esta a minha tese: Anselmo Estevan.

 Só espero ter me feito entender... Para, apoio, se, Yaohu, permitir, estou colocando um “estudo hebraico”, à parte, “de um Ilmo colega: Sr. Hermes. A paz....”. (Para maior entendimento....!!!!):

         Se você está num túnel e, não há “Luz” fica difícil saber para onde se vai? Como caminhar sem saber onde está se pisando... Por isso, quero colocar no “túnel escuro” uma “LUZ” para poder ter uma direção e um caminho a seguir... Essa “Luz”, é o começo que depende de cada um de nós identificar a saída desse “túnel”. O pequeno mas um começo, um caminho para entender os caminhos que seguiram essa apostila...ESTUDO HEBRAICO DO NOME DE DEUS – YAOHU. Agradeço ao irmão Sr. Camargo. E principalmente ao Sr. Hermes um irmão na Fé. Amém. Que Yaohu seja por nós todos. Amém.

 

 

 

 

SIMPLESMENTE “SER”. EU “SOU” ME ENVIO A VOZ!

 

 

 

{‘ ÔR}